Sociedade

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Grupo de deputados saem em defesa de Fernando Cury depois do assédio contra Isa Penna

A deputada do PSOL, Isa Penna pediu a palavra ao plenário na quinta-feira, dia 17, para relatar que foi apalpada por Fernando Cury do Cidadania, ela já entrou com processo contra o agressor. Agora um grupo de deputados saiu em defesa de Cury, dizendo entre outras coisas que ela é “complicada”.

sábado 19 de dezembro de 2020| Edição do dia

Imagem: ALESP

Um vídeo demonstra nitidamente o momento em que Fernando Cury, do Cidadania, apalpa os seios da deputada Isa Penna, durante seu relato no dia seguinte, ela informou que o clima durante aquele dia estava permeado por piadas e insinuações de alguns deputados por conta de um vídeo particular no qual ela aparece dançando funk. Em seu discurso, Penna afirmou que não se sentiria intimidada por se expressar da maneira que tem vontade, principalmente em um vídeo que ela não disponibilizou aos demais deputados.

Por conta da repercussão do caso, o deputado está afastado do Cidadania, que publicou um documento no qual afirma que ele está liminarmente afastado de todas as funções que exerce em nome do partido, incluindo suas funções parlamentares.

O grupo de deputados - que conta com parlamentares mulheres - que está saindo em solidariedade de Cury, afirma que o episódio não teria sido nada de mais, e passaram a desqualificar a deputada para angariar argumentos a favor do agressor.

O deputado Delegado Olim, do PP, chamou Isa Penna de “complicada”, segundo ele o episódio foi “imbecil, infeliz”, mas Cury seria “gente boa”. O grupo busca sustentar a defesa da integridade do agressor, que chegou a comentar sobre o caso de maneira cínica:

"Mas se a deputada Isa Penna se sentiu ofendida com o abraço que eu lhe dei, eu peço, de início, desculpa por isso. [...] Se com esse gesto eu a constrangi e ela se sentiu ofendida, peço desculpas. [...] Meu comportamento é o comportamento que tenho com cada um dos deputados aqui. Com os colegas deputados, as colegas deputadas, com os assessores e com as assessoras, com a Polícia Militar femininas aqui."

A rede de solidariedade que está se formando ao redor dele surge para tentar minimizar os custos políticos que ele já está tendo, fruto do assédio e também utilizar o caso para deslegitimar o discurso e a postura em defesa das mulheres sustentados pela deputada.

Cury faz parte de uma família tradicional de políticos, um direitista que está do lado oposto da luta em defesa das mulheres, o fortalecimento desses setores tem legitimado casos absurdos como a perseguição contra uma menina de 10 anos que quase foi impedida de abortar após ser estuprada pelo seu próprio tio e a sentença escandalosa de estupro culposo dado a um empresário que arquitetou um crime milionário.

Os deputados que apoiam ele também são parte de legitimar o assédio e o machismo dentro da própria ALESP, que infelizmente não é novidade na casa. Monica Seixas e Erica Malunguinho relatam já terem sofrido assédio na Assembleia Legislativa de São Paulo, escancarando que além de ser um palco da aprovação de inúmeros ataques contra os trabalhadores, também é palco de assédios legitimados contra as deputadas mulheres e de esquerda.

É imprescindível se enfrentar contra essa direita que busca culpar e constranger as mulheres pelo que ocorre em sua vida particular, usando isso como justificativa para assédios e desrespeito, podendo não só se defender de ataques e assédios como também arrancar cada um dos direitos ainda não conquistados como o direito ao aborto.




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