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Guerra na Ucrânia | Jornal petista celebra sanções à Rússia publicando fala do reacionário presidente Checheno

quinta-feira 10 de março | Edição do dia

A Revista Fórum publicou ontem as declarações de Ramzan Kadyrov, reacionário presidente da Chechênia, em sua página (Leia aqui). Kadyrov teria comemorado a saída do McDonalds da Rússia, medida que faz parte de um imenso boicote econômico do ocidente contra o país.

"As notícias estão melhores à cada dia", disse o presidente Checheno, e completou: "Foi-se o domínio americano que busca destruir nossos corpos e nos deixar obesos". Tal declaração, reacionária em si mesma, busca ocultar o impacto que as sanções reacionárias da Otan e da União Europeia têm sobre a classe trabalhadora.

Segundo levantamos com Agências de notícias, os empregos afetados pelas sanções do ocidente já chegam à casa da centenas de milhares. Como publicamos aqui, a Inditex despediu 9 mil empregados. Ikea outros 12 mil. McDonald’s foi embora deixando 62 mil. PepsiCo soma 60 mil. Já são mais de 300 as empresas que decidiram sair ou restringir atividades.

A celebração da saída do McDonalds é a celebração das sanções da Otan e da UE, não há mais o que dizer acerca disso. Curioso que essas ideias sejam propagadas por setores que, supostamente, dizem estar do lado dos russos. Isso mostra como, na verdade, estar do lado de Putin e dos governantes reacionários alinhados à ele não tem nada a ver com defender os trabalhadores russos das ameaças da Otan e da UE.

A publicação da fala de Kadyrov vem sem absolutamente nenhuma crítica do autor do artigo. Veiculada desta maneira no referido jornal, só mostra a falta de compromisso desta "guerra informacional" levada adiante pela blogosfera, com uma resolução do conflito que seja favorável aos trabalhadores Russos e Ucranianos, contra a sanha imperialista da Otan e da UE.

Se não bastasse isso, Kadyrov foi acusado em 2017 de propagar e acobertar campos de concentração para homossexuais na chechênia. Os homens de Kadyrov prendiam, espancavam e torturavam homossexuais no pais. Questionado, Kadyrov respondeu as acusações dizendo que "você não pode perseguir aqueles que simplesmente não estão na Chechênia". Apesar disso, ao que tudo indica, o reacionário tem espaço reservado na mídia pró-Putin.

É evidente que há uma guerra de informações sobre a invasão na Ucrânia, de um lado a imprensa capitalista tenta erguer Zelensky como um herói, enquanto que a imprensa petista, mais representada por correntes stalinistas, filo-stalinistas e terceiro mundistas, se apressam por defender o governo reacionário de ocasião que, supostamente, estaria desafiando o ocidente. Neste "campismo" (posição pela vitória militar de um campo ou outro) não sobra nenhum espaço para a defesa dos trabalhadores. Com isso, nenhum dos campos é capaz de realizar uma batalha consequente contra o imperialismo.

Mas tal descompromisso é condizente com a atuação da blogosfera nacional, que no último período tem atuado contra a mobilização independente das massas no Brasil, depositando todas as esperanças no pleito eleitoral de 2022, torcendo pela chapa Lula-Alckmin. Comemorar a saída do McDonalds da Rússia, no final, é totalmente condizente com essa militância de sofá, tentando mudar o mundo através das redes sociais, apostando as fichas na construção de uma narrativa através da falsificação dos fatos. Com isso, até o mais elementar programa que é lutar contra as sanções contra a Rússia praticadas pela Otan e a UE, o jornal deixa de lado.

Diante da guerra na Ucrânia, é necessária uma batalha internacionalista por uma posição independente dos trabalhadores, por isso chamamos todos os que lutam por essa perspectiva à se informar e fortalecer o Esquerda Diário.

Não à guerra! Abaixo as sanções contra a Rússia!
Abaixo a OTAN! Não ao rearme imperialista!
Fora tropas russas da Ucrânia!




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