Opinião

ESTADO ASSASSINO

Não esquecemos e não perdoamos os 80 tiros que mataram Evaldo Rosa

Isa, da Juventude Faísca Revolucionária e da Chapa 2 para o Conune, comenta a soltura dos assassinos de Evaldo, morto por 80 tiros, pela Justiça Militar.

Isabela Santos

Estudante de Serviço Social da UERJ e coordenadora do Centro Acadêmico de Serviço Social da UERJ - CASS

sexta-feira 24 de maio| Edição do dia

Eu lembro de sentir essa sensação no TJ, numa sessão onde se julgava os responsáveis por terem tirado a alegria de se comemorar o primeiro salário com 111 tiros.

A mesma sensação voltou muitas outras vezes. Quando tiraram os sonhos de Maria Eduarda com um tiro dentro da escola, quando absolveram os assassinos do Amarildo, quando vi a placa no teto de um colégio na Maré escrito "ESCOLA. NÃO ATIRE", quando asfixiaram o futuro de Pedro Henrique Gonzaga, quando mataram Jenifer, quando ressurgem as notícias das chacinas recorrentes no Rio sempre seguidas da garantia de impunidade, quando destruíram uma família com 80 tiros e vi a entrevista da Luciana!

Essa sensação, sempre aqui, as lágrimas também costumam vir em alguns momentos, mas o ódio... esse está sempre aqui! Ele está sempre forte, sempre me mantendo de pé, lembrando o que combater e quem combater. Me fazendo querer construir um caminho que leve a uma sociedade que nenhuma Luciana mais sofra por perder seu amigo e companheiro, onde ninguém mais se pergunte "Até quando esse estado vai matar trabalhador e pai de família?"

Alguns já me ouviram dizer que "aqui, no Rio, não dá tempo nem de sofrer". Vem uma coisa atrás da outra, que vai de deslizamentos à 80 tiros num espaço de tempo tão rápido que, definitivamente, não dá tempo nem de sentir. Mas aqui tô eu, na linha Vermelha, chorando e sentindo muito ódio ao acabar de ler uma matéria sobre a decisão da justiça Militar de libertar os assassinos de Evaldo.

Não esquecemos, não perdoamos, vingaremos nossos mortos, nossas lágrimas e seremos parte de construir um mundo onde não derramaremos mais nenhuma lágrima por ver os nossos tombados pelas mãos do Estado!




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