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Eleições presidenciais 2022 | Gustavo Petro e Rodolfo Hernández vão para o segundo turno na Colômbia

Já era esperado que Gustavo Petro obtivesse o maior número de votos nas eleições deste domingo, mas não se sabia quem seria seu concorrente no segundo turno. Nesse sentido, a surpresa foi que o outsider, mas também da direita, Rodolfo Hernández, deixasse o representante da tradicional direita Federico Gutiérrez fora da disputa.

segunda-feira 30 de maio | Edição do dia

Com 99,59% dos votos apurados, segundo o site oficial do Registro da Colômbia, o candidato da centro-esquerda do Pacto Histórico, Gustavo Petro, obteve 40,33% dos votos a nível nacional e Rodolfo Hernández, de 77 anos, milionário e empresário da construção civil, de direita que se apresenta como político anticorrupção, com 28,18%. Federico Gutiérrez, da tradicional direita colombiana da Equipo Colombia atingiu 23,87% e a Centro Esperanza com Sergio Fajardo conseguiu 4,20%.

Gustavo Petro obteve uma votação um pouco maior do que a maioria das pesquisas previa, mas sem chegar a 45%. Mesmo com a alta porcentagem de Petro, o fato de Rodolfo Hernández ter ido para o segundo turno coloca Petro em sérios apuros, já que o ex-prefeito de Bucaramanga pode canalizar todo o setor eleitoral da direita e grande parte do centro. Além disso, é de conhecimento público que Rodolfo Hernández costumava manter boas relações com o uribismo.

O que mais salta aos olhos é que a direita clássica e tradicional colombiana foi derrotada, o que tem a ver tanto com a gestão de Iván Duque e o ódio ao uribismo, quanto com a rebelião na Colômbia em 2019 e 2021, que foi brutalmente reprimida, deixando dezenas de mortos e milhares de feridos e presos.

Gustavo Petro conseguiu superar no primeiro turno a votação que obteve no segundo turno presidencial contra Iván Duque, ou seja, cerca de 8.040.449, obtendo agora 8.509.880, embora esse número não corresponda ao esperado, que seria pelo menos 45% dos votos. Isso pode ser um indicativo de que apesar dos efeitos da revolta e da apresentação de Petro como um mal menor e de ter colocado Francia Márquez como candidata à vice-presidência, isso não se converteu em uma maior votação. Embora no segundo turno seja provável que essa tendência possa ser reforçada pelo ódio ao Uribismo, com o mal menor tendo ainda mais peso, isso não ter acontecido neste primeiro turno já é um fato importante.

Somados os votos absolutos de Rodolfo Hernández e Federico Gutiérrez chegam a 10.984.889. Mas a distribuição de votos no segundo turno não é automática, o que indica que o segundo turno será muito apertado e coloca Gustavo Petro em apuros.

De acordo com a pesquisa do CNC realizada uma semana antes das eleições, em um cenário Petro versus Hernández, mostrou que 63,4% dos eleitores de Federico Gutiérrez apoiariam o ex-prefeito de Bucaramanga e apenas 7,9% apoiariam o líder do Pacto Histórico . Quanto aos votos de Fajardo, 51% seriam de Hernández e 20,8% de Petro.

Nesse cenário, é provável que Gustavo Petro busque moderar seu discurso ainda mais do que vem fazendo, tentando conquistar o eleitorado centrista. Antes mesmo do primeiro turno Petro vinha fazendo alianças políticas com setores que dizia questionar, e pela esquerda ele colocou Francia Márquez na vice-presidência o que lhe garantiu grande parte desse setor devido à sua importante ascendência nos movimentos sociais e populares.

Como escrevemos neste jornal, estas eleições continuam a ser realizadas sob o espectro das massas que rondam as ruas e confrontam o Governo de Iván Duque e o regime político. Uma explosão social sem precedentes aconteceu neste país onde as tensões internas se acumulavam junto com a deterioração acentuada das condições de vida de milhões de pessoas, acelerando todo um processo que resultou na irrupção do movimento de massas que veio abalar não só o governo de Iván Duque, mas ao próprio regime político.

Resta ver nos próximos dias o desenvolvimento do caminho para o segundo turno, que, para muitos analistas, trata-se de uma nova eleição. Já se fala em Rodolfo Hernández como o azarão que destruiria a possibilidade de a centro-esquerda vir ocupar a Casa de Nariño.




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