Política

Judiciário mostrou seu caráter, é preciso mobilizar contra as demissões no Metrô

segunda-feira 2 de novembro| Edição do dia

Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A Justiça do Trabalho, em primeira instância, no último dia 28, negou liminar impetrada pelo sindicato dos metroviários para reintegração dos funcionários com aposentadoria especial demitidos sumariamente pela empresa sem nenhum direito. Nós da Chapa 4 - Nossa Classe, minoria na diretoria do sindicato viemos alertando desde o começo das demissões sobre o caráter patronal do judiciário, hoje mais do que nunca alinhado aos empresários e capitalistas para atacar os trabalhadores e nossos direitos, e que a única forma de arrancar a reintegração desses companheiros é a mobilização e luta.

É muito revoltante ver a empresa a mando de Doria demitir de forma arbitrária no meio de uma pandemia, mais de 100 metroviários em condição de aposentadoria especial. Essa aposentadoria é concedida a trabalhadores que exercem sua função em áreas de alto risco para a saúde e a vida. Se aproveitando de forma oportunista de uma decisão do STF, que proíbe que funcionários com aposentadoria especial continuem a trabalhar em áreas de risco, mas que em nenhuma linha fala em demissão dos trabalhadores nessa condição, o Metrô demitiu essas pessoas sem nenhum aviso ou direitos, aos moldes de demissões por justa causa. Um tremendo desrespeito com quem dedicou a vida toda a empresa, colocando em risco sua vida. A empresa usou essa situação de pretexto para avançar no corte de postos de trabalho efetivos, para dar passos na terceirização e na privatização.

Doria se aproveita da pandemia para levar seu projeto de privatização à frente, beneficiando um punhado de grandes empresários com dinheiro público, e por isso o Metrô de SP faz essa demissão em massa agora para avançar principalmente na terceirização no setor da manutenção, que é onde a maior parte destes funcionários demitidos trabalham. Junto a isso, estão terceirizando as bilheterias das estações e não contratando mais funcionários, deixando as áreas da empresa com um déficit grande de quadro, sobrecarregando quem continua na empresa, prejudicando o serviço prestado à população e abrindo caminho para as negociatas da privatização. Sucateiam o serviço, aumentam a tarifa, e frente à falta de quadro querem avançar pra inserir empresas privatizadas que custam mais caro pro Estado, escravizam trabalhadores e prestam serviço de menor qualidade para a população.

A justiça já provou diversas vezes estar do lado dos patrões e do governo, para atacar os direitos trabalhistas e implementar a agenda neoliberal de Guedes, Bolsonaro e governadores como Doria. As diversas forças do regime político estão alinhadas em atacar os trabalhadores e seus direitos. Executivo, congresso, STF, militares, governadores e prefeitos, estão unificados nesse objetivo. Só a unidade dos trabalhadores em luta organizada pode fazer frente a essa ofensiva sob os direitos do povo. O sindicato precisa construir isso. Vender ilusões na justiça como faz a Chapa 1/CTB no sindicato dos metroviários, só vai levar a mais paralisia e derrotas.

Precisamos de uma grande unidade para lutar para reverter essa demissão em massa e a terceirização, com a perspectiva de exigir a efetivação dos terceirizados para o corpo efetivo do Metrô, sem necessidade de concurso, e enfrentar esses desafios colocados em um país governado pela extrema direita herdeira do golpe institucional.

É preciso fortalecer as medidas já votadas na última assembleia da categoria de uso do adesivo e construção do ato contra as demissões na Sé no dia 5/11 às 17h. O sindicato precisa colocar todas as suas forças para mobilizar a base da categoria, com setoriais, assembleias e um plano de luta para reverter as demissões e organizar os trabalhadores contra a terceirização e os ataques da privatização. Em especial a Chapa 1 (CTB/PCdoB e CUT/PT), que na última setorial interviu desmobilizando, culpabilizando a base da categoria pela falta de mobilização da qual eles são os primeiros responsáveis, e dizendo que "não há o que fazer" em relação às demissões e à terceirização das bilheterias a não ser confiar no judiciário, que já se provou inimigo dos trabalhadores. Um discurso na contramão da enorme força que demonstrou a categoria na última greve em julho desse ano que derrotou os ataques de Doria e da empresa contra o acordo coletivo.

Compareçam nesta quinta-feira, dia 5, à manifestação contra as demissões e contra a terceirização das bilheterias na estação Sé, às 17h.

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