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Eleições RJ | Freixo terá Cesar Maia como vice, uma campanha para lavar a cara da direita

Freixo terá o tucano defensor de milícia Cesar Maia como vice, uma frente ampla para reabilitar a direita tradicional no Rio de Janeiro.

segunda-feira 25 de julho | Edição do dia

Imagem: Redes sociais

Honrado, é assim que Marcelo Freixo disse estar com a confirmação da candidatura de Cesar Maia (PSDB) como seu vice na chapa eleitoral para o governo do Estado do RJ, na última sexta-feira (22). Esta confirmação e o entusiasmo de Marcelo Freixo com um tucano, uma figura da direita tradicional, privatista e repressora, popularmente conhecido por abrir espaço para o crescimento das milícias e o superfaturamento de obras durante seus três mandatos como prefeito do Rio, que é também pai de Rodrigo Maia, o grande artífice de ataques aos trabalhadores como as Reformas Trabalhista e da Previdência, expressa um salto em sua trajetória e seu programa burguês. Agora Freixo passa a ser indiferenciável da direita tradicional e pode estar orgulhosamente junto daqueles que acusava de responsáveis pela destruição do Rio, mas que hoje, supostamente em nome de combater o bolsonarismo, trata como aliados. E assim, mesmo diante disso tudo, o PSOL segue o apoiando, escancarando também o fim de qualquer independência política desse partido, nem mesmo em relação à direita tradicional.

Estamos a poucos dias de uma das maiores chacinas da história do Rio, que inclusive Freixo não condenou, limitando-se a se solidarizar com a família do PM morto e de uma mulher que era pastora e foi morta pela polícia, mas ignorando os outros 17 mortos na contagem e pior, dizendo que ele também fará operações policiais em seu governo, só que com inteligência, naturalizando operações que só servem para matar os negros e pobres nas favelas. Enquanto isso o governador bolsonarista Cláudio Castro está fazendo campanha política aberta em base ao sangue e terror do povo negro nas favelas cariocas.

Nesse cenário o debate sobre qual o caminho efetivo para enfrentar o avanço da extrema direita no país, que tem no Estado do Rio o berço do bolsonarismo, é central.

Nesse Estado onde o mandante do assassinato de Marielle Franco segue impune, onde as igrejas conservadoras e as milícias movem fortunas usadas em benefício de pastores bilionários e controlam territórios na base da violência e coerção, desmascarar a política cada dia mais abertamente de direita que Marcelo Freixo propõe para esse combate nas urnas, é decisivo para construir uma alternativa política independente que prepare as batalhas no nosso terreno, o da luta de classes. A conciliação de classes é o que abriu caminho à extrema direita, e Freixo quer seguir o mesmo caminho aqui no Rio, o único caminho para enfrentar consequentemente a extrema direita é oposto ao de Freixo e seus apoiadores do PSOL, o da independência política dos trabalhadores e da luta de classes e com um programa para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Freixo, que tanto vociferou contra a “máfia do PMDB que destruiu o Rio”, hoje se orgulha de ter como vice um político orgânico da direita carioca, por muito tempo do PFL, partido que foi parte do esquema de apoio ao governo Cabral (PMDB) na ALERJ, passando por PTB, DEM e agora PSDB, um clássico oligarca carreirista que deu fruto a nada menos que Rodrigo Maia, peça chave no golpe institucional e aprovação das reformas contra os trabalhadores, sobre o qual Freixo, cinicamente diz que: “pessoalmente, sempre me dei bem”.

Assim como todo político orgânico da direita, Cesar Maia arrasta sua história de corrupção, como no caso de nepotismo, quando em 2008, com a decisão do STF de proibir o nepotismo no Brasil, Maia transformou uma subsecretaria em secretaria para manter sua irmã na prefeitura, ou o superfaturamento de obras e desvio de verbas, principal polêmica de sua última gestão, com a construção da Cidade da Música. A obra foi considerada excessivamente cara, além de haver suspeitas de superfaturamento. Apesar de ter sido inaugurada em 2008 por Cesar Maia, não foi concluída de verdade por ele, embora tenham sido gastos mais de R$ 473 milhões.

A contradição se escancara no tema das milícias, já que Freixo, que construiu sua trajetória ligada à criação da CPI das milícias (política com a qual nós debatemos desde o início quando Freixo ainda estava no PSOL, apontando como seria incapaz de dar um combate sério a uma questão tão estrutural como a formação e crescimento das milícias), absurdamente, se sente honrado por ter como vice alguém contra o qual fazia as seguintes críticas em 2008, último ano de Maia na prefeitura:

"O prefeito do Rio de Janeiro chamou por muito tempo as milícias de autodefesa comunitária. Isso não é fechar os olhos. Isso é abrir os olhos e buscar um conceito para milícia que seja positivo. Se o poder público tivesse fechado os olhos, as milícias não teriam crescido tanto. Ele abriu os olhos, se interessou pelas milícias, ajudou a eleger pessoas que ocupavam cargos na segurança pública, incentivou. Estou falando de ações concretas como ajuda orçamentária a centros sociais controlados por milícias, permissão para que os chefes de milícias se candidatassem utilizando suas legendas.". Críticas corretas, mas o que mudou? Ou melhor, o que no Freixo de 2008 já indicava o caminho que o trouxe aos braços da direita?

Freixo alega que, o que justifica a “maior aliança que este campo político já fez no estado, são oito partidos.”, diz em declaração orgulhosa ao O Globo, é o "combate à máfia que tomou conta do Rio", se referindo no caso à máfia atual, bolsonarista, que segundo Freixo só pode ser combatida pela ampla aliança com quem for preciso, inclusive a máfia do PMDB, da direita neoliberal, que não por acaso é a mesma máfia que alimentou o crescimento das milícias, tão fundamentais para o bolsonarismo hoje, que vem providenciando sua exportação para todo o país.

Acontece que a confirmação de Cesar Maia como vice de Freixo é a mais nova e aberrante demonstração da ausência de limites a que pode levar a política de conciliação de classes, mas não é a primeira que buscamos debater aqui, nem será a última. Há muito tempo buscamos mostrar os limites de seu programa, que nunca foi anticapitalista, como debatemos nas eleições do Rio em 2016 com a candidatura de Carolina Cacau, que neste ano é pré-candidata à deputada estadual pelo Polo Socialista e Revolucionário, e declarou sobre um dos debates naquele momento:

“Freixo mostrou que segue firme em sua convicção de ser um “gestor responsável” ao invés de colocar eixo no ataque à propriedade dos capitalistas. Afirmou que irá “fiscalizar”, “auditar”, “rever” contratos com as OSs da saúde, mas nada de estatizar o sistema e colocar na mão dos trabalhadores e usuários. Disse que não irá descumprir leis (como a de Responsabilidade Fiscal) porque é “responsável”, deixando claríssimos os limites de até onde está disposto a ir para atender as demandas dos trabalhadores e do povo pobre: até o limite dos privilégios e da propriedade privada dos capitalistas.”

Para entender mais sobre nossa posição em 2016: Para realmente derrotar o PMDB e os empresários, precisamos construir uma força anticapitalista e revolucionária

E se é verdade que ao longo da trajetória de Freixo muita coisa aconteceu e o país mudou muito, também é verdade que a política de conciliação, a mesma que fez o PT em seus 13 anos de governo alimentar setores reacionários que chegaram fortalecidos para dar um golpe institucional e atacar ainda mais os trabalhadores, veio levando Freixo a um caminho sem volta. Sua ida para o PSB demonstrou definitivamente como estava disposto a assumir um projeto burguês, e nesse momento buscamos debater como seu programa e atuação política há anos o levou a esse destino.

Freixo trilhou seu caminho sem volta rumo à direita e sua aliança com Cesar Maia não pode oferecer nada de bom aos trabalhadores e juventude carioca. Enquanto isso o PSOL que mantém o apoio à sua candidatura, vai de mãos dadas pro mesmo destino, fortalecendo a conciliação que repetidamente nos levou a males cada vez maiores em nome do "mal menor". Não é a toa que o partido passa hoje por uma crise estratégica, inseparável de seu programa e dos passos crescentes de diluição, não somente detrás do PT, mas também de um programa de “gestão humana do capitalismo”, que fortalece políticas como as de Freixo ou a diluição no projeto de conciliação de classes de Lula e formando uma federação partidária com a Rede de Marina Silva, militante contra os direitos das mulheres ao próprio corpo com a legalização do aborto.

Por isso, hoje a batalha por reagrupar a vanguarda com uma perspectiva de independência política que nos prepare para atuar com força nos momentos de luta de classes que virão com a experiência das massas no próximo governo, seja ele qual for, e enfrentar a extrema direita que seguirá como força social organizada, independente do resultado das urnas, passa pelo combate não somente a política burguesa de Freixo, à conciliação petista (que pode deixar de apoiar Freixo em nome do conhecido Ceciliano, inclusive com possíveis acordos com Castro), mas também do PSOL.

Nesse sentido, chamamos a conhecer e contribuir com a candidatura de Carolina Cacau pelo Polo Socialista e Revolucionário, uma alternativa política que se expresse eleitoralmente com independência de classe ao mesmo tempo buscando toda unidade de ação possível na luta de classes, onde é o terreno dos trabalhadores.




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