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Governo Covas quer implementar “planilhas da morte” nas escolas da cidade de São Paulo

Na semana passada vazaram trechos de uma Minuta de Instrução da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo (SME-SP) para o início do ano letivo de 2021. No artigo 5º dessa minuta contém, nada mais nada menos, do que a orientação para que as escolas monitorem e contabilizem as possíveis mortes de estudantes e servidores em decorrência da Covid-19.

quarta-feira 27 de janeiro | Edição do dia

Imagem: divulgação

Conforme a minuta: “(...) Cabe à equipe gestora das unidades escolares, o monitoramento sistemático dos casos confirmados e óbitos decorrentes da Covid-19, envolvendo os estudantes e servidores”. Após preencher a “planilha da morte”, as escolas deveriam enviar as informações para as Diretorias Regionais de Educação que posteriormente deveriam enviar para a Secretaria.

Não é a primeira vez que referências às possíveis mortes por Covid aparecem nas orientações para as redes de ensino. Em setembro do ano passado circularam modelos de termos de compromisso da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo (SEDUC-SP) para que estudantes e professores se responsabilizassem caso contraíssem Covid, isentando a responsabilidade da SEDUC-SP. No Espírito Santo houve a orientação do que fazer em caso de mortes no plano de retomada das atividades presenciais para as escolas, ou seja, o próprio governo estadual desse estado considerava tranquilamente esse risco.

A instrução da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, que coloca para que as escolas tabulem as mortes por Covid, é estarrecedora e demonstra que os governos sabem que o retorno presencial das aulas implica em uma enorme possibilidade de crescimento dos casos de contaminação, já que admitem que com o retorno as escolas terão que lidar com possíveis mortes de estudantes e trabalhadores. No entanto, mesmo assim, João Doria e Bruno Covas insistem no retorno presencial das aulas.

Mesmo que alguns protocolos de segurança sejam adotados, o retorno presencial das aulas é uma política criminosa, ainda mais considerando que é sabido que as condições da maior parte das escolas das redes públicas de educação são extremamente precárias. Além do mais, querem que isso ocorra num momento em que os casos de Covid estão aumentando, que não há vacinas o suficiente sequer para os grupos prioritários, e que estamos vendo situações de calamidade completa, como pessoas morrendo sem oxigênio em cidades como Manaus/AM.

Na rede estadual paulista, o secretário da educação, Rossieli Soares, disse que as aulas irão retornar a qualquer custo e, com cinismo, afirmou que Covid se pega em casa, não na escola. No entanto, não é isso que a realidade tem mostrado. Um relatório do sistema público de saúde do Reino Unido mostrou que a abertura precoce das escolas acelerou a taxa de infecção provocando até três vezes mais infecções do que as rastreadas em hospitais.

Frente ao menosprezo à vida dos trabalhadores da educação, dos estudantes e de seus familiares, é fundamental que haja condições seguras para o retorno presencial e vacina para todos. É a comunidade escolar junto com os trabalhadores da saúde que devem decidir como e quando as aulas podem e devem voltar.

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