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RACISMO ESTADOS UNIDOS

Jogadores da NBA ameaçam boicote aos playoffs, em nome de #JustiçaPorJacobBlake

quarta-feira 26 de agosto| Edição do dia

Às vésperas das semifinais da Conferência Leste da NBA, o Toronto Raptors deveria estar preocupado em como parar o Boston Celtics, na recuperação de Kyle Lowry ou comemorando o prêmio de melhor técnico do ano para Nick Nurse. Mas pelas entrevistas antes da nova série dos playoffs da liga — retomada há um mês em uma espécie de ’bolha’ anti-Covid-19, em Orlando —, o sentimento que impera nos atuais campeões não diz respeito ao jogo: é um clima de frustração.

Isso porque no último domingo (23), mais um homem negro foi vítima da violência da polícia racista dos Estados Unidos. Dessa vez, Jacob Blake, de 29 anos, foi atingido com sete tiros pelas costas por policiais na cidade de Kenosha, em Wisconsin. O pai de Jacob informou que o jovem negro está paraplégico da cintura para baixo.

O caso que ocorreu a quase três meses do assassinato de George Floyd em Minneápolis, também pela brutalidade de policiais racistas, fez com que a população retornasse às ruas em manifestação contra a violência policial e o racismo, e as mobilizações vem sendo alvo de repressão policial e de ataques de grupos supremacistas brancos.

O caso foi um novo rastilho de pólvora para reaquecer o debate entre atletas, que elevaram o tom.

— Eu estava muito animado, então todos nós assistimos Jacob Blake levar um tiro. Isso muda o tom das coisas — disse o ala Fred VanVleet, dos Raptors. — Está começando a parecer que tudo o que estamos fazendo é apenas seguir os procedimentos e nada está mudando de verdade. E aqui estamos nós novamente com outro incidente infeliz.

Raptors e Celtics se enfrentam nesta quinta-feira, às 19h30 (de Brasília), no primeiro jogo da série melhor de sete. Esse pensamento de que apenas as mensagens nas camisas e os gestos não têm sido suficientes foi compartilhado por outros jogadores e levantou a discussão sobre não entrar em quadra. VanVleet afirmou que o debate sobre "jogar ou não jogar coloca a pressão sobre alguém". Ao ser questionado sobre a possibilidade de boicote às partidas, Norman Powell, também dos Raptors, disse que o assunto "tem sido falado".

— Há muitas coisas sendo faladas sobre esta questão delicada. Todo mundo pode vir aqui e falar ’Black Lives Matter’ (’vidas negras importam’), fazer discussões em chamadas de vídeo, colocar camisas, mas isso não vai resolver. Ajoelhar durante o hino... isso não vai resolver. Está começando a ficar apagado — disse.

Nesta retomada de uma temporada totalmente atípica, a NBA deu passos inéditos ao estampar mensagens antirracismo e a favor de justiça social em seus espaços mais nobres: as camisas dos jogadores e a quadra de jogo. Os jogadores dos 22 times receberam uma lista com 29 opções de frases para serem usadas na parte de trás do uniforme, em diferentes idiomas: mensagens como Black Lives Matter, Say Their Names (diga seus nomes), I Can’t Breathe (eu não consigo respirar), Justice (justiça), Peace (paz), Equality (igualdade), Freedom (liberdade).

— Eu sei que as pessoas se cansam de me ouvir dizer isso, mas nós estamos com medo como negros nos Estados Unidos. Homens negros, mulheres negras, crianças negras, estamos aterrorizados — disse LeBron James, após vitória do Los Angeles Lakers sobre o Portland Trail Blazers, segunda-feira. Donovan Mitchell, do Utah Jazz, desabafou com um “fod*** os jogos e os playoffs, queremos justiça” e George Hill, do Milwaukee Bucks — único time do estado de Wisconsin na liga — afirmou que “nós nem deveríamos ter vindo a esse maldito lugar”.

Hoje o Milwaukee Bucks decidiu pelo boicote do Jogo 5 de sua série de playoff da primeira rodada contra o Orlando Magic, resultando no adiamento pela NBA dos 3 jogos (Bucks-Magic; Houston Rockets - Oklahoma City Thunder; Los Angeles Lakers - Portland Trail Blazers) que ocorreriam nessa quarta-feira. "Estamos cansados ​​das mortes e da injustiça" - outra frase dita pelo guarda do Bucks, George Hill, em entrevista para ESPN.

Os recorrentes assassinatos pelas mãos de policiais nos Estados Unidos e que não levam à punição dos responsáveis, demonstram que o racismo é uma ferramenta do imperialismo e do sistema capitalista para seguir se sustentando às custas das vidas negras. A fúria da população norte-americana, não apenas dos negros mas também de toda uma nova geração que se identifica com um imaginário "socialista", vai polarizando cada vez mais o país, não apenas contra o racista Trump, mas também contra o Partido Democrata de Biden-Obama, responsável pelos assassinatos negros como em Wisconsin, governada pelo Democrata Tony Evers.




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