Economia

REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Guerra de braço entre Bolsonaro e Maia preocupa investidores sedentos pela reforma

A recente queda de braço entre Maia e Bolsonaro após a ofensiva da Lava Jato que prendeu Temer deixa investidores com medo de serem órfãos da tão esperada reforma da previdência. A prisão teve impacto imediato nas ações na Ibovespa. A relativa queda expressa preocupação entre os capitalistas.

segunda-feira 25 de março| Edição do dia

O final de semana prolongou a queda de braço entre Bolsonaro e Maia. A ofensiva da Operação Lava Jato, que na semana passada prendeu o golpista Michel Temer, mostrou que ainda tem grande fôlego para atuar no cenário político a ponto de pender a balança para o novo método de presidencialismo tão exaltado como marca da “nova política”: o de coerção. Maia, que tem recebido uma chuva de provocações por ser parte do velho fisiologismo do presidencialismo de coalizão, volta ao posto de principal articulador da reforma da previdência após as ameaças de deixar as tramitações. Maia volta ao jogo para acalentar os corações dos capitalistas, mas a crise ainda segue.

A situação desperta insatisfação para o conjunto do Congresso e atinge setores do PSL. Guedes e Onyx tentam apagar a fogueira. Mourão tenta se afastar da crise que “parece briga de rua”.

Mas os desdobramentos extrapolam as tramitações e os centros de gravidade do governo e congresso. Uma forte pressão sobre todos é aquela que vem do mercado acionário brasileiro: queda de 7 mil pontos em apenas três dias, segundo o Estadão. A queda é pequena, mas para bom entendedor meia palavra basta. A realidade é que as mil fissuras internas do governo e do congresso colocam barreiras ao plano dos capitalistas de aplicar a reforma da previdência, apesar do interesse comum entre todos para despejar sobre as costas dos trabalhadores os custos da crise.

Investidores, banqueiros, empresários, economistas, analistas de mercado e capitalistas de todo o tipo não participam do ringue calados. Querem que Bolsonaro mantenha os filhos longe e pressionam para que ceda na queda de braço com Maia: “se o governo não aprender com isso, o mercado vai rever posições", ameaça economista-chefe da Guide Investimentos.

Bolsonaro tenta, em reunião com ministros na manhã de hoje, mostrar que “está tudo bem”, que o foco da semana será tentar viabilizar a tramitação da reforma da previdência, sem demonstrar ainda sob qual método o fará, se será cedendo na guerra de braço ou se será por fora do papel de Maia.

O processo para o início da tramitação da reforma da previdência ainda segue nebuloso. O que fica disso tudo é a visão de que não será tão fácil ou rápido assim a aprovação da reforma da previdência como os capitalistas tanto sonharam. E, enquanto governo e Congresso se estapeiam no centro do palco, no pano de fundo as centrais sindicais ainda seguem em sua paralisia, o que permite o governo de ainda gozar de um estado de lua de mel com as massas, apesar das incontáveis crises que já protagonizou nesses 3 meses de governo.

Mas os trabalhadores não são apenas espectadores da situação política. O cenário nacional mostra que o que está em jogo é quem quer estar à frente de aplicar uma reforma que vai agradar aos corações do mercado nacional e submeter os trabalhadores ao máximo de miséria que puderem espremer para poder pagar a dívida pública e agradar aos imperialistas. É preciso mais do que “dias nacionais de luta” que são realizados sem o conjunto dos trabalhadores; é preciso um plano de lutas efetivo, que seja construído em cada local de trabalho e estudo, que comece contra a reforma da previdência e avance para questionar o conjunto do plano de ataques do governo Bolsonaro e dos capitalistas.




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