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Horas decisivas em Guernica: Governo ameaça e reprime enquanto cresce a solidariedade

De um lado gases, balas de chumbo e tratores. Do outro, famílias exigindo terra para viver e um enorme arco democrático apoiando essa demanda. Momentos decisivos de um conflito testemunhal.

quarta-feira 14 de outubro| Edição do dia

🏘 MÓVIL DESDE GUERNICA | Sigue la amenaza de desalojo y la pelea de las familias por vivienda - YouTube

Em Guernica se vive horas decisivas. Nesta quinta-feira está disposta a primeira de uma longa lista de datas propostas pela justiça para que o Governo de Kicillof reprima às famílias para retirá-las do terreno.

A manobra judicial gera uma incerteza enorme, porque deixa aberta a possibilidade de que a operação policial apareça em qualquer momento das próximas semanas. Mas o plano de assédio vai muito mais além, porque esta semana começou com a Bonaerense reprimindo brutalmente a famílias em Rafael Castillo e em La Plata. Até utilizaram balas de chumbo.

Enquanto isso, Andrés Larroque segue passeando pelos meios com sua reacionária campanha contra as organizações presentes na ocupação, acusando-as de não querer uma resolução pacífica enquanto diz que vai mandar os tratores.

Além do mais detiveram sem motivo nenhum a três jovens que são parte da ocupação de Guernica, que saiam do bairro para ir trabalhar. Todas evidências de que o Governo começou a semana curta com um plano ofensivo contra as famílias. Inclusive na madrugada de terça-feira um helicóptero sobrevoou mais uma vez, de forma intimidadora, aos terrenos a poucos metros do piso das casas.

Entretanto, as famílias estão mostrando sua pré-disposição a resistir ao despejo e lutar por seus direitos mais além de seus planos repressivos: "A Polícia queimou nossas casas ilegalmente 14 vezes e 14 vezes voltamos", dizem moradores de Rafael Castillo.

Além disso, um amplo arco democrático os rodeia de solidariedade: personalidades do movimento de mulheres e dissidências como Laura Azcurra, Melisa Vazquez, Diana Maffia, Danila Suarez Tomé, Gabriela Borreli e outras tantas firmaram um petitório rechaçando o despejo. Também se somaram importantes personalidades dos direitos humanos e juristas, como Adolfo Pérez Esquivel, Nora Cortiñas e Eugênio Zaffaroni, e artistas de distintos âmbitos que quiseram se posicionar contra a repressão.

Baixem as armas contra as famílias de Guernica - versão de "Ángel de la bicicleta" de León Gieco.

Neste momento, as famílias estão discutindo que medidas tomar para seguir em sua luta contra o possível despejo. É um conflito que poderia ser resolvido pacificamente em poucos minutos, se decidirem avançar sobre a expropriação destas terras, cujos supostos "donos" estão fracos de papéis, para entregá-las a quem necessitam construir suas moradias e poder vier dignamente.




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