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Petrobras | Graças a Bolsonaro e generais povo brasileiro está sendo roubado para enriquecer acionistas

Bolsonaro fala que a Petrobras é um problema. É um problema para ele porque ele não consegue se livrar da culpa de ser diretamente responsável de cada aumento dos combustíveis que ele e os generais que mandam na empresa fazem para entregar bilhões de reais aos acionistas.

Leandro LanfrediRio de Janeiro | @leandrolanfrdi

sábado 30 de outubro | Edição do dia

A cada dia há uma nova declaração de Bolsonaro relacionada à Petrobras. A empresa é um calcanhar de Aquiles em seu discurso, Bolsonaro não consegue distribuir a culpa pelo preço do gás, da gasolina e do diesel. Ele é diretamente culpado de cada aumento feito para entregar bilhões aos acionistas, em sua maioria estrangeiros. Não há como desvincular a responsabilidade de Bolsonaro e dos generais que administram a empresa desse roubo diário.

Nesse sábado Bolsonaro foi flagrado em conversa informal com o dirigente turco Erdogan dizendo “A Petrobras é um problema. Mas estamos quebrando monopólios, com uma reação muito grande.” Sistematicamente o reacionário presidente da república tenta lavar suas mãos de sua responsabilidade direta nos aumentos de combustíveis e joga-la na empresa e ao mesmo tempo usar a crise com o preço dos combustíveis para promover um duplo movimento: livrar-se da culpa e enriquecer acionistas. Isso está escondido detrás de sua crítica aos lucros e a incessante ladainha de quebrar o monopólio como mostraremos.

Se a Petrobras fosse privatizada o problema político de responsabilidade de Bolsonaro diminuiria pois ele poderia dizer que o preço estaria caro porque a Raizen, a ATEM, a Mubadala quiseram e ele não poderia interferir. Isso não mudaria que o povo brasileiro continuaria sendo roubado a cada abastecimento só que o poder de mudar isso estaria mais longe da caneta presidencial. O medo de Bolsonaro não é que alguém passe fome, que alguém se queime usando lenha e não gás de cozinha mas que seus eleitores o cobrem de “não ter usado a caneta BIC”. Outro medo que Bolsonaro tem e que privatizando poderia se livrar é perder o apoio do capital financeiro e frente às críticas sobre "furar o teto de gastos" avançar em medidas privatistas pode ser uma maneira de agrada-los. Agrada-los ainda mais, diga-se de passagem, porque a Petrobras tal como está rende bilhões e mais bilhões para o mesmíssimo capital financeiro. A privatização aumentaria isso ainda mais.

O argumento de quebra do monopólio serve politicamente para Bolsonaro se eximir de responsabilidade mas é mentiroso em muitos níveis. Em primeiro lugar, não há monopólios de produção, refino ou distribuição de combustíveis no país, desde FHC após conseguir derrotar a greve dos petroleiros de 1995 com ocupação militar das refinarias e perseguição dos grevistas com apoio do judiciário e da Globo. Graças a essa situação jurídica qualquer Shell, Total, BP, pode vir aqui e abrir uma refinaria, uma empresa de distribuição. Não o fazem porque querem lucros ainda maiores e sabem que há aqui governos, congresso e judiciário atuando juntos em prol de um processo criminoso de privatizações que entregou a refinaria da Bahia com 50% de desconto e a do Amazonas com 75%. Essas vendas criminosas, sem votação no Congresso, sem licitação ou pregão público acontecem assim graças a decisão do STF e silêncio criminoso da mídia e Congresso.

Em terceiro lugar a “quebra do monopólio” do refino, ou seja, vender as refinarias da Petrobras não diminuiria os preços. Muito pelo contrário. Cada refinaria da Petrobras foi desenhada para abastecer uma determinada região do país. Não há expressiva integração logística para “concorrer”. Vender uma refinaria é na verdade criar um monopólio regional. Ou alguém em sã consciência e não em delírios bolsonaristas, da Bovespa ou da Globo acha que uma empresa com uma refinaria digamos em Canoas, Rio Grande do Sul foi pegar gasolina ali, colocar num navio e levar até Manaus para concorrer com a refinaria ali privatizada? Cada refinaria dessa privatizada necessariamente teria que praticar um preço internacional para os barris que ela compraria para refinar.

A Petrobras estabeleceu esse preço internacional, o chamado PPI, por decisão política adotada no governo golpista de Temer e depois continuada e aumentada sob Bolsonaro e os militares que comandam a empresa. Nada a obriga a fazê-lo não há lei que obrigue a isso. O general Luna, atual presidente da empresa escolhido por Bolsonaro mente em cada declaração de imprensa dizendo que é obrigado por lei. Não há obrigação. Há escolha.

A Petrobras paga salários em real, produz em real, produz cada barril do pré-sal a um preço médio de US$4 depois vende a si mesma por cerca de US$ 83, e aí ainda embute mais uma taxa de lucro do refino para entregar para as distribuidoras, aí depois ainda entram os lucros do agronegócio (com o biodiesel e etanol) e depois mais lucro das distribuidoras (e desde Bolsonaro a BR Distribuidora não é mais estatal, então todo o ramo é privado) e depois vem os impostos. É assim que a Petrobras é diretamente responsável por 34% do preço final da gasolina, 49% do preço do gás de cozinha e 54% do preço diesel.

Se quiser entender mais sobre os preços dos combustíveis pode te interessar o artigo: “O verdadeiro motivo dos combustíveis estarem tão caros”

Ou seja, a maior parte do preço é diretamente determinada por Bolsonaro, pelo Almirante Bento ministro de Minas e Energia, pelo General Luna e todo oficialato comandando a empresa. Com uma “canetada” seria possível baratear tudo. Daí que se entende porque para Bolsonaro a Petrobras é um problema.

O que acontece com esse lucro excepcional da Petrobras de cerca de 79 dólares por barril (e produz quase 2milhões por dia)? Vai quase todo parar nos bolsos de bilionários nas bolsas de Nova Iorque Bovespa. 46,82% de todas as ações preferencias, aquelas que ficam com os lucros, são de investidores estrangeiros, e ainda outros 16,43% pertencem a investidores “brasileiros”. O governo brasileiro só tem poder de mando, mas manda a serviço desses donos.

Os generais e Bolsonaro escolhem administrar a empresa para remunerar esses bilionários. Promovem um roubo do Brasil em múltiplos sentidos. Em primeiro lugar dos recursos finitos do petróleo, depois impondo esse preço abusivo para remunerar acionistas e depois escolhendo distribuir quantias insanas de dinheiro em dividendos ao contrário de investir em tecnologias ou energias renováveis, gerar empregos tão necessários. Só esse ano a empresa já decidiu dar de presente aos acionistas R$63,4 bilhões e quase tudo isso vai parar nas mãos dos acionistas estrangeiros. Para se ter ideia do tamanho dessa fortuna ela significa 9 meses do “auxílio Brasil” de R$400 para 17milhões de brasileiros.

Tudo isso é uma escolha política. Uma escolha de Bolsonaro, de Guedes, dos militares, mas também do STF que avaliza essas privatizações criminosas, de toda a direita “liberal” e grande mídia burguesa que assina embaixo nesse roubo.

Os recursos do petróleo são imensos. Eles possibilitariam que os combustíveis fossem baratos, que houvesse um maciço investimento em ciência e tecnologia para gerar empregos, permitiria usar esses lucros para necessidades da população como saúde, educação, moradia mas escolhe-se fazer outra coisa: roubar trabalhadores brasileiros para enriquecer bilionários. É possível outro caminho. A Petrobras ao contrário de um problema poderia ser uma solução. Mas para isso ela precisaria se livrar dos gerentes militares e políticos a serviço dos acionistas e ser 100% estatal e administrada democraticamente pelos trabalhadores.

Imagem: montagem do site clickpetroleoegas




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