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TERCEIRIZADAS SEM RECEBER | Funcionárias terceirizadas das escolas estaduais do RJ estão trabalhando sem receber salário

quarta-feira 19 de maio | Edição do dia

Auxiliares de serviços gerais das escolas da rede estadual do Rio de Janeiro estão trabalhando sem receber seus salários. As trabalhadoras terceirizadas da empresa Agile Corps não receberam o referente ao mês de abril, e no momento não tem nenhuma previsão de pagamento por parte da empresa ou da Secretaria de Educação do RJ (Seeduc). A Agile é uma das prestadoras de serviços do governo do Estado do Rio de Janeiro que tem funcionários lotados em diversas escolas da Capital.

Uma servidora terceirizada de uma escola da Zona Oeste do Rio relatou o descaso da patronal:

“Eles não dão uma posição certa. A Seeduc diz que já fez o repasse para a empresa, e a empresa fala que tá esperando o repasse. A gente não tem com quem se informar direito, porque cada um fala uma coisa. Os encarregados não dão uma satisfação direito para a gente e a gente fica nessa, com as contas atrasadas, tudo atrasado, e a gente tendo que ir trabalhar, porque se não for trabalhar a gente ainda leva falta.”

O pagamento ocorria normalmente quinto dia útil, mas a empresa atrasou e foi mudando a data prevista para o pagamento. Primeiro o disseram que pagamento sairia dia 14, depois passaram para o 17, e no dia 17 falaram que seria dia 20. No atual momento, a empresa afirma aos funcionários que o pagamento ocorrerá entre o dia 24 e o dia 30 deste mês.

Isso tudo com uma pandemia, na qual funcionários que trabalham com a limpeza, especialmente terceirizados, não tem prioridade na vacinação, quando deveriam pois estão na linha de frente do trabalho e tem que lidar diretamente com a higienização dos ambientes, ou seja, expostos diretamente à covid-19.

Com essas funcionárias, está ocorrendo o mesmo que ocorreu com as merendeiras terceirizadas do município do Rio no início do mês: a empresa Agile Corps afirma que não recebeu o repasse e por isso não dá previsão de pagamento. A Seeduc afirma que repassou a verba e também não dá satisfações às funcionárias e funcionários que seguem trabalhando nas escolas estaduais sem receber. O Secretário Comte Bittencourt e o governador Cláudio Castro seguem em campanha pela reabertura insegura das escolas estaduais sem garantir sequer o direito ao recebimento dos salários dos trabalhadores e trabalhadoras terceirizadas que prestam serviço nas escolas estaduais.

Além disso, a Agile Corps está pagando abaixo do piso salarial da categoria. A categoria deveria receber no mínimo R$ 1.301,00 , que é o piso, mas ao invés disso tem o salário de R$ 1.141,57 mais o salário família, que fica em média R$ 50. Com os descontos, acaba que o trabalhador termina o mês com menos de R$ 950 em sua conta.

A empresa também não paga vale alimentação. Ao invés disso, fornece uma cesta básica. Sem salário, as funcionárias ainda tem que ir trabalhar levando marmita de casa:

“Eles dão uma cesta básica com atraso e com produtos de péssima qualidade, e na maioria das vezes vem arroz com bicho e linguiça estragada.”

As trabalhadoras e trabalhadores da Agile Corps sofrem com a precarização cotidiana da terceirização, que ataca os direitos dos trabalhadores, sobretudo das mulheres negras, mostrando o racismo da patronal. Ao priorizar estas empresas e não garantir os direitos dos trabalhadores que prestam serviço nas escolas, o Estado do Rio de Janeiro é cúmplice desta situação. Preferem contratar empresas que atacam os trabalhadores para reduzir os gastos com a folha de pagamento. Depois, governantes como Castro, Paes e Bolsonaro lavam as mãos para os direitos destes trabalhadores.

A Agile Corps é a antiga Masan, empresa que ganha inúmeros contratos emergenciais no Estado e município do Rio de Janeiro. Empresas como esta não oferecem garantias de direitos aos seus trabalhadores, e muitas das vezes são usadas como laranjas. No município, por exemplo, a mesma empresa ganhou um contrato emergencial que não precisou de nenhuma licitação, recebendo R$ 36 milhões da gestão Paes para cuidar da limpeza em escolas da rede municipal. No passado, a mesma empresa teve como sócio Marco Antônio de Luca, réu na Lava-Jato. Ou seja, não há nenhum interesse de Paes ou Castro em procurar saber das práticas dos donos das empresas contratadas, e isso recai diretamente nas costas dos trabalhadores que ficam sem salário.

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