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Greve da MRV em Campinas | Grande mídia boicota 1 mês de greve de trabalhadores da MRV

A greve dos trabalhadores da MRV já dura um mês lutando pelo pagamento do PLR e melhores condições de trabalho. Apesar da força da greve, dos atos nos canteiros e no centro de Campinas, a mídia simplesmente a ignora tentando inviabilizar este importante movimento. Os interesses são claros. Além dos acordos publicitários entre a MRV e os meios de comunicação, Rubens Menin, proprietário da MRV, também é dono da CNN, da rádio Itatiaia e tem expandido seus negócios no ramo da comunicação.

quinta-feira 12 de agosto | Edição do dia

Nas assembleias e nos atos das greves nos canteiros de obras, os trabalhadores de forma recorrente afirmam o quão absurdo é total ausência de matérias sobre a greve na televisão, rádio ou principais jornais da cidade.

Por vezes, se indignam que é muito mais fácil o aparecimento de viaturas e policiais do que de um jornalista. A presença dos militantes do MRT e da Faísca, e do Comitê de apoio dos estudantes da Unicamp e o Esquerda Diário estão levando a solidariedade ativa a greve e ajudando a quebrar o boicote da imprensa tradicional.

A cobertura da greve do Esquerda Diário mostra que é possível construir uma mídia independente dos empresários. Enquanto, a grande mídia representa os interesses dos negócios e dos patrões, o Esquerda Diário ajuda a ecoar a luta dos trabalhadores, fazendo que a luta da MRV inspire outros irmãos de classe pelo país e construa a solidariedade a greve.

A relação entre enormes corporações, como a MRV, e a grande mídia é de “unha e carne”. Todas são empresas com objetivo de fazer alguns poucos executivos acumularem milhões, ajudando uma a outra em seus interesses. A princípio, empresar com a MRV gastam muito dinheiro com publicidade e propaganda para venda de seus imóveis. Mas a relação não para por aí. Seja os executivos majoritários, seja os acionistas, por vezes, são proprietários tanto das empresas de comunicação como de construção.

É o caso de Rubens Menin, um dos apoiadores de Bolsonaro, defensor da reforma trabalhista, da previdência e da privatização dos Correios. O bilionário dono da MRV tem expandido seus negócios nos ramos das comunicações. É dono da CNN Brasil, com 100% de participação nas ações e, em maio, comprou a rádio mineira Itatiaia, que conta com quase 1 milhão de ouvintes. Seu interesse, inclusive declarado, é de um jornalismo em benefício do ativismo empresarial.

Depois de ascender se beneficiando dos acordos com o governo petista no programa “Minha Casa, Minha Vida”, Rubens Menin incentivou o lobby golpista e agora avança no ramo das comunicações para defender, especialmente, os seus interesses diretos. Sua família é proprietária de empresas como Banco Inter, MRV Engenharia, Urbamais Desenvolvimento Urbano, Log Comercial, entre outras Rubens Menin vê na grande mídia uma tática para enriquecer ainda mais e atuar politicamente contra o interesse dos trabalhadores.

A MRV, foi autuada 5 vezes entre 2011 e 2014 por fazer uso de trabalho em situações análogas a escravidão em seus canteiros de obra, o que ocasionou sua inclusão na “lista suja do trabalho escravo”. Isso não é coisa do passado, uma operação realizada em 13 de maio nas cidades de Porto Alegre e São Leopoldo no Rio Grande do Sul resgatou 16 trabalhadores em situações degradantes de trabalho. Estes eram aliciados por uma empresa terceirizada pela MRV. Com histórico assim, é de se entender o afinco de Menin em possuir um império comunicacional para lhe defender.

Não só a influência de Rubens Menin explica o boicote midiático sobre a greve. Pouco se fala na mídia sobre a greve dos trabalhadores da MRV, pois a grande mídia se preocupa que a visibilidade desta luta possa fortalecê-la ainda mais. Não querem que a população saiba que aqueles que constroem moradias, prédios e condomínios não têm direitos mínimos. Não quer que saibam que a MRV foi acusada de ter trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Por isso, o Esquerda Diário divulga essa luta e está disposto a contribuir de todas as formas para que seja vitoriosa. Viemos chamando todos os estudantes e trabalhadores da Unicamp, professores da rede pública, a esquerda e movimentos sociais e demais jovens e trabalhadores a apoiar os que lutam por melhores condições de trabalho e contra uma empresa que lucra milhões, enquanto o povo pobre e trabalhador não tem direito à moradia.

O Esquerda Diário foi reconhecido pelos operários da MRV por dar projeção nacional e internacional a greve e rompendo o boicote e isolamento imposto pela mídia empresarial. Quando fazemos este tipo de mídia militante e operária consideramos que estamos dando um exemplo de solidariedade que pode ser decisivo para vitória de greves como a dos trabalhadores da MRV em Campinas.

Veja também: Vídeo - Dono da MRV, Rubens Menin, doa milhões enquanto não paga a PLR pra seus trabalhadores




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