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Corrupção na Igreja | Igreja Universal, do bispo bolsonarista Edir Macedo, é acusada de tirar US$120 mi de Angola

"A imagem para representar o que acontecia em Angola era a de um saco sem fundo: tudo o que entrava saía", disse o ex-pastor angolano da Universal Armando Tavares.

quinta-feira 18 de novembro | Edição do dia

Foto: Reprodução / Antagonista

A Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo bolsonarista Edir Macedo, levou ilegalmente de Angola para a África do Sul, a cada três meses, US$ 30 milhões, segundo denúncias de bispos angolanos. Os valores somados chegam a US$ 120 milhões por ano. O pastor e ex-diretor da TV Record África Fernando Henriques Teixeira foi apontado como o responsável por essa tarefa. A operação teria se repetido nos últimos 11 anos, desde quando o religioso brasileiro chegou ao país.

"A imagem para representar o que acontecia em Angola era a de um saco sem fundo: tudo o que entrava saía", disse o ex-pastor angolano da Universal Armando Tavares.

Fernando Henriques Teixeira atuava nos últimos meses apenas como executivo da TV Record África. Mas ele teria obtido o visto e a autorização para entrar e trabalhar em Angola como pastor, segundo os bispos angolanos ouvidos pela reportagem do portal UOL. A maior parte do dinheiro ilegal seguia de carro para Johannesburgo, na África do Sul, via estradas da Namíbia, de acordo com os denunciantes. Altas somas em dinheiro da igreja também seriam repassadas para a Record África, sediada em Luanda, e dali para a Europa ou Brasil.

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Fernando Henriques Teixeira virou réu em maio na Justiça de Angola por lavagem de dinheiro e associação criminosa, ao lado do poderoso bispo Honorilton Gonçalves, ex-vice-presidente da TV Record no Brasil e até o ano passado líder da Universal no país africano; do pastor brasileiro Valdir de Sousa dos Santos; e do bispo angolano Antônio Pedro Correia da Silva, ex-representante legal da igreja e da Record no país.

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A Universal é controlada pelo bilionário Edir Macedo (também dono da Record TV). O pastor é um dos assíduos apoiadores do presidente e de sua política negacionista, além de ser acusado em uma série de esquemas de corrupção, enchendo seu bolso de dinheiro com sua mega-corporação da fé, às custas de seus fiéis. No Congresso, os interesses da Universal são representados pelo partido Republicanos (que faz parte do “Centrão” e da base aliada do presidente), também controlando o Ministério da Cidadania, hoje sob o comando do deputado João Roma.

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