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Peru | Governo de Pedro Castillo promove entrada de forças militares dos EUA no Peru

O presidente Pedro Castillo e o primeiro-ministro Guido Bellido, com o aval da maioria do Congresso da República, aprovaram o ingresso de militares norte-americanos em território peruano. Da mesma forma, o executivo renovou um acordo com a embaixada dos Estados Unidos e com a USAID, instituição reconhecida por promover iniciativas intervencionistas dos Estados Unidos nos países da região.

quarta-feira 8 de setembro | Edição do dia

Em 31 de agosto, o Presidente Pedro Castillo e seu Primeiro-Ministro Guido Bellido enviaram uma carta a María del Carmen Alva Prieto, Presidente do Congresso da República, na qual colocavam a aprovação da resolução do Conselho de Ministros à consideração do Parlamento onde os membros do executivo aprovam a entrada de pessoal militar e unidades navais dos Estados Unidos para o território peruano. A referida carta afirma que: “com o voto de aprovação do Conselho de Ministros (aprovado), o projeto de resolução legislativa que autoriza a entrada de unidades navais e militares estrangeiros com armas de guerra no território da República do Peru”.

Com base nesta medida promovida pelo presidente e pelo primeiro-ministro, na última quinta-feira, 2 de setembro, no plenário do Parlamento peruano foi votada esta proposta que claramente favorece os interesses militaristas e imperialistas dos Estados Unidos em nosso país e no continente. A iniciativa foi aprovada por maioria porque, como se sabe, o Congresso tem uma composição de direita e conservadora.

Ao grosso dos parlamentares de direita juntou-se a maioria dos parlamentares do Peru Libre (apenas 6 votaram contra 37), organização que, como se sabe, levou Pedro Castillo ao governo e cujo secretário-geral é Vladimir Cerrón, que Ficou famoso nos últimos dias por sua loquacidade nas redes sociais, porém, nesta ocasião e diante deste caso, manteve um silêncio mortal.

De notar que entre os parlamentares do Peru Libre que votaram a favor da entrada de tropas norte-americanas no Peru, não há outro senão Valdemar Cerrón - irmão de Vladimir Cerrón - e porta-voz formal do partido no poder, o que sugere que esta iniciativa é uma expressão da política e orientação do partido governista que, na sua gestão à frente do executivo, tem dado terreno à investida da direita e ao esbatimento dos sectores empresariais como alternativa de mudança.

Os 5 congressistas do grupo de centro-esquerda Juntos pelo Peru - organização liderada por Verónika Mendoza que co-governa com o Peru Libre - também votaram a favor desta iniciativa pró-imperialista. Isso não é novidade para Verónika Mendoza que, quando era deputada federal, também votou por uma iniciativa desta natureza.

Soma-se a essas ações promovidas pelo governo a renovação do acordo com a embaixada dos Estados Unidos e com a USAID, instituição que se caracteriza por sua estreita vinculação com as políticas imperialistas promovidas pelos Estados Unidos na América Latina. Lembremos que há poucos dias, por iniciativa de Castillo e do primeiro-ministro Bellido, Héctor Bejar - que havia denunciado a intervenção da CIA em ações de terrorismo de Estado na década de 1970 - foi afastado do Itamaraty e substituído pelo nomeado Oscar Maurtua que é conhecido por sua proximidade com a embaixada ianque e por apoiar as iniciativas golpistas na Venezuela por meio de Juan Guaidó.

Essas iniciativas a favor dos Estados Unidos reforçam a orientação direitista do governo Castillo e Cerrón e mostram a abordagem do executivo aos interesses dos Estados Unidos, o que não é um fato menor, especialmente se considerarmos a atual situação geopolítica que existe hoje no mundo, onde a disputa por territórios, recursos naturais e controle de rotas comerciais entre os Estados Unidos e a China se tornou um dos eventos mais relevantes.




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