Gênero e sexualidade

#JUSTIÇAPORMARIFERRER

Invenção de "estupro culposo" no caso de Mari Ferrer é respaldada pelo bolsonarismo

A invenção do juiz de “estupro culposo” para inocentar o empresário André de Camargo Aranha no caso de Mariana Ferrer não é um caso isolado: ter um presidente declaradamente reacionário, como Bolsonaro, respalda esse tipo de decisão.

quarta-feira 4 de novembro| Edição do dia

Foto: Catarinas

Em setembro deste ano, veio a público o caso de Mariana Ferrer, influenciadora que foi estuprada pelo empresário André de Camargo Aranha. O caso voltou a ser comentado agora, após o site The Intercept divulgar a sentença do juiz de “estupro culposo” (supostamente, sem a intenção de estuprar), alegando que não havia como o empresário saber que a vítima não tinha condições de consentir, tipificação sem precedestes da justiça brasileira. Além disso, o vídeo do julgamento também foi divulgado e mostra o advogado de Aranha humilhando Mariana. Ferrer era virgem na época e alega ter sido drogada no dia do ocorrido.

Essa sentença tem respaldo em dois fatores: o judiciário brasileio e o reacionário presidente Bolsonaro. Não é a primeira vez que estupradores são inocentados no Brasil, não à toa, em 2015, explodiu um forte movimento contra a violência à mulher e os estupros. Porém, a tipificação inventada pelo juiz de “estupro culposo” é inédita e inocenta o empresário por, sim, ter estuprado, mas “sem intenção”. O objetivo era inocentar o estuprador, que, não por acaso, é empresário e filho do advogado Luiz de Camargo Aranha, que já representou a TV Globo. Fica muito claro neste caso que a justiça brasileira tem um lado: o dos ricos e empresários. Até distorcer as leis é permitido em nome de poupar os ricos dos monstruosos crimes que cometem.

Mas o que o governo Bolsonaro tem a ver com isso?

Todos conhecem o histórico do reacionário presidente. Durante sua carreira como deputado, afirmou que só não estupraria Maria do Rosário porque ela não merecia, além de já ter feito diversas outras declarações machistas contra o movimento feminista e contra o direito das mulheres.

Este ano, soubemos do triste caso da menina de 10 anos que engravidou por causa dos estupros que sofria desde os 6 anos. A justiça concedeu o direito previsto em lei de a garota realizar o aborto, mas a reacionária base bolsonarista se movimentou para tentar impedir, fazendo atos em frente ao hospital e chamando a menina de assassina. Sara Winter, fiel apoiadora de Bolsonaro, incitou as manifestações e divulgou as informações da criança nas redes sociais. Esses dados eram sigilosos e claramente foram divulgados pelo Estado. Grupos conservadores que foram até o hospital afirmaram ter contato com a Ministra de Bolsonaro, Damares Alves.

Não podemos deixar de citar também que o advogado de Aranha, Claudio Gastão da Rosa Filho, defendeu a fascista Sara Winter.

Isso demonstra que o reacionário governo Bolsonaro dá respaldo para esse tipo de sentença. Não é uma coincidência que o juiz invente uma sentença asurda de “estupro culposo” durante este governo. Por isso, precisamos Impor justiça a Mari Ferrer com a força da nossa mobilização, compondo os atos que estão sendo chamados pelo país. Não podemos esperar desse judiciário que inocenta estupradores a justiça para as mulheres vítimas de violência. É fundamental lutar contra esse governo reacionário que odeia as mulheres. Estamos com Mariana Ferrer lutando por justiça e por uma sociedade livre da violência contra a mulher.

Diana Assunção, do Grupo de Mulheres Pão e Rosas e candidata a vereadora junto com a Bancada Revolucionária de Trabalhadores, comenta sobre o caso:

Com apresentação de Diana Assunção, do Pão e Rosas, conheça o podcast Feminismo e Marxismo sobre a luta das mulheres contra a opressão e a exploração, desde o resgate histórico de grandes eventos e suas protagonistas até as perspectivas da luta feminista junto a classe trabalhadora nos dias de hoje.




Tópicos relacionados

#JUSTIÇAPORMARIFERRER   /    Mari Ferrer   /    Caso Mari Ferrer   /    bolsonarismo   /    Sara Winter   /    Damares Alves   /    Jair Bolsonaro   /    Estupro   /    Poder Judiciário   /    Violência contra a Mulher   /    Gênero e sexualidade

Comentários

Comentar