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Inexistente: menos de um dólar é o valor do salário mínimo oficial na Venezuela

O salário mínimo na Venezuela, estabelecido em Bs 400.000, está liquidado literalmente. De acordo com a última cotação oficial foi observado uma redução a menos de um dólar mensal. Isto não faz mais que aprofundar uma situação que já era catastrófica das famílias trabalhadoras em meio a pandemia que aponta ao colapso dos serviços mais elementares como a água, gás, eletricidade que se somam a escassez de gasolina.

sexta-feira 2 de outubro| Edição do dia

A destruição do salário da classe trabalhadora venezuelana é um dos fatos mais drásticos, dramáticos e reacionários do atual colapso histórico do capitalismo venezoelano, administrado pelo chavismo em decadência. É um dos indicadores mais claros de quem está pagando pela crise: os trabalhadores e as trabalhadores, os setores populares.

O governo Maduro vem impondo duros ataques sobre os trabalhadores e o povo pobre, levando a população a níveis de extrema pobreza durante longos anos, o que se vê somado, agravando ainda mais a dramática realidade, as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos.

É um verdadeiro massacre o que vem ocorrendo com o valor da força de trabalho que há vários anos não é suficiente nem mesmo para a reprodução mais elementar: comer todos os dias e ir ao trabalho, por exemplo, é algo que não se pode fazer de nenhuma maneira com o nível alcançado, sem falar de outras questões básicas.

É absolutamente claro que, cada vez menos, se pode pensar em comprar algum medicamento básico com esse salário: algo para febre, gripe, alguma dor, estão totalmente fora de alcance. Sem falar de medicamentos mais custosos e também necessários, as vezes em casos de vida ou morte, como os antibióticos ou os tratamentos permanentes de doenças comuns (hipertensão, por exemplo) ou doenças crônicas.

O salário dos trabalhadores e trabalhadoras venezuelanas é, há anos, não só um salário de fome, se não um salário de morte: com este salário, literalmente, não se pode sobreviver, se alguém tem apenas este salário, sinceramente se morre por falta de alimentação.

De que vivem os trabalhadores e setores populares? Se os trabalhadores não se cansarem realizando os mais variados trabalhos extras, elaborando e vendendo o que seja, ou receberem algum salário de seus familiares fora do país alguns nem se quer poderiam conseguir manter as necessidades mais básicas ou irem trabalhar.

Políticos do PSUV, logo após a repressão contra o povo, saíram, com o maior atrevimento, a distribuir mortadela, filmando e dando a algumas pessoas estes produtos. É uma verdadeira zombaria com o povo.

É por isso que a população já farta com tudo isto está saindo para protestar em meio a esta situação de inclemência para com as grandes maiorias trabalhadoras e populares. O colapso do país chega ao nível das necessidades mais básicas, como o acesso a água, gás de cozinha ( chegando em lugares o retorno da cozinha à lenha), os constantes cortes de eletricidade, e sem falar da saúde em plena a pandemia.

Protestos ao qual o governo responde com mais repressão e mantendo encarcerada a população que se manifesta frente a uma situação que já não suporta. Assim é vista a guarda nacional e as polícias nos distintos estados que têm surgido para reprimir e calar a raiva da população.

Enquanto a ‘dolarização” da economia continua a passos acelerados, isto é os produtos de primeira necessidade se vendem ou avaliam seus valores em dólares, é cada dia mais custoso adquirir estes produtos. Artigos básicos para se defenderem na pandemia como sabão, álcool ou máscaras de uso obrigatório na ruas são realmente incompráveis para a maioria das pessoas.

O governo de Maduro é gerador de fome, anti-operário, pois é ele mesmo que garante que se mantenham os salários que não são de fome, mas de morte, além dar carta branca para os empresários em meio à altos níveis de exploração e um salário inexistente.

Está catástrofe não pode seguir recaindo nas costas dos trabalhadores e trabalhadoras e as grandes maiorias populares. Os focos de protestos se espalharam em muitos estados do país (ocorrendo também em algumas pequenas cidades como Uratiche ou Chivacoa, em Yaracuy, chegando em pequenos povoados) assim como protestos de trabalhadores que têm se desenvolvido nos últimos meses, como os petroleiros e os das indústrias básicas entre outros, colocam com urgência a necessidade de organizarmos para fazer frente a todos estes ataques anti-operários sem comparação na história do país.

Temos visto nestes dias como a direita tem feito toda uma demagogia com as necessidades do povo. Não há que se deixar enganar por esta oposição que tem aplaudido as sanções econômicas e até exigindo que sejam intensificadas. Para fazer frente a política atual do governo anti-operário e anti-popular, fica única e exclusivamente nas mãos dos próprios trabalhadores em aliança com setores populares.

Como escrevemos recentemente: Os protestos populares se forem tomados com mais força e generalizados entre os trabalhadores, podem tomar o caminho de retomada dos trabalhadores e da luta popular nas ruas. É necessário que a vontade seja dotada de organização e um programa de ação diante da catástrofe, um programa emergencial para trabalhadores e a população pobre, com medidas radicais, anticapitalistas e que apontem a posicionar os trabalhadores e setores populares no controle de espaços chaves da produção e da distribuição, está é única via para que sejam os capitalistas que paguem pela feroz crise que se arrasta já há seis anos.




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