Política

CORONAVÍRUS

Generais mantém Mandetta no cargo

Durante esta tarde ganhou peso a especulação de que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, seria demitido ainda hoje. O nome do deputado Osmar Terra, reacionário conhecido e ex-ministro do governo, já parecia engatilhado para a sucessão. Porém, momentaneamente, os militares palacianos conseguiram apagar as chamas da crise e postergar a demissão que parece inevitável.

terça-feira 7 de abril| Edição do dia

As crescentes desavenças entre o ministro e Bolsonaro vem se acumulando em torno de qual deve ser a política do governo federal para combater a propagação do coronavírus. Bolsonaro mantém sua linha negacionista e genocida pelo fim das medidas de quarentena, defendendo um inconsequente isolamento vertical, enquanto Mandetta está em maior sintonia com os governadores no campo oposto, defendendo o isolamento total, mas deixando de lado questões essenciais como a testagem massiva da população e a construção de leitos de UTI suficientes para enfrentar a crise.

Após almoço de Bolsonaro e seus ministro militares palacianos junto a Osmar Terra, para discussão do uso da hidroxicloroquina uma das polêmicas entre presidente e ministro, parecia se confirmar a troca de mando no ministério. Entretanto, a reunião ministerial no final da tarde, terminou sem novidades em relação a demissão de Mandetta. Nas palavras de Mourão:

“Mandetta segue no combate, ele fica. Tratamos de cenários, como a flexibilização do isolamento, no futuro”.

Conforme viemos analisando, entre a polarização de Bolsonaro x governadores, cresceu o papel de árbitro dos militares, tendo na presença do general Braga Neto a frente do comitê de emergência sua maior expressão. Jornalistas chegaram noticiar que o general ocupava o cargo de "presidente operacional" durante a crise. A briga de Bolsonaro com seu ministro pode ser para mostrar que ainda manda, mas o "intutelável" presidente dá sinais antes não vistos de contenção pela ala militar.

De um lado, a política dos governadores e de Mandetta, sendo aplaudida na população, e de outro Bolsonaro vendo sua aprovação cair, obrigando com que se relocalizasse junto a suas bases principais, o empresariado e parte dos evangélicos, colocando centro no discurso econômico, na prevenção do caos econômico posterior a pandemia. Entre a demagogia de Mandetta e dos governadores pela vida, e a demagogia de Bolsonaro pela preservação da economia, não vemos medidas consequentes de nenhum lado para salvar vidas e preservar o emprego e a renda dos trabalhadores.

Bolsonaro que se diz tão preocupado com o sustento das famílias de informais e autônomos durante a quarentena, ainda não anunciou o pagamento dos mínimos R$600 reais emergenciais para essa população que já passa fome. Do outro lado os governadores que se dizem tão pautados pela ciência, mas se restringem a quarentena, ignorando medidas que, conjuntamente às quarentenas, as tornariam mais racionais e eficientes, através da adoção de testes massivos que as orientassem.

As saídas insuficientes de Bolsonaro, dos governadores dos militares, mostra que uma política de "Fora Bolsonaro" não basta, é preciso dizer "Fora Bolsonaro, militares e golpistas". Quem está na linha de frente contra o coronavírus são os trabalhadores da saúde, e demais trabalhadores essenciais, que mostram quem de fato move a produção. Nossas vidas valem mais que o lucro dos empresários, e do cálculo eleitoral desses políticos.




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