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Incêndio em campo de refugiados deixa 50.000 desabrigados e centenas de feridos em Bangladesh

Sobreviventes relataram que o cercamento de arame farpado ao redor do campo foi o principal agravante da tragédia. “Se não tivesse uma grade, as pessoas poderiam ter escapado”. 61 hectares foram queimados. 400 ainda estão sumidos. Crianças e idosos foram os mais atingidos.

quinta-feira 25 de março| Edição do dia

[Foto: Ro Yassin Abdumonab/Reuters]

22 de março, um enorme campo de refugiados da etnia Rohingya foi consumido pelas chamas em Bangladesh, no sudeste asiático. Os relatos colhidos pela Human Rights Watch e a imprensa revelam o extremo a que chega a terrível realidade dos imigrantes e refugiados ao redor do mundo. Enquanto o fogo se espalhava pelas casas, dezenas de milhares passavam horas tentando fugir, pulando a cerca de arame-farpado ao redor dos mais de 60 hectares de abrigos.

O conjunto de campos de refugiados, do tamanho de um bairro habitacional e de infraestrutura semelhante à uma favela, foi cercado pelo governo de Bangladesh com arame farpado em 2019. Uma política xenofóbica, autoritária e policialesca, que se reafirmou como suposta política sanitária ao longo da pandemia. Ao menos 9 adultos e 6 crianças morreram no incêndio, 400 pessoas estão sumidas e centenas ficaram feridas nas grades tentando fugir das chamas.

O que contam os sobreviventes é aterrorizante, visto que havia só um portão principal, forçando milhares a terem de arriscar pular as grades enormes e fazendo de crianças e idosos as principais vítimas.

Um sobrevivente relatou: “Quando meu filho se perdeu, ele tentou voltar pro nosso abrigo pra nos procurar. Foi onde achamos o corpo dele queimado. Só identificamos pelas calças vermelhas. Se não tivesse uma grade, as pessoas poderiam ter escapado de outras formas”

Ao invés de oferecer qualquer forma de proteção, as cercas impedem sistematicamente a liberdade de movimento dos imigrantes e refugiados ao redor do mundo, impedindo a evacuação e o socorro durante uma emergência como esta em Bangladesh.

Os rohingya são um povo islâmico apátrida de 3 milhões de pessoas. Uma das etnias mais marginalizadas do mundo, e que sofreu um processo de genocídio pelas forças armadas de Mianmar, país vizinho de Bangladesh e que concentrava o maior número de Rohingyas. Atualmente, trabalhadoras e trabalhadores birmaneses e rohingyas vêm dando um exemplo de combatividade nas ruas de Mianmar, em uma enorme greve geral contra o golpe militar.


Imagens de satélite coletadas após o incêndio no Campo de Refugiados de Kutupalong. Aproximadamente 61 hectares foram queimados. Imagem de satélite cortesia do Planet Labs Inc. 2021. Análise de danos e gráfico © 2021 Human Rights Watch




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