Internacional

EL CIRCULO ROJO

Joe Biden e as Perspectivas para o Novo Governo Imperial

Neste domingo, na coluna do programa El Círculo Rojo da rede internacional do Esquerda Diário, Diego Sachi analisou as eleições presidenciais nos Estados Unidos e as perspectivas do próximo governo do democrata Joe Biden.

terça-feira 10 de novembro| Edição do dia

Neste sábado, foi anunciado que Biden alcançou 279 eleitores, superando os 270 necessários para ter a maioria no Colégio Eleitoral.

Na eleição com a maior participação, o candidato democrata ultrapassa 75 milhões de votos, enquanto Trump ultrapassa 71 milhões, algo que se destaca ao pensar nos últimos meses de seu governo.

Esta eleição que bateu recordes e foi muito disputada, além disso, devido ao seu sistema eleitoral indireto antidemocrático, expressou a profunda polarização do regime estadunidense como também a polarização que aflige a sociedade desde a crise de 2008.

Ainda há elementos importantes a serem definidos, como, por exemplo, quem possui a maioria no Senado. Até agora, ambos os partidos têm 48 cadeiras, com a maioria sendo alcançada com 51 e ainda restando 4 em disputa.

Com a eleição presidencial praticamente definida, muito embora Trump diga que irá recorrer à justiça, o debate agora é como Biden lidará com um país polarizado. O Partido Democrata diz que essa polarização é produto do governo de Trump. Logo, sem o magnata na presidência, haverá um retorno à “normalidade”.

A polarização expressa que os partidos tradicionais se mostram insuficientes como representação política e é por isso que surge uma ala de direita no Partido Republicano, um populismo de direita que vai além de Trump.

Do outro lado, também surge uma ala progressista no Partido Democrata, uma insurgência interna representada por Bernie Sanders, que avançou como canalizador de setores que questionam o capitalismo estadunidense pela esquerda.

Mas vimos também que essa “insurgência” foi expressa nas ruas, nos protestos contra o racismo, pelos direitos das mulheres, dos imigrantes e entre os setores precários de trabalhadores que querem recuperar seus direitos.

Esse problema é presente em Biden e no Partido Democrata, essa ala insurgente existe, não apenas nos marcos do partido, mas também como fenômeno social. Sanders expressou isso, mas decidiu que terminaria alinhada por detrás do establishment democrata.

Joe Biden ganhou a eleição no calor das grandes aspirações democráticas do movimento de massas, que tange à questão racial, à violência policial, à questão econômica, à saúde. Sua candidatura busca canalizar isso, porém sem atender às demandas mais profundas, como “remédio para todos”, direitos trabalhistas, etc.
Em sua campanha, Joe Biden mostrou que se propõe a reconstruir um retorno ao centro, ao “extremo centro” onde republicanos e democratas, com suas nuances, governavam para garantir um consenso neoliberal.

A questão incógnita é como um político do establishment, financiado pela vasta fortuna da Wall Street, impedirá que a polarização, à direita e especialmente à esquerda, interrompa seu curso.

Quem é Joe Biden?

Joe Biden, o 46° presidente dos Estados Unidos, nasceu em 20 de novembro de 1942, em Scranton, Pensilvânia.

Este democrata de 77 anos se torna o presidente mais velho a assumir esse cargo, superando Trump, que assumiu com 70 anos em 2016.

Se Trump foi o outsider que chegou à Casa Branca, Biden representa o contrário. Ele é um veterano político que começou sua carreira aos 27 anos quando foi eleito conselheiro da cidade de New Castle,e dois anos depois se tornou um dos senadores mais jovens do país.

Biden, apresentado como um moderador que veio a serviço de unificar o país, tem um histórico que é pouco falado.

Duas questões colocaram Biden em dificuldade durante a campanha: uma foi a Lei de Controle de Crimes Violentos de 1994, também conhecida como Lei Biden, que se deu no contexto de “guerra às drogas”, e teve o efeito de encarcerar massivamente os consumidores, especialmente os afro americanos, durante as últimas três décadas.

A outra questão foi o aumento das restrições imigratórias importas durante a primeira etapa da administração Obama. O Intercept mostrou que, em 2014, Biden se referiu publicamente aos centro-americanos que estavam na fronteira entre os EUA e o México como “aquela perigosa onda de imigração”..

Voltando mais atrás, durante a Guerra das Malvinas, Biden era senador e introduziu a resolução de apoio dos EUA ao Reino Unido no Congresso dos EUA. Quando perguntado por uma jornalista da CBS sobre o tema, respondeu: “Minha resolução procura definir de que lado estamos e esse lado é o britânico. Os argentinos tem que descartar a ideia de que os Estados Unidos são neutros”.

Ele também desempenhou um papel importante durante a guerra contra o Iraque em 2003, sob a administração do republicano George Bush Jr. Como explica o colunista do The Guardian, Mark Weisbrot, “Biden fez muito mais do que simplesmente votar a favor da guerra”.

É claro que, quando comparado ao Trump, Biden é apresentado como uma grande mudança, mas a realidade é a de que ele continua a ser um representante do establishment político do Partido Democrata.




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