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Guernica: As famílias podem estar morando na rua durante o Natal

Horas decisivas na ocupação de terra de famílias desabrigadas. O Governo pretende encerrar o conflito, mas as famílias desconfiam, exigem garantias e pedem para não passar o Natal em condições humilhantes e indignas.

terça-feira 20 de outubro| Edição do dia

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No sábado passado ocorreu em Guernica, uma ocupação na província de Buenos Aires, uma mesa de negociação entre o Governo e os delegados (na sua maioria pertencentes a organizações), no final da qual relataram a alegada proposta do Governo de uma assembleia geral. Essa "suposta" proposta consistiria em dar lotes emprestados às famílias por alguns meses, antes que elas passassem a morar em um terreno definitivo.

É uma "suposta" proposta, uma vez que o governo não entregou nada por escrito e até a agência de notícias estatal Telam diz que querem enviar as famílias temporariamente para escolas e clubes, questão que já havia sido rejeitada pelas assembleias. Neste sábado, os delegados informaram que a proposta do Governo mudou e que em vez dos clubes iriam para áreas diferentes, mas sempre em caráter temporário, durante seis meses, à espera de um lugar permanente. Isso significa que nos próximos seis meses, daqui até maio e mesmo depois das férias e do verão, as famílias viveriam em condições precárias e humilhantes, sem condições sanitárias, expondo-se a si e aos filhos em meio à pandemia, sem acesso a água potável e sem poder construir suas casas, já que esses lugares não seriam seus terrenos definitivos.

Deveria se perguntar aos funcionários que fizeram esta proposta se eles mesmos poderiam passar alguns dias nessas condições com suas famílias (ou mesmo se imaginar nessa situação), em condições precárias e a poucos metros de grandes propriedades e chácaras onde os ricos vivem de forma opulenta no mais puro luxo, em um obsceno contraste com as condições em que vivem milhares de famílias.

Por este motivo, a assembleia deste fim de semana voltou a rejeitar a proposta, o que é lógico, dadas as condições que descrevemos, e também porque o governo não entregou um único documento com a sua suposta proposta, e já existem experiências de como o Governo não apenas os submete à humilhação, mas usa do engano para "resolver conflitos".

Infelizmente, a proposta do Governo foi defendida pelos delegados, muitos dos quais pertencentes às organizações participantes na mesa de negociações, que apresentam este plano sem assinalar as contradições e enormes sofrimentos que implicaria para as famílias de rua.

No entanto, o que é profundamente questionável é que essas organizações, em seus comunicados, não informam sobre a assembleia geral e nem nas demais que o plano foi rejeitado, e por isso houve até moradores que pediram que o plano fosse apresentado por escrito e que se leve uma contraproposta de ir diretamente a um local definitivo onde possam construir suas casas.

Esta segunda-feira o censo começou no marco dessa profunda desconfiança. Esta pesquisa, que deveria ser controlada por supervisores de organizações de direitos humanos, na verdade não mostra nada de transparente, uma vez que não são entregues recibos a residentes registrados, nem existe uma forma comum entre o governo, organizações e órgãos de direitos humanos que deveriam atuar como observadores, onde pode haver um verdadeiro controle do censo.

Traduzido de: https://www.laizquierdadiario.com/Guernica-no-piensan-que-la-gente-estara-a-la-intemperie-en-la-Navidad




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