Educação

GREVE PROFESSORES SP

Greve trabalhando? Sobre a posição absurda apresentada pela direção da Apeoesp

sábado 13 de fevereiro| Edição do dia

Há duas semanas, o governo Doria, junto ao seu secretário Rossieli, vem impondo um retorno inseguro aos professores do estado, em meio ao pico da pandemia promovido pelo negacionismo absurdo de Bolsonaro. Sem testes, com escolas sem ventilação adequada, com álcool gel vencido, essa foi a situação encontrada pelos professores, fazendo assim explodir centenas de contaminados pela Covid 19 nas escolas. Para responder a essa situação, os professores do estado de SP, em assembleia na última sexta-feira, decidiram por declarar greve das atividades presenciais, mantendo o trabalho remoto.

A intransigência do governo foi enorme, desde antes da greve começar já anunciaram que iam cortar salário dos professores. Se dizem racionais contra Bolsonaro, mas querem que os professores que lutam não tenham como sustentar suas famílias em plena pandemia.

A decisão de greve também foi anunciada pelos professores do município de São Paulo, que agora também se enfrentam com o retorno inseguro de Covas, que além de impor a volta as aulas de maneira irresponsável, ainda demite trabalhadoras da limpeza, desfalcando o quadro de funcionários das escolas e colocando famílias nas ruas. Além disso, sem funcionárias da limpeza é impossível garantir qualquer tipo de segurança sanitária.

Ao invés de buscar a unificação com os professores municipais e fortalecer a greve com espaços de organização construídos em cada escola, a direção majoritária da Apeoesp, composta pelo PT e PCdoB, não veio construindo a mobilização durante a semana, fazendo com que a adesão fosse restrita. Na assembleia desta sexta defenderam uma proposta inacreditável, a chamada "greve híbrida", que significa manter a greve na aparência, mas na prática voltar ao trabalho presencial nas escolas. Essa proposta foi fruto de um acordo na executiva da APEOESP que apresentou uma posição unificada entre a direção majoritária e grupos de oposição, como Travessia, 15 de Outubro, MES e TLS, que defenderam a mesma política de greve de aparências.

Mas para enfrentar os ataques de Doria e Rossieli, diante de todo negacionismo e dos ataques de Bolsonaro que estamos enfrentando, é inacreditável que a política do maior sindicato da América Latina seja de fachada, e não vá no sentido de fortalecer a mobilização dos professores contra um retorno que põe em risco a vida de toda comunidade escolar.

Uma estratégia que está de acordo com a estratégia do PT e PCdOB, que nas centrais sindicais que dirigem, como a CUT e CTB, estão numa verdadeira quarentena em todo país, totalmente paralisados e não organizando os trabalhadores para se enfrentarem com as demissões e ataques de Bolsonaro, Doria e dos patrões e no parlamento se aliam a golpistas de todo tipo, como Baleia Rossi e Rodrigo Pacheco, que estão alinhados a Bolsonaro e Doria para passar as reformas e ataques aos trabalhadores. No movimento estudantil lançam carta reivindicando o retorno das aulas presenciais com o mesmo discurso de Rossieli, a partir da UPES que é dirigida pela UJS, juventude do PCdoB.

Nós do Nossa Classe Educação defendemos nas assembleias a continuidade da greve, com o objetivo nos unificar aos professores municipais e assim poder fortalecer a nossa mobilização, rompendo com o isolamento imposto pelas direções, e assim reverter a pouca adesão, com uma nova assembleia na quarta para reavaliar as condições da greve. Chamamos toda oposição de maneira unificada à construção de pólo antiburocrático, que tenha como objetivo exigir da direção majoritária do sindicato a unificação com professores municipais, que organize espaços de discussão e deliberação construídos pela base em cada escola e campanha contra o corte de ponto, disponibilizando os recursos do sindicato e organizando um fundo de greve para garantir condições de mobilização contra o corte de salário de Doria.

Veja intervenção da professora Maíra Machado na Assembleia dos professores de São Paulo.

A verdade é que a posição da executiva da Apeoesp desmontou a greve que já não estava sendo organizada por eles, deixando os professores se enfrentando de maneira individual com o retorno inseguro das escolas, enquanto vão seguir dizendo que estamos mobilizados. Assim, esvaziam o sentido do que significa uma greve, um sentido construído por anos de luta da nossa classe e que agora querem esvaziar para nos desarmar frente a tantos desafios que este ano nos reserva para enfrentar não só esse retorno inseguro, mas reformas e ataques, como a reforma administrativa que Bolsonaro e Doria querem nos despejar.

Essa é mais uma das mostras de que é preciso lutar para que o sindicato, que deveria ser nossa ferramenta de luta e organização, esteja nas mãos dos trabalhadores e não de uma burocracia que faz mobilização de aparências enquanto entrega nossos direitos. Um pólo combativo e anti burocrático, unificando a oposição e exigindo da direção majoritária da Apeoesp essas medidas, poderia fazer toda a diferença aos professores e fortalecer nossa mobilização para vencer os ataques de Doria e Rossieli, dando exemplos a outros professores que pelo Brasil inteiro estão se enfrentando com esse retorno inseguro dos governos.

A oposição à direção majoritária infelizmente aponta outro sentido, cobrindo pela esquerda essa proposta vergonhosa, mas nós do Nossa Classe Educação, assim como apontamos na assembleia, seguiremos batalhando por uma política que exija do nosso sindicato hoje a unificação com municipais, a construção de uma campanha contra a ameaça de corte de salário e que a Apeoesp disponibilize seus recursos, junto a um fundo de greve para repor o salário dos professores, caso haja descontos salariais aos professores, e que seja a comunidade escolar, junto aos professores, que decida sobre o retorno, e não Doria e Rossieli, que nada sabem sobre a realidade das nossas escolas, seguiremos batalhando para que nosso sindicato seja um verdadeiro instrumento da nossa luta contra Bolsonaro, Doria e Rossieli.




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