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PERU | Greve indefinida de transportadores do Peru contra o aumento dos combustíveis

Pelo terceiro dia, as transportadoras cumprem esta medida de luta a nível nacional. Os representantes dos trabalhadores não acataram as propostas do governo e continuam a greve exigindo redução do preço do combustível

sexta-feira 19 de março | Edição do dia

Essa medida de luta é cumprida pelos diversos sindicatos de transportadores de cargas e ônibus interprovinciais do Peru, aos quais aderiram sindicatos de taxistas em algumas regiões. Como se sabe, os representantes dos transportadores iniciaram um diálogo com autoridades do governo central para atender a principal demanda de redução do preço do combustível. No entanto, até o momento nenhum acordo foi alcançado entre as partes, por isso os transportadores decidiram continuar com a greve por tempo indeterminado que começou na segunda-feira, 15 de março.

Martín Ojeda, gerente da Grêmio de Transporte Interprovincial do Peru, disse que embora na reunião o Ministro dos Transportes, “Embora Eduardo Gonzales, tenha manifestado seu apoio à proposta da Petroperú de aplicar o preço de referência internacional do diesel, publicada no Osinergmin, representantes da estatal petrolífera não concordaram”.

O dirigente dos transportadores afirmou ainda que, caso a referida proposta fosse aceita, o preço do diesel poderia registar uma redução de 3,00 soles por galão, embora tenha assinalado que os representantes da Petroperú indicaram que isso significaria apenas uma redução de 0,40 soles por galão.

Por conta desse impasse com os representantes do governo, os transportadores optaram por encerrar a reunião e continuar com sua greve, que já dura três dias e ocorre em todo o país.

Diante deste problema, o ministro dos Transportes e Comunicações, apesar de reconhecer que a demanda dos transportadores era justa, manifestou ao executivo presidido por Francisco Sagasti, é muito difícil cumpri-la porque no país o preço é regulado pelo livre mercado. Portanto, nem o governo nem o Congresso podem definir preços para os produtos que são vendidos na economia nacional:

“Os preços são regulados pelo mercado; eles (os transportadores) acertadamente apontaram que havia uma diferença entre o preço internacional do petróleo e a forma como era vendido na Petroperú”, disse o ministro. Com isso, ele demonstrou a submissão do Governo aos ditames neoliberais que favorecem os grandes empresários do combustível, assim como os limites do Estado peruano que se submeteu à voracidade dos capitalistas.

Consciente da fragilidade do executivo e do efeito que esta luta dos transportadores poderá ter nas opiniões eleitorais face às eleições do próximo dia 11 de abril, o ministro dos Transportes e Comunicações disse que a partir executivo fizeram "apelos que não se politizasse, que essa questão não fosse usada para acabar favorecendo uma ou outra candidatura, que essa questão não fosse usada para gerar transtornos no país e gerar prejuízos para o país como um todo. Hoje precisamos de diálogo, acordo e concertação”.

No entanto, o que o ministro não cita é que esse consenso entre o Estado e as grandes empresas de combustíveis é o que tem levado ao aumento dos preços do diesel, afetando não só os transportadores, mas também a população como um todo, pois elevou o custo de vida, prejudicando a subsistência de milhões de pessoas, a maioria delas pertencentes à classe trabalhadora. É preciso lutar contra esse consenso empresarial que atinge os trabalhadores e os diversos setores da sociedade.




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