Política

PRIVATIZAÇÃO DO SUS

Guedes, o privatista, recua dizendo que governo nunca cogitou privatizar o SUS

Paulo Guedes disse que governo nunca cogitou privatizar o SUS, “apenas” terceirizar a administração e construção, além de transferir dinheiro pra rede privada de saúde.

Guilherme Zanni

Professor da rede municipal de Campinas.

quinta-feira 29 de outubro| Edição do dia

Foto: Alan Santos/PR

O ministro da Economia, Paulo Guedes, deu declaração nesta quinta-feira, 29, dizendo que privatização do SUS seria insanidade e nunca esteve em análise. Disse ainda que o que houve foi uma interpretação equivocada do decreto presidencial (já revogado devido a pressão da sociedade).

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Para o ministro, a intenção era “apenas” terceirizar a administração e construção das Unidades Básicas de Saúde que estão paradas por falta de verba, além da concessão de vouchers para que as pessoas possam usar a rede privada de saúde e a União pagasse.

A declaração do superministro, dizendo haver uma contraposição entre a intenção do governo e o que seria de fato uma privatização do SUS, chega a ser cômica. A proposta pode não ser vender todo o Sistema Único de Saúde (ainda) como Guedes quer fazer com os Correios e outras estatais. Mas evidentemente o objetivo é seguir com o desmonte da saúde pública no país e aumentar a influência de empresas (o que já existe) no SUS.

A intenção seria transferir a construção e administração das UBSs pra iniciativa privada por falta de verba. Ora, o governo espera gastar menos dinheiro pagando pra que uma empresa construa e administre essas unidades do que ele mesmo fazendo isso? Os exemplos de terceirização mostram que não é isso o que acontece. Além de se gastar mais verba, uma vez que o governo paga uma empresa e essa empresa paga o funcionário, a terceirização traz junto a precarização do trabalho, falta de direitos e menores salários aos trabalhadores e consequentemente redução da qualidade de atendimento.

Além disso, a proposta de pagar consultas pra população na rede de saúde privada através da concessão de um voucher, também significa o avanço do desmonte do SUS. Na prática o governo repassaria dinheiro público diretamente aos grande empresários da saúde ao invés de investir no SUS.

Como disse Marcello Pablito, que é candidato a vereador em São Paulo pela bancada revolucionária de trabalhadores do MRT:
"Nesta pandemia vimos ainda mais a importância da saúde pública, universal e de qualidade para todos. Defendemos intransigentemente o SUS, e lutamos pela estatização dos monopólios da saúde sob controle dos trabalhadores. Abaixo o projeto privatista de Bolsonaro e Guedes!"

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