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ENEM 2021

Gabarito do Enem nega racismo e afirma ser “imaturidade” mulher negra não alisar o cabelo

Com mais de uma questão polêmica, o gabarito oficial do Enem divulgado nesta quarta-feira pelo Inep, considerou alternativas corretas que negam a existência do racismo, com claro viés ideológico.

quinta-feira 28 de janeiro| Edição do dia

Imagem: Reprodução

Nesta quarta-feira, 27, o gabarito das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foram divulgados pelo Inep e houve certa polêmica em relação a algumas alternativas apontadas como corretas, visto que expressavam preconceitos e racismo.

A prova que deixa milhares de jovens de fora das universidades públicas todos os anos, o Enem, assim como outros vestibulares, servem como filtros sociais e raciais. Este ano, a barreira social aumentou, visto que a educação básica, especialmente a pública, sofreu impactos com a pandemia da Covid-19 e os impedimentos em acompanhar o ensino remoto. Isso ficou bastante claro com o recorde histórico de abstenção, chegando a 55,3% no segundo dia da prova.

Uma das questões, de inglês, trata sobre uma passagem do romance “Americanah”, da escritora feminista negra Chimamanda Ngozi Adichie, conhecida por escrever livros que tratam sobre as temáticas da resistência negra e feminismo. O trecho retrata o diálogo de uma cabeleireira com uma das personagens sobre alisar o cabelo. A resposta da personagem é “Eu gosto do meu cabelo do jeito que Deus fez". O exame perguntou então se “o posicionamento da cliente é sustentado por argumentos que” e a alternativa considerada correta (D) considerava que “demonstram uma postura de imaturidade”.

Houve outra questão que tratava de racismo, uma de linguagens e interpretação de texto, em que havia um texto sobre um software e algoritmo desenvolvido por uma universidade britânica que auxiliava a decidir quais candidatos passariam para a fase das entrevistas. O algoritmo excluía candidatos por sexo e/ou origem racial, por dedução baseada no nome e local de nascimento. O trecho ainda apontava que esse algoritmo ainda existe em pesquisas do Google, visto que ao pesquisar nomes comuns entre negros dos EUA, há 25% de chance de anúncios oferecerem checagem de antecedentes criminais. Segundo a correção do Enem, “o desnudamento da sociedade ao relacionar as tecnologias da comunicação e da informação com” a alternativa correta seria a (C), “linguagem”.

Com esses exemplos, fica claro a negação do racismo estrutural existente, gerando polêmica, visto o absurdo das alternativas consideradas corretas, ainda mais depois de um ano como 2020 que foi marcado pelo levante negro pelo Black Lives Matter em diversos país do mundo. Desde o início do governo Bolsonaro o Enem, pela primeira vez na história, não apresenta questões que tratem da ditadura militar no Brasil, expressando claramente o viés ideológico reacionário do governo federal.




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