STF

Ives Gandra, inimigo dos trabalhadores dos Correios, é nome dos militares para cargo no STF

Ligado à medieval seita católica Opus Dei, um dos articuladores da reforma trabalhista, autor da proposta do corte de 50 cláusulas do acordo coletivo dos Correios, Ives Gandra é o nome favorito dos militares para a cadeira do STF que ficará livre com a aposentadoria de Celso de Mello.

sábado 26 de setembro| Edição do dia

Andressa Anholete/AFP

Com a aposentadoria do ministro Celso de Mello se aproximando, que inclusive foi adiantada pelo próprio em comunicado ao presidente da Corte, Luiz Fux, as principais forças que compõem o Governo Bolsonaro mexem seus pauzinhos para convencer o presidente de qual reacionário será o melhor para ocupar a cadeira.

A cúpula militar que circula Bolsonaro, de acordo com a revista golpista e conservadora, Veja, busca convencer Bolsonaro para que indique Ives Gandra, atual Ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) entre outros nomes na disputa, em especial de evangélicos como André Mendonça, o “terrivelmente evangélico” ou Sérgio Bretas, o conservador bombado da Lava-Jato do RJ. Todos compartilham um ótimo currículo de posições reacionárias e feitos autoritários.

Contudo, o ministro do TST destaca-se, além do conservadorismo nos costumes, pela experiência, em especial em assuntos que envolvem ataques profundos contra direitos da classe trabalhadora. Ives Gandra foi quem propôs o corte de 50 cláusulas do acordo coletivo dos Correios, cujos trabalhadores estavam numa forte greve. O ministro também teve um papel importante para a aprovação da reforma trabalhista que destruiu direitos históricos da classe trabalhadora.

Os militares usam este fato na tentativa de convencer Bolsonaro na nomeação de Ives Gandra, cuja família já possui fortes relações com elite das Forças Armadas. O atual ministro do TST já foi professor de muitos coronéis e generais que hoje fazem parte da cúpula bolsonarista na Escola Superior de Guerra. Ives Gandra já havia sido opção de Temer em seu governo golpista após a morte de Teori Zavascki, mas foi preterido por Alexandre Moraes.

Integrante da Opus Dei, uma seita católica reacionária, o pretendente à cadeira se localiza muito bem com seu conservadorismo, além do pai, simpatizante de Bolsonaro, que defende a interpretação golpista do artigo 142 da constituição para que militares tenham ficha branca em dar golpes de Estado. Por estes motivos, Ives Gandra Filho seria o nome defendido pela caserna para a futura cadeira vaga do STF.




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