AUXÍLIO EMERGENCIAL

Interrupção do Auxílio por Bolsonaro pode levar milhões de brasileiros à extrema pobreza

Segundo a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 15 milhões de brasileiros voltaram a pobreza se auxílio emergencial for interrompido como o Governo Bolsonaro está prometendo.

sábado 10 de outubro| Edição do dia

Projeto que se desenvolveu como resposta à catástrofe econômica que já vinha caminhando desde antes da pandemia e que se aprofundou vertiginosamente com as consequências da crise sanitária, o auxílio emergencial como foi concebido, antes de tudo, foi uma assistência aprovada a contragosto de muitos membros do governo, incluindo Bolsonaro que propôs desde o início, míseros 200 reais a milhões de trabalhadores informais que ficaram sem renda, trabalhadores que perderam seus empregos durante a pandemia ou ainda pessoas que já vinham desempregadas desde antes da pandemia em uma crise que já registrava o índice de desemprego em 13%. Com alguma resistência, o projeto foi passado para 600, valor que, diga-se de passagem, não é minimamente suficiente para o sustento de uma família em situação de vulnerabilidade em meio à uma pandemia. Ainda assim, o auxílio-emergencial que, apesar de tudo, reanimou o índice de popularidade de Bolsonaro, fez com que o número de brasileiros pobres (aqueles que ganham menos de meio salário mínimo, ou R$ 515) tivesse uma recuada de 23,7%. Contudo, o projeto não tem previsão de se estender, mesmo com os impactos da pandemia ainda assolando a população. Pelo contrário, o auxílio já prevê, em suas últimas parcelas, um corte de 300 reais.

O ministro da Economia de Bolsonaro, Paulo Guedes já afirmou que o auxílio não será prorrogado em 2021. Segundo a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 15 milhões de brasileiros voltaram a pobreza se auxílio emergencial for interrompido. Embora Bolsonaro, agora, seja simpatizante da continuidade do auxílio, mesmo com redução, para fazer demagogia política, projeto se enfrenta com o próprio projeto de ataques e austeridade que o governo Bolsonaro sustenta desde o início de seu mandato, com Paulo Guedes encabeçando os ataques aos trabalhadores e aos serviços públicos para favorecer a iniciativa privada e, principalmente, amortecer os infindáveis juros da dívida pública. Se o pacote de auxílio, que já se faz miserável atualmente, acabar, milhões de brasileiros voltarão à pobreza, em meio a uma pandemia que não se sabe até onde se estenderá.

Se o governo Bolsonaro alavancou certa popularidade com o miserável auxílio (que já se vê ameaçado), não foi porque deu a melhor saída para a crise e os efeitos econômicos no país. Muito longe disso, o tratamento da própria crise por parte de Bolsonaro foi uma das atuações mais absurdas, horrorosas, negacionistas e negligentes que o mundo observou. Negando até mesmo a existência da pandemia e falando verdadeiros absurdos, incentivou que as pessoas não tomassem, inclusive, as medidas básicas de prevenção, como usar máscara, saindo a público, ele mesmo, por diversas vezes, sem o acessório. Não promoveu um controle eficaz, testagens em massa, investimentos massivos em equipamentos para os hospitais e EPI’s para os profissionais estratégicos, contratação de novos profissionais da saúde, até hoje! O resultado da ação de Bolsonaro são milhares de mortes diárias pela doença, marca que perdura até hoje, já contabilizando quase 150 mil mortes no país todo.

Diante de um cenário de caos econômico, o governo, juntamente com a medida do auxílio, aprovou ataques avassaladores à classe trabalhadora, dando verdadeiros auxílios ao empresariado, como concessões de créditos bilionários, em especial aos bancos, que mesmo obtendo lucros recordes, ganharam de presente 1,2 trilhões do PIB, já no início da pandemia. Sob a escusa de medidas para proteger o emprego no Brasil, a pura subserviência de Bolsonaro aos capitalistas em nada protegeu o trabalhador brasileiro, que mesmo mediante concessões gigantescas as empresas, aprovou reduções de salário, facilitações para demitir e demissões em massa. Tudo isso somado aos ataques já colocados desde antes da pandemia, como a reforma trabalhista, reforma da previdência, carteira verde e amarela, que avança com a terceirização, além de todos os avanços na informalidade e na precarização do trabalho.

Se o atual governo deu com uma mão, acabou por tirar com as duas! O índice de desemprego já se encontra na casa dos 14%, com um brutal avanço do trabalho informal precário, em especial os trabalhadores de aplicativos que encontraram nesses serviços ultra precarizados uma das únicas formas de sobreviver à pandemia. Ainda assim, são trabalhadores que correm alto risco, com a falta de EPI’s e condições, que não foram fornecidos durante muito tempo pelas empresas, e que hoje, as vezes, ainda não são, e ainda com perigos cotidianos, como os que os entregadores de comida por aplicativo sofrem todos os dias em meio ao trânsito. O auxílio não garantiu, minimamente, que o trabalhador pudesse se resguardar em casa, e assim, milhões de trabalhadores voltaram ao trabalho, ou nunca pararam e, com isso, cada vez mais trabalhadores morrem diariamente.

Para além da demagogia que Bolsonaro promove com o auxílio emergencial que serve mais como cortina de fumaça para as verdadeiras concessões aos capitalistas, é preciso que os trabalhadores que não puderam voltar a trabalhar tenham um auxílio digno, de no mínimo 2 mil reais, para sustentar suas famílias até o fim da pandemia. É preciso que se contrate mais profissionais nos setores essenciais ao combate à pandemia, como o setor da saúde, reduzir as jornadas e proibir as reduções de salários para que se abram mais vagas e, principalmente, proibir as demissões durante a pandemia. É preciso que os trabalhadores se enfrentem com esse governo servil à burguesia, para barrar os ataques que são impostos a nós e dar a saída que precisamos para a crise no país. Somente o povo, organizado, conseguirá, acima dos interesses mesquinhos dos capitalistas com seus lucros, dar a resposta à todas as necessidades do próprio povo. Por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, imposta pela luta do povo, para que o povo tenha o poder de controlar e decidir, fazendo com que parem de descarregar a crise sob as costas dos trabalhadores e fazendo com que os capitalistas paguem por ela.




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