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Ifood quer cobrar entregadores por EPIs, mochilas e capacetes que deveria dar de graça

A Ifood criou espaço na Zona Oeste onde fornece materiais de trabalho para entregadores que pagarem R$ 9,90 no aluguel de uma bicicleta elétrica. O que deveriam ser seus direitos como capacetes, mochilas, um lugar para comer e EPIs agora são nova fonte de lucro da empresa.

sexta-feira 9 de outubro| Edição do dia

O Ifood Pedal, novo espaço criado pela Ifood, é mais uma nova forma de exploração da massa de entregadores que carregam a empresa nas costas. Enquanto os aplicativos se apoiam na ausência de direitos trabalhistas nas relações com seus entregadores, a Ifood agora quer cobrar por algo que ela deveria dar de graça e que é de direito dos trabalhadores.

Neste espaço na Zona Oeste, entregadores que pagarem R$ 9,90 por semana pelo aluguel de uma bicicleta elétrica terão acesso à tudo o que hoje cobram receber como direitos da empresa: Kit com capacete, mochila de entregas, máscara, álcool em gel, local para recarga de celulares e uma copa para refeições.

Enquanto isso, aqueles entregadores que sofrem mês a mês com a redução de seus ganhos por diminuição dos valores definidos pelos apps, ou por bloqueios autoritários, têm de ver a empresa transformar direitos trabalhistas em mais um negócio lucrativo, e que ainda devolve o dinheiro ganho pelos entregadores para o bolso dos patrões da Ifood.

A Ifood deu uma declaração cínica ao responder o sindicato após críticas, dizendo que “O Ifood acredita que o projeto de bikes elétricas é um passo importante para a qualidade de vida dos entregadores e para a micromobilidade da cidade”.

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No entanto a empresa irá assim acirrar a competição dentro da categoria, entre aqueles que tem condições de pagar os R$ 9,90 e terão mais facilIdades de entregar, e os que ainda sim não terão bicicletas elétRicas, e pior, seguirão sem direito de materiaIs como capacetes, mochila, e EPIs de segurança para se protegerem da Covid-19.

Durante toda a pandemia empresas de aplicativos como a Ifood, Rappi, Uber Eats, mantiveram os trabalhadores sem o direito de receber EPIs para se proteger, e deixando que toda a categoria fosse obrigada a se arriscar nas ruas tendo que gastar do próprio bolso equipamentos de proteção sanitária que agora querem fazer de fonte de lucro.

De fato é difícil se enganar com a nota da Ifood e sua suposta preocupação com a qualidade de vida dos entregadores e entregadoras. Por isso é necessário lutar para que tudo aquilo que eles querem agora dar cobrando, seja dado de graça, como direito trabalhista. O direito a auxílio em caso de doença, bem como o direito a refeições, e todo o material de trabalho distribuído gratuitamente para todos os entregadores.

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