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CAPITALISMO SELVAGEM

INACEITÁVEL: Empresário admite agredir funcionário com barra de ferro

Um chocante fato revela a brutalidade do sistema capitalista. Um empresário, Silvano Ferreira, apesar de negar torturar seu funcionário, admitiu agredi-lo com barra de ferro. O trabalhador, além de todo assédio, disse que levou socos, chutes, pauladas e por pouco não foi eletrocutada. O crime aconteceu em Aparecida de Goiânia.

quinta-feira 5 de março| Edição do dia

Foto: Reprodução/TV Annhanguera

Silvano Ferreira, empresário, confirmou nesta terça-feira (3) em depoimento que agrediu funcionário com uma barra de ferro, porém nega o crime de tortura buscando impunidade pelos seus atos inaceitáveis. Segundo seu advogado Ademir Luiz da Silva “Ele admite as agressões, só que ele muda um pouquinho. Fala que foi uma briga. Ele nega ter ameaçado usar fio elétrico. Disse ter usado uma barra de ferro que fica na piscina. Na cabeça dele, ele não torturou o funcionário”.

Sobre o ocorrido, a vítima afirma que em 21 de fevereiro (dia anterior à agressão) o empresário chamou ele e outro funcionário para conversar após o expediente. No local, o empresário acusou ambos de terem roubado R$ 8 mil de sua casa, pois eles teriam trabalhado lá na semana do sumiço. No entanto, os dois funcionários negaram.

Na manhã do dia seguinte, a vítima conta que o patrão apareceu em sua casa e o chamou para ir até a residência dele novamente para conversar. Ele conta que assim que entraram no imóvel deu-se início a sessão de tortura. Enquanto o patrão o agredia ele dizia ‘Eu sei que você pegou o dinheiro, você é safado’. E enquanto se negava o furto o patrão não cessou as agressões.

"Ele falava: ’Confessa senão eu vou te matar’. Até que ele molhou o funcionário com uma mangueira, ligou dois fios na energia e ameaçou eletrocutá-lo. Por fim, já temendo por sua vida e um possível choque elétrico, o empregado disse que assumiu ter pego o dinheiro. Embora, em depoimento, o empresário nega ter usado fios elétricos. Em seguida, a vítima teve que se secar, por outra roupa e ir até sua casa pegar o suposto dinheiro.

“No mesmo dia, mais tarde, ele [empresário] voltou a casa da mãe da vítima e vasculhou toda a residência sem autorização da mãe e ainda ameaçou de morte o filho dela”, disse o delegado.

Um boletim de ocorrência foi feito às 15h05 de 22 de fevereiro, depois que o funcionário já tinha sido agredido, em que o empresário registra uma ocorrência de furto contra o empregado, dizendo que o homem confessou ter pego o dinheiro e gasto por completo.

No entanto, às 22h, o empregado vai à delegacia para relatar a sessão de tortura, onde também afirma que não pegou o dinheiro, mas que resolveu confessar para cessar as agressões.

O delegado explicou que as investigações referentes ao furto estão no início e, mesmo que confirmado a autoria da vítima, não desconfigura o crime de tortura cometido pelo empresário por cerca de 4 horas. Mas embora o torturador tenha sido preso em flagrante no mesmo dia, foi liberado posteriormente em audiência de custódia.

Este escandaloso caso é revelador da barbárie capitalista que permite com que um empresário chegue ao absurdo de torturar seu funcionário sob a justificativa de um possível roubo, e conte com uma estrutura social que o direito legal está a serviço de defender a propriedade privada, e neste caso, se expressa na liberação deste torturador após a audiência de custódia. Além de tentar utilizar a confissão forjada sob tortura, que como afirmou o trabalhador foi assumido para defender a sua própria vida, para justificar a sua ação criminosa.

Infelizmente, sabemos que este não é um caso isolado. Há inúmeros casos que não chegam a mídia e não tem visibilidade, mas que são parte da profunda exploração e opressão com que sofrem a classe trabalhadora. Além dos casos de assédio, de perseguição política e discriminação que acontecem nos locais de trabalho. Por isso, a cada caso como este, é preciso que nos enchamos de revolta e indignação como combustíveis para construir uma luta para acabar com esta sociedade capitalista e poder abrir espaço para uma vida plena que mereça ser vivida, sem opressão e exploração.

O nosso repúdio a este torturador é parte da nossa revolta contra as reformas promovidas pelo golpista Temer e a extrema direita que visam garantir piores condições de vida para a população e garantir com que os capitalistas sigam sugando o nosso sangue e suor para manter seus lucros milionários. O ódio contra este sistema é também o motor para que nos organizemos e possamos dar uma resposta a altura para transformar radicalmente a sociedade.




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