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VIDAS TRANS IMPORTAM | INACEITÁVEL: Mulher trans é incendiada no Recife. Tomar as ruas por justiça por Roberta e todas as vítimas da transfobia!

Na madrugada de quarta para quinta-feira aconteceu uma barbaridade no centro do Recife. Atearam fogo em uma mulher trans no Cais de Santa Rita. Roberta teve 40% do seu corpo queimado. É necessário cobri-la de solidariedade e exigir justiça por todas as vidas trans e LGBTQI+ vítimas da misoginia, da transfobia e do machismo.

Cristina SantosRecife | @crisantosss

Pão e Rosas@Pao_e_Rosas

sexta-feira 25 de junho | Edição do dia

FOTO: Redes

Na madrugada de quarta para quinta-feira aconteceu uma barbaridade no centro do Recife. Atearam fogo em uma mulher trans no Cais de Santa Rita. Roberta teve 40% do seu corpo queimado. É necessário cobri-la de solidariedade e exigir justiça por todas as vidas trans e LGBTQI+ vítimas da misoginia, da transfobia e do machismo.

O Brasil é campeão no ranking de violência contra pessoas LGBTQI+. Segundo a ANTRA – Associação Nacional de Travestis e Transexuais – somente no ano de 2020 foram 175 pessoas trans assassinadas violentamente, o que corresponde a um assassinato a cada dois dias.

Não se pode esquecer que nas primeiras semanas do governo Bolsonaro, Damares foi escolhida para promover "a nova era do Brasil: menino veste azul e menina veste rosa". Depois, direitos LGBT já conquistados foram sendo retirados. Além disso, a promoção de campanhas de combate as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) foram feitas em base a discriminação e estigmatização da população LBGTQI+. Tudo isto em nome da guerra contra a suposta "ideologia de gênero". Isso para deixar nítido que o governo Bolsonaro alimenta a violência contra todes que desafiamos a heteronormatividade vigente.

A brutalidade com a qual pessoas trans e travestis precisam conviver contrasta com a demagogia da mídia golpista e demais setores do golpismo institucional, que discursam que há inclusão por terem incluído pessoas trans dentro de seus programas, mas que seus representantes políticos quando no parlamento, se colocam contrários à toda política de apoio e assistência as LGBTQI+’s.

Vimos na semana passada o retrocesso na legislação Húngara, que proibiu por lei que sejam veiculados conteúdos LGBTQI+ nas escolas e na televisão. Milhares saíram às ruas contra a alteração na lei, luta que precisa ser fortalecida desde os setores estratégicos da classe trabalhadora, junto à juventude e movimentos sociais para barrar esse avanço reacionário. As mobilizações de massa na Colômbia, onde vimos diversos setores LGBTQI+ lutando contra a reforma de Duque, precisa ser um exemplo de desde onde nos apoiamos para exigir nossos direitos.

Aqui no Brasil, não é casual que tenhamos que assistir tamanha brutalidade na cidade do Recife, onde até mesmo iniciativas simbólicas de representação na câmara municipal da cidade - cuja a presidência e maior bancada é do PSB com 12 vereadores - vêm sendo negadas.

Por isso chama a atenção os tweets oportunistas de João Campos dizendo prestar solidariedade à vítima, quando a forma que o PSB atua nos espaços políticos é oposta. O prefeito acabou de aprovar a toque de caixa na câmara uma reforma da previdência municipal que dá inveja até em Guedes, reforma que a gente sabe que atinge com força a população LGBTQI+, que já é relegada aos piores postos de trabalho, com nenhum ou poucos direitos, quando não são obrigadas a entrar na prostituição para sobreviver, como foi o caso de 72% das vítimas fatais de LGBTfobia em 2020. Precisamos direcionar nosso ódio para destruir esse sistema que se apoia em opressões como é o machismo, a LGBTfobia, a misoginia e o racismo para lucrar e seguir nos relegando à miséria à mulheres como Roberta.

Partimos de que não depositamos nenhuma confiança no parlamento e na justiça burguesa. Nossos representantes nestes espaços precisam estar a serviço de fortalecer as lutas que damos nas ruas, em cada local de trabalho e estudo, pois só podemos acreditar na força da nossa mobilização. As ações no parlamento e nas redes precisam estar a serviço de fortalecer a mobilização.

Junto ao descontentamento expresso nas ruas nos dias 29 de Maio e 19 de Junho contra Bolsonaro, nós mulheres, LGBTQI+s, que inclusive compomos tanto a linha de frente nos locais de trabalho e estudo, quanto na luta, temos que estar lado a lado da classe trabalhadora para lutar por nossas vidas, nossos direitos, numa perspectiva de combate a esse sistema capitalista que só sobrevive às custas da exploração e da violência e aprisionamento de nossos corpos. O primeiro responsável pela violência que sofremos é a sociedade patriarcal, homofóbica e transfóbica capitalista. E os governos dos capitalistas administram essa sociedade favorecendo sempre os patrões e os lucros em detrimento das vidas LGBTQI+.

As LGBTQI+s podem se colocar ativamente neste combate para construir uma forte mobilização nas ruas e nos locais de estudo e de trabalho para garantir investigação independente por Roberta, conformada por juristas populares, com a participação de sindicatos e entidades dos estudantes e movimentos sociais, porque não podemos confiar no governo que reprime quem vai para a rua se manifestar contra Bolsonaro, arrancando a visão de um olho de dois trabalhadores no 29M.

Por isso é muito importante que neste próximo 28 de junho, dia internacional do orgulho LGBTQI+, ocupemos as ruas por justiça por todas as vidas trans e LGBTQI+ e em repúdio contra este ato bárbaro no Recife, exigindo comissões independentes de investigação. Que o ódio que nos gera episódios como este, seja o combustível para enfrentar Bolsonaro, Damares e os capitalistas.

E que nossa mobilização imponha um plano de emergência de combate aos assassinatos e violência às LGBTQI+s, que garanta subsídios do Estado para vítimas de violência e pessoas trans em situação de prostituição, ensino sexual não hétero ou cis normativo nas escolas, cotas trabalhistas nas empresas estatais e privadas, saúde LGBTQI+ acessível e de qualidade. Assim como a legalização do aborto para mulheres cis e homens trans e a ampliação de postos especializados de atendimento para pessoas transgêneros, com acesso aos hormônios e cirurgias sem necessidade de laudos psicológicos ou psiquiátricos, com acompanhamento médico e psicológico com investimentos do não pagamento da dívida pública, mecanismo que serve para que os governos continuem enchendo os bolsos de banqueiros.

Estas bandeiras precisam estar ligadas ao enfrentamento contra Bolsonaro, Mourão e a Damares Alves. Por isso, nossa luta que cresce nas ruas contra esse governo reacionário não pode deixar Mourão impune, como setores da esquerda propõem com o Impeachment. Precisamos enfrentar o Bolsonarismo que odeia as pessoas LGBTQI+ com a nossa mobilização, junto aos sindicatos e o movimento estudantil. Por isso inclusive, estamos batalhando para que sejam convocadas assembleias para organizar nossa luta, e não estas lives antidemocráticas onde nenhum setor de base pode se expressar, nas quais essas reinvindicações em defesa das LGBTQI+ devem ser parte também das bandeiras do conjunto do movimento.

No sentido de lutar para garantir nossos direitos e nossas vidas, que estejamos ombro a ombro com os trabalhadores para derrubar essa sociedade de exploração e opressão, em combate à crise que os capitalistas descarregam em nossas costas, nos colocando nos postos mais precarizados de emprego e rebaixando nosso nível de vida.

Desde o grupo de mulheres Pão e Rosas e do Esquerda Diário nos colocamos a serviço desta batalha. Basta de transfobia! Justiça por Roberta!




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