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UFABC | Homenagem aos terceirizados na UFABC sem igualdade salarial e direitos?

Nesta terça-feira (05), a Universidade Federal do ABC publicou em suas redes sociais uma homenagem aos trabalhadores terceirizados. Por trás da homenagem aos terceirizados se esconde uma longa história de assédios, redução de salários, falta de direitos e uma enorme precarização do trabalho e da vida, especialmente de milhões de negros e negras no nosso país. Essa homenagem vazia é o símbolo da conivência e naturalização do trabalho precário dentro das universidades, uma marca também dos governos petistas que expandiram a terceirização como nunca antes, como o dado de que sob os governos Lula e Dilma o número de terceirizados subiu de 4 a 12,7 milhões. Não podemos aceitar essa precarização dentro da UFABC: efetivação já dos terceirizados sem necessidade de concurso público!

Virgínia GuitzelTravesti, trabalhadora da educação e estudante da UFABC

terça-feira 5 de outubro | Edição do dia

Em comemoração aos 15 anos da Universidade Federal do ABC foram realizadas diversas atividades retomando a trajetória da Universidade, o que culminou no III Congresso da Universidade. Os debates apresentam a narrativa oficial da história dessa universidade atrelada ao sindicalismo da região e as prefeituras petistas, com destaque especial à Fernando Haddad e Lula por terem se dedicado à construção de um polo intelectual em meio a um dos maiores polos industriais do país. Na semana seguinte, a Reitoria fez esta homenagem aos terceirizados, mas obviamente, não disse nada sobre as terríveis condições de trabalho, tampouco dos embates que o movimento estudantil já teve em defesa dos terceirizados. Essa perspectiva interessada, de uma Reitoria acolhedora e humanitária certamente omite uma visão crítica das contradições desse projeto e o impacto real na vida de milhões de trabalhadores.

Diferente das promessas de universalização do ensino e da defesa dos direitos trabalhistas, a homenagem aos terceirizados é um símbolo dos limites dos projetos progressistas e de conciliação de classe para administrar o capitalismo, que para sobreviver a crise econômica e agora sanitária, ataca as nossas condições de trabalho e de vida. Isso porque, apesar do necessário reconhecimento do trabalho essencial que estes realizam, e sem eles não haveria universidade, a homenagem é vazia senão acompanhada por uma luta decidida para garantir a igualdade salarial, os mesmos direitos dos trabalhadores efetivos e condições dignas de trabalho. Invés disso, a burocracia universitária homenageia os terceirizados com uma placa, enquanto convive e naturaliza essa precarização do trabalho, dividindo as fileiras da classe trabalhadora e enfraquecendo a nossa luta.

Um histórico de denúncias por trás da placa de homenagem

Na UFABC já foram muitas denúncias promovidas por estudantes e trabalhadores sobre as condições de vida dos terceirizados. Em 2016, o caso de uma trabalhadora trans terceirizada que foi proibida de lavar os banheiros femininos e teve seu nome social desrespeitado, acarretou em sua demissão e a universidade se isentou da sua responsabilidade. Esse processo levou a uma enorme mobilização da universidade em torno dos direitos da comunidade trans, promovendo através da luta a conquista do reconhecimento ao uso do banheiro pelo gênero auto declarado e a reserva de vagas na graduação e na pós graduação para a comunidade trans.

Saiba mais: Muito além das cotas: a permanência estudantil das pessoas trans na UFABC por elas mesmas

Em 2019 um novo edital reduziu as frotas de ônibus e reduziu consideravelmente o acesso à universidade. Nessa época foi escandalosa as suspeitas de motoristas trabalhando acima da jornada de trabalho permitida por lei, - 16 horas, e as denúncias de demissões do restaurante universitário de trabalhadoras que não concordavam com a gerência.

Além desses casos todos, as e os terceirizados foram obrigados a seguir trabalhando em meio a pandemia, sem direito de proteger suas vidas. Em meio a enorme vulnerabilidade destes trabalhadores, foi o Diretório Central dos Estudantes, e não a Reitoria, quem promoveu uma campanha de entrega de cestas básicas, uma medida emergencial importante. Precisamos combinar essas medidas imediatas com uma luta profunda contra a precarização das vidas que o capitalismo reserva para os setores mais oprimidos da nossa classe. Por isso, a melhor homenagem que podemos fazer aos terceirizados, é estar ao lado deles na luta pela sua efetivação com todos os direitos e o mesmo salário, como parte da luta para unir as fileiras da classe trabalhadora e enfrentar os capitalistas e os governos.

Efetivação dos terceirizados sem necessidade de concurso público!

O movimento estudantil dentro da UFABC precisa erguer essa bandeira da efetivação dos terceirizados sem necessidade de concurso público. Em primeiro lugar, porque estes trabalhadores todos os dias comprovam sua capacidade de realizar suas atividades com seu próprio trabalho. O fundamento neoliberal da terceirização é justamente enfraquecer a luta dos trabalhadores, dividindo eles em trabalhadores de primeira e segunda classe. A terceirização no Brasil tem rosto de mulher negra, e isso se comprova quando antes das cotas raciais, as mulheres negras só podiam adentrar a universidade para limpar os banheiros. Porém as cotas não podem transformar a realidade de conjunto, uma vez que a maioria das terceirizadas seguem sem poder estudar e aproveitar do espaço onde realizam um trabalho essencial ainda mais evidenciado pela pandemia do Coronavírus.

A aliança do movimento estudantil com os trabalhadores de dentro e fora da universidade é a chave para constituirmos forças para enfrentar nossos inimigos em comum: Bolsonaro, Mourão, Militares e todos os golpistas que nos atacam juntos para garantir os lucros dos patrões.

As empresas terceirizadas que se utilizam das instituições públicas, como as universidades, como uma forma de expandir seus negócios, atrasam salários, retiram direitos, assediam constantemente os trabalhadores como forma de impedir a sua organização para ter seus direitos.

Nós da Faísca chamamos o Sintufabc, o DCE e as entidades da universidade a debatermos em comum uma luta em defesa da efetivação dos terceirizados sem necessidade de concurso público, igual trabalho, igual salário.




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