PANDEMIA

Governos cancelam pontos facultativos do carnaval sob desculpa de evitar aglomerações

Alguns governos, como de São Paulo, Pernambuco, Paraíba, Ceará e capitais como Porto Alegre, definiram que seus estados não terão o ponto facultativo do carnaval.

sábado 30 de janeiro| Edição do dia

Foto: PMO/Fotos públicas

A decisão implica que nos dias 15 e 16 de fevereiro, que seriam a segunda e terça-feira de carnaval, serão dias úteis normais. As festividades de carnaval já haviam sido canceladas por quase todo o país, devido à pandemia do coronavírus, que segue com contaminação altíssima e já tirou a vida de mais de 220 mil pessoas.

Após 10 meses de pandemia, depois de um curto período de queda nos números, o Brasil viveu nesse último mês seu pior momento, sem grande perspectiva de melhoras. O número de mortes e contaminados segue aumentando, com sistemas de saúde em colapso, sendo o caso de Manaus o mais emblemático, inclusive com uma nova cepa do vírus circulando e podendo se espalhar por todo o país.

A vacinação teve início, depois de ser o centro de diversas disputas políticas - seja no país, entre Bolsonaro e governadores, com destaque para João Doria; seja pelo mundo em torno de uma corrida por patentes -, porém está longe de ser uma realidade para todos. A projeção é para que uma vacinação realmente ampla e massiva da população aconteça apenas em 2022.

Diante deste cenário todo, governadores e prefeitos decidem cancelar o ponto facultativo, sob o argumento de que seria para evitar aglomerações. Ignoram que os trabalhadores, que são ampla maioria da população e aqueles que mais estão morrendo, principalmente os mais precários, estão diariamente aglomerados em transportes públicos, buscando empregos, aglomerando na fila dos desempregados, passando a maior parte do dia fora de casa em bicos e trabalhos precários, principalmente agora diante do corte do auxílio emergencial. Querem tirar as possibilidades de descanso dos trabalhadores para, na verdade, explorar mais e expôr ao risco, obrigando-os a trabalhar mais.

Essa política serve apenas para alimentar o sentimento errôneo de que a culpa pelos altos números da pandemia é exclusivamente do trabalhador, que aproveita alguns momentos de descanso depois de já se ver obrigado a se colocar em risco no trabalho. Esconde atrás dela que, na realidade, a situação brasileira está assim pois quase nada foi feito para combater de fato os efeitos da pandemia, tanto sanitários como econômicos. Empresários foram salvos enquanto as demissões eram facilitadas, não foram feitos testes massivos com isolamento e tratamento de qualidade aos contaminados, hospitais particulares lucraram enquanto faltava leito no SUS, sem contar o grotesco negacionismo por parte do presidente Jair Bolsonaro.

É preciso perceber que os verdadeiros culpados por essa tragédia brasileira são Bolsonaro, Doria, os governadores e todos atores desse regime golpista. Não é do interesse desses sujeitos lutar pela qualidade de vida da população, pela imunização universal. Um plano de combate à crise sanitária só pode ser efetivo se tomado nas mãos dos trabalhadores, decidindo e controlando todas as ações, orientados pelos interesses de sua classe, a maioria da população.

Leia também: [EDITORIAL] Contra Bolsonaro e Doria, batalhemos pela disponibilização universal da vacina




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