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Pandemia | Irracionalidade capitalista faz milhões de doses de vacina perderem a validade

Enquanto apenas 16% da população mundial está imunizada, em diversos países, milhões de doses de vacinas expiraram ou estão prestes a terem sua data de validade vencidas.

quinta-feira 12 de agosto | Edição do dia

IMAGEM: AP Photo/Matthias Schrader

Depois de meses sem serem utilizadas, milhares de doses concentradas em cerca de 90 caixas da vacina Oxford/AstraZeneca atingirão sua data de validade em agosto numa geladeira na cidade de Leiden, na Holanda. Tal situação vem se reproduzindo em diversos países que adquiriram inúmeras doses de imunizantes nos últimos meses, em meio a uma pandemia onde apenas 16% da população mundial se encontra imunizada, segundo o Our World Data.

Este desperdício provindo de países como Holanda e Estados Unidos acaba se agravando, quando os mesmos conscientemente não utilizam ou enviam essas doses excedentes para outros que cuja demanda para vacinação é maior, como é o caso das doses estocadas em Leiden e a decisão do governo holandês diante disso.

Com isso, cerca de 10 mil doses correm o risco de serem vencidas apenas neste estoque, sendo que, ao todo, este número pode chegar a 200 mil doses que perderão a validade se não forem utilizadas no país.

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Enquanto isso, no continente Africano, no final de julho, apenas 2,2% das pessoas haviam recebido pelo menos uma dose. Além do caso de Leiden, também ocorreram casos como em Israel, que teve 80 mil doses vencidas da Pfizer/BioNTech e descartadas no final do último mês ou nos Estados Unidos, só no estado da Carolina do Norte hajam 800 mil doses que poderão vencer em breve, sendo que há uma estimativa cujo o total de vacinas prestes a expirarem ou que já venceram sejam milhões.

Além disso, conforme se avançam rapidamente a taxa da população vacinada nestes países, onde muitos países ricos já obtiveram bem mais da metade de sua população já vacinada, em países como Libéria ou Namíbia, diversas doses já chegam com um intervalo de expiração bem mais curto, o que os fazem não conseguirem aproveitar todas as vacinas disponíveis por falta de tempo propriamente.

Em meio essa situação absurda, a pandemia persiste ceifando vidas diariamente, porém, com sem nenhuma forma consequente de se enfrentá-la a nível mundial, dada essas discrepâncias no que diz respeito a distribuição e compras de vacinas. O que, na realidade expressa um problema muito mais profundo que diz respeito a irracionalidade do próprio capitalismo, já que sequer há um esforço de erradicação da pandemia, quando em diversos países a mesma se persiste, inclusive abrindo margem para o desenvolvimento de variantes mais perigosas ainda, mesmo quando há outros onde sua população já avançou mais rapidamente no processo de vacinação.

Outro fator desta irracionalidade também diz respeito a própria produção das vacinas, cujo monopólio das patentes através de algumas empresas multinacionais permitem com que se persista uma lógica de compra das mesmas por via de quem consegue obter mais recursos financeiros e não enquanto parte de um esforço coletivo de superação deste momento como um todo, chegando ao cúmulo onde milhões de vacinas rumam para sua expiração, enquanto menos de um quinto da população mundial fica à espreita de um dos vírus mais devastadores dos últimos tempos.

Apenas com a liberação das patentes e a nacionalização das empresas farmacêuticas e laboratórios sob controle dos trabalhadores e não de burocratas que decidem conscientemente desperdiçar oportunidades de salvarem vidas que se pode enfrentar mais concretamente essa situação, algo que também implica num questionamento mais profundo do sistema que permite este tipo irracionalidade e que em todos os dias, abrange motivos para inexistir.

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