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DEBATE COM O PSOL | Freixo articula com DEM para 2022: onde nos levará uma aliança com os nossos inimigos?

Está anunciado em colunas em jornais e declarações do próprio deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) que ele está buscando alianças com Paes e Rodrigo Maia do DEM para concorrer ao governo do RJ nas eleições de 2022 e supostamente construir uma frente contra Bolsonaro.

Carolina CacauProfessora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

sexta-feira 23 de abril | Edição do dia

Imagem: Agência O Globo

A intensificação da crise da pandemia acendeu o alerta no regime golpista, com medo de que a combinação entre as mortes por Covid e o caos sanitário, o desemprego, o aumento da fome, junto as crises política e econômicas, possa resultar em luta de classes. Por isso, os golpistas do STF, numa ação preventiva a esse cenário, reabilitaram os direitos políticos de Lula, para que ele possa cumprir o papel de contenção e desvio eleitoral em 2022. Nesse cenário as correntes de esquerda alinhadas na frente ampla, que defendem o impeachment, que derrubaria Bolsonaro, mas colocaria Mourão no poder, aprofundam seus planos de aliança com setores da direita supostamente opositores a Bolsonaro.

Nas últimas eleições, o PSOL se coligou com partidos burgueses como PDT, PSB e REDE, além do PT e PCdoB, Marcelo Freixo, deixou claro que nas eleições de 2022 que ir além desse arco de “alianças”. Como se não fosse motivo suficiente o atual colapso da saúde no Rio de Janeiro, além dos altos índices de desemprego, fome e precarização das condições de trabalho e vida, pelos quais o prefeito Eduardo Paes, junto ao governador Claudio Castro, são os responsáveis junto ao governo negacionista de Bolsonaro. As articulações de Freixo no Rio mostram que ele está disposto a se articular com um dos pilares da crise estrutural do Rio, Eduardo Paes que hoje é do DEM, era do MDB, um dos grandes responsáveis pela situação de crise do Rio de Janeiro nos últimos anos. Ele agora está fazendo um governo de continuidade, da repressão policial, das remoções que deixam famílias nas ruas e de ser um legitimo representante da burguesia. E ainda propõe se unir aos golpistas do DEM (partido herdeiro da ditadura militar), como Rodrigo Maia, responsável por aprovar a reforma da previdência de Bolsonaro que fará os trabalhadores, trabalharem até morrer sem aposentadoria. É uma ilusão embarcar com esses setores pois nem mesmo é verdade que estão contra Bolsonaro. O DEM votou em 2020, 90% dos projetos do presidente na Câmara, assim como o candidato de Freixo junto a Maia, Baleia Rossi.

Por trás de um discurso de que a prioridade é derrotar Bolsonaro, busca uma aliança com setores que governaram para os ricos na aliança PT-MDB no Rio de Janeiro e que depois não pensaram duas vezes em nos atacar quando a crise veio, além de terem sido parte do golpe que implementou a reforma da previdência e trabalhista. Não há qualquer balanço do erro da conciliação de classes que redundou no fortalecimento da direita e de retrocessos profundos que rasgaram a constituição de 1988.

Falta um sujeito sempre nas declarações de Freixo, a classe trabalhadora, essa que tem organizado desde o ano passado pequenas ações frente a pandemia, os trabalhadores que com as tréguas da burocracia sindical, nunca questionada pela esquerda, seguem por enquanto, sem dar uma resposta na luta de classes para essa situação nacional. Para Freixo, a classe trabalhadora é uma massa eleitoral e seu papel é votar nas articulações conciliadoras da esquerda para 2022. Não passa por essa articulação, que seja pela via da luta de classes e a organização dos oprimidos junto a classe trabalhadora que possamos derrotar Bolsonaro e todo o regime do golpe.

Os problemas do Rio de Janeiro não serão resolvidos com frente ampla com a direita ou nas próximas eleições do ano de 2022. Não é possível resolver nossos problemas com manobras com nossos inimigos, mas com a organização da nossa classe. A política de frente ampla que o Freixo tanto defende debilita as forças dos trabalhadores e sua auto-organização para enfrentar todos os ataques, são posições que colocam a esquerda a reboque da direita reacionária e estimula nos trabalhadores a confiança no regime político do golpe. No sentido oposto, essa aliança com a direita não só não toca em nenhum aspecto estrutural dos problemas do Rio, como tem a perspectiva de aprofunda-los. Menos ainda sentar com setores da bancada da bala, para debater segurança pública, como fez recentemente, coerente com sua política de defesa da polícia, totalmente na contra mão da luta negra no Brasil e no mundo.

O PSOL seguirá esse caminho de se moldar às instituições para assumir o poder do estado tal como busca Freixo ou buscará fincar o terreno da esquerda com ideias radicais, que vão a raiz do problema, que possam se fundir com a classe trabalhadora em suas lutas?

O PSOL nos últimos anos assumiu para si a política de Freixo a partir de uma conclusão de sua derrota em 2016 de que seria necessário adaptar as ideias a um centro conservador no Rio para ganhar as eleições. Essa política colocou em jogo a independência política do partido nos últimos anos quando Tarcísio assumiu para si a defesa do investimento e inteligência para as polícias em 2018, mesmo sabendo que isso poderia ser usado para incrementar a repressão aos movimentos sociais e nas favelas, culminando em 2020 na candidatura de Renata Souza junto a um vice policial, ignorando o Black Lives Matter que tomou os EUA e questionava justamente o papel dessa instituição.

É preciso unificar as fileiras operárias em todos os seus locais de trabalho, mas ao invés disso Freixo organiza saídas institucionais que só podem resultar em mais ataques contra os trabalhadores. Ao invés de colocar seu peso parlamentar para pressionar as centrais sindicais a colocarem seu peso na luta e organização dos trabalhadores contra Bolsonaro, Mourão e os governadores, se articula com golpistas para 2022.

Hoje no Rio de Janeiro, de um lado estão merendeiras que estão sem salários há 4 meses, porque Paes e as empresas não querem pagar, estão os trabalhadores dos serviços essenciais, como os garis e rodoviários que lutam por vacina, estão os profissionais da saúde brutalmente precarizada, os servidores municipais que terão sua aposentadoria diminuída pela Reforma Previdenciária de Paes. Do outro está o prefeito que articulou todos esses ataques, e que voltou a prefeitura pra mostrar que seguirá governando pros ricos e poderosos, qualquer aliança com esses setores irá fortalece-los contra a nossa classe e é isso que Freixo faz nesse momento.

Frente a ilusão de que seria possível salvar esse regime, nós do Esquerda Diário defendemos uma assembleia constituinte e livre e soberana que seja imposta pela luta dos trabalhadores, que possa dar condições reais aos problemas sociais que o Rio de Janeiro e o país enfrenta.




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