Internacional

Greve na Colômbia: nova jornada de luta diante do fracasso das últimas negociações

O governo de Duque e o Comitê Nacional de Greve iniciaram uma mesa de diálogo para dar solução ao conflito, porém seguem sem acordos. As ruas colombianas mostram que a saída continua na mobilização popular.

quarta-feira 2 de junho| Edição do dia

Colômbia já completa mais de um mês de paralisação nacional. Nestes 36 dias de mobilizações, que iniciaram no último 28 de abril, foram registrados 5.575 concentrações, 2.180 marchas, 2.924 bloqueios, 598 mobilizações e 22 assembleias em 809 municípios. Também, neste período, mais de 2.000 manifestantes foram feridos. E segundo a ONG Temblores e o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz) contabilizaram 60 mortes durante os protestos do último mês na Colômbia.

Esta quarta-feira 2 de junho se convocou uma nova jornada de mobilizações nas principais cidades colombianas: Bogotá, Cali, Manizales, Bucamaranga, Barranquilla, Cartagena, entre outras. O governo de Duque aposta que as mesas de negociação com extensas agendas para discutir com os representantes sindicais e distintas organizações sociais, desativem os protestos. Da mesma maneira que as direções sindicais agrupadas no Comitê de Greve Nacional (CPN em espanhol), apesar de denunciarem que o “diálogo é uma armadilha”, entram para desmobilizar a juventude e os trabalhadores que continuam na linha de frente fazendo eco à campanha suja do Governo.

Ontem o CPN quando convocou as mobilizações fizeram um chamado para desbloquear as vias do país, uma exigência do Governo de Duque e da burguesia, que não vê como suficiente recorrer ao exército para reprimir a vanguarda organizada nesses bloqueios. Se trata de um ato totalmente conciliador de parte das burocracias sindicais em favor dos bolsos dos empresários colombianos, já que os bloqueios são os que, efetivamente, fazem a greve nacional acontecer, como demonstram os números publicados pelo diário El Tiempo: 100 bilhões de pesos diários, somente em Valle del Cauca.

#Meta Neste instante a mobilização social nas ruas de #Villavicencio. #ParoNacional2J

Segundo o CNP, conseguiram desmontar 40 bloqueios, segundo eles para “poder restabelecer o abastecimento de alimentos e insumos médicos nas cidades da Colômbia", algo totalmente mentiroso já que nesses bloqueios organizados foram montados corredores humanitários e sanitários para que não faltem insumos básicos para a vida. O CNP oculta que suas atividades estão comprometidas em restabelecer a “normalidade” na Colômbia, sem vontade de dar uma batalha para que, com a mobilização, se derrube Duque.

O desbloqueio das vias é o ponto chave que exigiu, desde o início, o Governo Nacional para começar as negociações. Desde o Comitê de Greve que “já não há razão para não firmar pré acordos que saíram das reuniões que vêm acontecendo há várias semanas”. Ainda que não se conheça até o fim quais são esses acordos.

#ParoNacional2J #Bogotá Pela via 13 avança a mobilização sindical encabeçada por indígenas #Misak rumo à praça de Bolívar onde se espera outro grupo de manifestantes que saiu da U. Nacional #ElParoNoPara

Em várias semanas de campanha suja contra as manifestações, e assim que as organizações que compõem o Comitê Nacional de Greve junto a distintos do arco político (incluindo os progressistas do Bloco Histórico de Gustavo Petro) conseguiram que a maior parte das mobilizações se limite a atividades artísticas, isolando os setores mais combativos.

É, sobretudo, uma exigência que vem fazendo os setores mais à direita, como as patronais que veem afetados seus lucros pelos bloqueios, ou o ultradireitista e ex-presidente Álvaro Uribe que vem pressionando por uma política ainda mais repressiva.

O #ParoNacional ninguém para, hoje seguimos. #ParoNacional2J

Grande parte da juventude tem expressado de distintas maneiras não se sentir representados pelas organizações que compõem o Comitê de Greve. E apesar de toda a campanha coordenada entre as distintas partes que compõem o regime político colomiano, existem, todavia, setores de vanguarda da juventude estudantil e trabalhadora mobilizados e organizados nos bloqueios fazendo de fato a greve nacional mostrando que a saída está na mobilização popular.

O único que pode frear o avanço repressivo é a mobilização e organização dos setores em luta. Em vista é quem privilegia o “diálogo”. O Comitê Nacional de Greve deveria romper imediatamente toda a negociação com o Governo até que se retirem os militares, cessem a repressão e se libertem todos as e os detidos.

Isso seria o primeiro passo para redobrar a mobilização com um plano que imponha uma verdadeira Greve Nacional paralisando a produção total do país para alcançar as demandas da rebelião e expulsar o governo repressor.




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