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Frente ao desmonte dos órgãos de controle indígenas fiscalizam seus próprios territórios

A Terra Indígena (TI) Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, sofre constantes tentativas de invasão de grileiros e exploradores ilegais das riquezas naturais. Na última terça-feira (26), um grupo de invasores foi expulso da linha 648 no município de Governador Jorge teixeira quando montavam um acampamento ilegal.

sábado 20 de março | Edição do dia

Foto: www.edition.cnn.com

O acampamento encontrado pelos indígenas seria a base de operações de um grupo que cortaria seringueiras numa suposta área de cultivo das árvores.

Awapy Uru-Eu-Wau-Wau, coordenador de vigilância da tribo, a partir de uma denúncia de invasão da área achou picadas e pisadas de cavalo que o levou a um homem que admitiu estar ali para cortar o seringal, a mando de um homem da região chamado ‘Pé de Louro’ e alegou desconhecer que a área era terra indígena.

O homem levou a equipe de vigilantes indígenas até o acampamento. De acordo com Awapy no acampamento “tinha barracas, colchões, tambores, motosserra, fardos e mais fardos de arroz, muita carne de caça, entre outras coisas. Explicamos que a área não tinha nada a ver com o seringal, que eles estavam dentro do nosso território”

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A Terra Indígena Uru Eu Wau Wau, que abriga os povos Uru Eu Wau Wau, Amondawa, Oro Win, Juma e outros grupos, rica em recursos hídricos e terra fértil é vítima de constantes violações por parte de madeireiros e garimpeiros.

As invasões se intensificaram desde 2019, primeiro ano do mandato de Bolsonaro cujos ataques constantes aos povos indígenas e por outro lado apoio incondicional aos interesses do agronegócio, vem fortalecido e encorajado os invasores. De acordo com Neidinha Suruí, da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, "há uma campanha de políticos e de associações de produtores que começaram a surgir agora reproduzindo o discurso do atual governo, de que a terra vai ser diminuída, vai ser revista.”

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Awapy, que teve o primo Ari Uru-Eu-Wau-Wau assassinado por espancamento em 2020, com 33 anos quando fazia parte da equipe de vigilância, diz sofrer há 4 anos ameaças de morte por liderar a equipe de vigilância.

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O debilitamento dos órgãos de fiscalização como o Ibama, o ICMBio e a Funai, é parte fundamental dessa escalada de invasões e ameaças aos indígenas e povos originários. A vigilância da terra indígena Uru-Eu-Wau-Wau, que passa por 13 municípios e tem 1,8 milhão mil hectares de área , está nas mãos de uma pequena comissão indígena que sabe da impossibilidade de fiscalizar todo o território “Com certeza tem outras invasões acontecendo, falta descobrir o local” disse Awapy.




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