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GOVERNO BOLSONARO

Guedes admite que corte do 13° do Bolsa familia é para garantir pagamento de dívida pública

sexta-feira 18 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Daniel Ramalho/AFP

No contexto de disputas em torno das eleições para o próximo presidente da Câmara, Bolsonaro afirmou em sua live semanal que o culpado pela não concessão do 13º do Bolsa Família era Rodrigo Maia. Por sua vez, o próprio ministro da economia, Paulo Guedes, contrariou a afirmação de seu chefe, dizendo que seria crime de responsabilidade fiscal o pagamento deste 13º.

Nesta sexta-feira (18), Paulo Guedes, preocupado com a Lei de Responsabilidade Fiscal que garante o pagamento da dívida pública ilegítima, ilegal e fraudulenta, foi contra as afirmações de Bolsonaro, que diante do cancelamento do prometido 13º do Bolsa Família, havia tentando tirar a culpa do próprio governo e jogar nas mãos de Maia.

O ministro que representa os banqueiros e especuladores, preocupado com os próximos ataques contra a classe trabalhadora, cumpriu o seu papel de exaltar aquilo que seria um crime de responsabilidade fiscal do governo. O benefício havia sido uma promessa demagógica da campanha bolsonarista de 2018, tentava assim disputar a base lulista, sobretudo no nordeste.

“[Se der o 13º] comete crime de responsabilidade e quebra a lei. Desejaríamos dar esse décimo terceiro, desejaria desonerar a folha, mas é um crime de responsabilidade fiscal”, lamentou de maneira cínica, Guedes.

Rodrigo Maia não deixou barato tal acusação de que a não concessão do benefício era sua culpa. Afirmou que era mentira de Bolsonaro e, aproveitando-se do conflito de interesses entre o presidente e Guedes, busca alcançar uma retaliação que o ajude na disputa pela liderança da Câmara. O deputado do DEM colocou em pauta a votação da MP que prorrogou o auxílio emergencial no valor de 300 reais, também faz parte da proposta o pagamento do benefício que Bolsonaro afirma ter sido excluído por Maia.

Este atrito entre as presidências da República e da Câmara são parte das disputas eleitorais para a liderança do Congresso que Rodrigo Maia ainda preside, está longe qualquer preocupação em garantir benefícios para as camadas mais empobrecidas da população.

Paulo Guedes, que antes deste conflito teve apoio de Maia na retirada da pauta tanto o 13º do Bolsa Família como toda a emenda, e também Bolsonaro, que busca jogar a culpa no presidente da Câmara, numa tentativa de desgastá-lo visando a eleição de seu candidato no Congresso, disputam e medem suas forças tendo o mesmo objetivo em comum: fazer com que a classe trabalhadora e os setores mais empobrecidos da sociedade paguem pela crise.




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