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Greve MRV Campinas | “Furei o pé, peguei o ônibus sangrando, a empresa não chamou ambulância nem nada”, diz operário da MRV

Os trabalhadores da MRV, construtora do bilionário Rubens Menin, estão em greve em Campinas há quase um mês. Pedindo pela participação nos lucros e melhores condições de trabalho, os trabalhadores relatam em entrevista exclusiva ao Observatório do Esquerda Diário as condições de trabalho que enriqueceram a construtora e que hoje negam os direitos dos grevistas.

quarta-feira 18 de agosto | Edição do dia

No dia 26 de julho, cerca de 700 trabalhadores da MRV Engenharia entraram em greve pedindo pagamento do Programa de Participação nos Lucros e Resultados da empresa e por melhores condições de trabalho: “Gostaria que a empresa reconhecesse mais o valor do trabalho, realizamos sonhos das pessoas, mas não temos nosso trabalho reconhecido, que é tão arriscado”, conta um trabalhador.

Para a empresa que lucrou R$137 milhões apenas no primeiro trimestre de 2021, patrocina times e atletas e doa milhões para arenas, parece contraditório que aqueles cujas costas carregam a empresa precisem lutar por melhores condições de trabalho. Escancarado o terreno de trabalho precário e análogo à escravidão no qual a MRV construiu sua fortuna, os relatos dos trabalhadores de suas condições de trabalho mostram que o interesse da construtora é o de lucrar em cima das vidas dos seus trabalhadores:

Estava trabalhando numa obra, o andaime caiu e o disco de madeira da maquita passou perto do meu pescoço. Tenho um amigo que já perdeu um dedo trabalhando na construção civil, também por causa da maquita

As vidas dos trabalhadores da MRV estão sempre em risco pela negligência e descaso da empresa, que mesmo em ambiente onde o risco de acidentes é muito alto, ainda assim não oferece assistência, nem chama ambulâncias quando há de fato acidentes e muito menos oferece uma remuneração digna para uma exposição a um ambiente tão arriscado.

Furei o pé numa ponta de ferro, a empresa não chamou ambulância nem nada, fui andando até o ponto de ônibus com o pé sangrando

A elite e os patrões tentam tornar aceitável a precaridade do trabalho e a falta de segurança em prol da multiplicação das suas fortunas. A MRV já foi alvo de autuação sete vezes por trabalho análogo a escravidão, lucrando sob as asas do Estado e que mesmo explorando os trabalhadores brasileiros ainda lucrou milhões com acordos e subsídios com o governo.

Atingindo quase um mês de luta por condições de trabalho dignas e seguras, a MRV ainda cortou o salário dos grevistas e viola o direito de greve dos trabalhadores, os deixando completamente desamparados numa tentativa de cortar pela raiz o obstáculo que a organização dos trabalhadores representa à sua exploração desenfreada.

A luta dos trabalhadores da MRV é a luta dos trabalhadores que sofrem ataques da mesma elite que nega direitos básicos aos grevistas da MRV. É essa mesma elite que controla a nova “minirreforma” trabalhista e aprova a privatização dos Correios, ao lado da mídia burguesa que se recusa a noticiar a greve e a luta dos trabalhadores da construtora.

Veja mais: Estudantes da Unicamp impulsionam Comitê de Apoio à greve da MRV
- Carta das trabalhadoras em greve da MRV para as atletas olímpicas




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