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POVOS INDÍGENAS | Grileiros ocupam ilegalmente terras do grupo indígena Pataxó, em São Joaquim de Bicas (MG)

Grupo indígena vem sofrendo com as tentativas dos grileiros de se apossarem cada vez mais das terras destes povos de forma totalmente ilegal, buscando satisfazerem seus interesses inescrupulosos, por meio do desmatamento, vendendo as madeiras da mata de preservação e as terras dos povos indígenas. Os indígenas também sofrem com insultos e ameaças de mortes. Todo o repúdio contra esses ataques!

segunda-feira 14 de junho | Edição do dia

FOTO: Isis Medeiros / Divulgação

O grupo Pataxó, que está de posse das terras da Mata do Japonês, no município de São Joaquim de Bicas (MG), está tendo de se enfrentar com grileiros que já vem tomando posse destas terras, buscando desmatar e também vender partes das terras e das madeiras da mata de preservação do município mineiro, que se localiza na Região Metropolitana de Belo Horizonte(MG), havendo também insultos e ameaças de morte contra o grupo indígena, que são os donos legítimos destas terras.

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Estes grileiros tomaram posse de forma ilegal de parte destas terras, e chegaram a se manifestar na quinta-feira (10/06) para reivindicar direito de uso dos lotes. Mas a Mata do Japonês foi em grande parte doada aos indígenas pela Associação Mineira de Cultura Nipo-brasileira (AMCNB), na última quarta-feira (09/06). O grupo Katuramã recebeu a doação de 70% dos 36 hectares e ficou acordado que pagarão os outros 30% restantes. O local faz parte de uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), e o grupo recebeu autorização dos proprietários legais, a AMCNB, para tomar posse da região. Ao mesmo tempo, não há documento algum que comprove a compra dos lotes de forma legal por parte dos grileiros.

Os povos Pataxó e Pataxó Ha-hã-hãe viviam nas margens do Rio Paraopeba quando acabaram sendo afetados pelo rompimento da barragem de Brumadinho controlada pela Vale, sem poder utilizar a água, pois a catástrofe contaminou com rejeitos as águas utilizadas por estes povos. Desse modo, os indígenas se viram obrigados a migrarem para Belo Horizonte, sendo mais umas das vítimas do crime cometido ambiental e humano cometido pela Vale em 2019, que segue lucrando bilhões dois anos após o desastre, enquanto as vidas trabalhadoras e indígenas são esquecidas.

Além disso, um acordo foi feito com a mineradora Vale e o grupo recebia um auxílio financeiro para viver em BH, porém não tiveram retorno da empresa sobre um novo território para morar. Assim, passaram a procurar uma terra por conta própria e receberam a proposta da Associação Mineira de Cultura Nipo-Brasileira.

A Vale estava pagando um auxílio financeiro totalmente insuficiente para o grupo viver em BH, pois a empresa, que destruiu e vem destruindo milhares de vidas, não garantiu para esses grupos um território para morar, o que forçou os indígenas a buscarem por contra própria uma terra para viver e acabaram recebendo a proposta da AMCNB.

Segundo a vice-líder do grupo, Angohô Pataxó Hã Hã Hãe, para os povos Pataxó Hã-Hã-Hãe “a terra não é mercadoria. Para o nosso povo, ela é nosso sagrado, é o que tem de mais valor para a nossa cultura. Porque dessa terra nós vivemos da caça, da pesca e da erva medicinal”.

Nas redes sociais, podemos ver postagens com hashtag #SOSKaturama denunciando estes grileiros, também com vídeos que mostram os mesmos saindo das terras em caminhonetes cheias de madeiras roubadas das terras indígenas por meio do desmatamento, como podemos ver abaixo:

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