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ELEIÇÕES SÃO PAULO

Golpista e defensora da prisão de Lula, Rede de Marina Silva não é aliada dos trabalhadores

André Barbieri

São Paulo | @AcierAndy

sábado 21 de novembro| Edição do dia

A Rede Sustentabilidade tem um papel conhecido no país pós-golpe institucional de 2016. Apoiou o impeachment de Dilma Rousseff, levado adiante pela direita e pela Lava Jato de Sérgio Moro, para acelerar contra os trabalhadores ataques mais duros do que o PT vinha fazendo. Cumpriu um papel direto na consecução do golpe institucional, e apoiou politicamente o incremento do autoritarismo judiciário no Brasil.

Marina Silva, golpista neoliberal ligada ao Itaú, foi particularmente incisiva em seu apoio à Lava Jato, a Moro e aos procuradores de Curitiba, cujas manobras facilitaram o caminho para o triunfo de Bolsonaro nas presidenciais de 2018. O exemplo máximo desse direitismo grotesco foi a campanha de Marina Silva em favor da prisão arbitrária de Lula em 2018, e o veto do Tribunal Superior Eleitoral a que Lula pudesse participar das eleições. Em ato de campanha em Nova Iguaçú (RJ), Marina Silva aplaudiu a decisão de veto do TSE, rejeitando o registro da candidatura de Lula: “Agora foi tomada uma decisão e teremos os candidatos que podem ser candidatos e assim a população vai poder fazer a sua escolha”. Na ocasião da decisão do magistrado Rogério Favreto, do TRF-4, de soltar Lula, Marina Silva repetiu sua defesa do autoritarismo judiciário para que o petista seguisse encarcerado: "A atuação excepcional de magistrado, durante um plantão judicial de fim de semana, não sendo o juiz natural da causa, não deveria provocar turbulências políticas".

Depois da eleição de Bolsonaro, Marina Silva considerou benéfica a escolha de Sérgio Moro para o cargo de Ministro da Justiça, aplaudindo a “consciência” de Moro: “Você pode ter uma espécie de Lava Jato dos que cometem crimes de corrupção contra o patrimônio ambiental brasileiro. É possível fazer, é necessário”. Uma postura grotesca da Rede em apoio ao regime golpista encabeçado pela extrema direita.

O ódio aos trabalhadores é também parte orgânica do DNA da Rede. Na cidade de São Paulo, a Rede, por meio de sua vereadora Alessandra Monteiro apoiou a reforma da previdência municipal, o chamado Sampaprev, projeto encaminhado pela administração do PSDB, encabeçada por Bruno Covas com o apoio de Doria no governo do Estado. Essa reforma de Doria, aos moldes da reforma federal de Bolsonaro e Paulo Guedes, impôs ataques profundos ao direito elementar de se aposentar após uma vida de trabalho, como o aumento da alíquota de contribuição de 11% para 14%, aumento da idade mínima para as aposentadorias comuns: 62 anos para as mulheres e 65 anos para os homens entre outros. Esse ataque brutal às condições de vida e de trabalho dos servidores públicos levou professores municipais e outras categorias a se mobilizar para derrubar o projeto, enfrentando a repressão policial do PSDB. A Rede esteve junto com esses algozes.

Marina Silva também é franca inimiga dos direitos das mulheres. Já disse em distintas oportunidades que é contra o direito ao aborto. Em 2018, numa sabatina promovida pela Veja disse inclusive que se o Congresso aprovasse sua legalização, ela vetaria. Utilizando de um falso discurso "democrático", Marina faz demagogia com uma pauta histórica do movimento de mulheres e ignora as mortes por aborto clandestino no Brasil.

Diante disso, como é possível ter qualquer ponto em comum com esse partido dos empresários, a Rede, e com a golpista Marina Silva, ferrenha apoiadora da prisão arbitrária de Lula e do autoritarismo judiciário? Como é possível considerar derrotar Covas e o regime do golpe institucional junto a “parceiros” tão ligados a esse mesmo regime golpista? Boulos construiu uma frente ampla, nesse segundo turno de São Paulo, que envolve os golpistas da Rede, junto a partidos burgueses como o PSB e o PDT, além dos conciliadores do PT e do PCdoB, vai na contramão do combate a Covas, ao PSDB, aos burgueses e golpistas.

Estamos juntos a todos os que querem enfrentar o regime do golpe institucional e seus agentes diretos, como Bruno Covas. Covas entrou na prefeitura justamente quando seu padrinho foi para o governo com a marca de BolsoDoria. Não a toa agora se coloca como defensor da lei e da ordem, enquanto se gaba da “arrumação das contas” com privatizações e cortes de direitos que aprovou. É o prefeito que impôs a reforma da previdência municipal através de uma repressão brutal às trabalhadoras e trabalhadores da educação, saúde e demais serviços públicos.

Mas precisamos lutar contra o regime do golpe institucional e todos os partidos políticos que o defendem. Não podemos apoiar politicamente uma frente com partidos burgueses e golpistas que aprovam e aplicam esses ataques, e que aplaudem o autoritarismo judiciário. Não é possível reverter o retrocesso desse regime golpista repetindo o mesmo caminho que o PT trilhou para abrir caminho a ele. Os votantes do PSOL esperavam uma alternativa à esquerda do PT, e recebem de Boulos a repetição da estratégia de conciliação petista. O resultado de uma frente dessa natureza é ainda pior no marco atual, de um regime político marcado pelo golpe institucional, pois significa aceitar governar uma cidade em base à obra política e econômica do golpe.

Lutamos contra Covas e Doria, mas não apoiamos essa frente ampla de Boulos com burgueses e golpistas. Lutaremos para impulsionar a autoorganização dos trabalhadores, das mulheres, dos negros e dos LGBTs na luta de classes para enfrentar e realmente derrotar Covas, Doria, Bolsonaro e todo o regime do golpe - e nesse caminho, batalhando pela construção de uma organização revolucionária firmemente erguida sobre a independência de classe.




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