Educação

NOVO MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Fraude ambulante: Ministro da Educação mentiu sobre ter sido professor efetivo na FGV

O ministro da educação também teria mentido sobre título de doutorado e pós-doutorado.

terça-feira 30 de junho| Edição do dia

Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil / MArcello Casal Jr/Agência Bras

A Fundação Getúlio Vargas, onde supostamente o novo ministro da educação teria sido professor e pesquisador, afirmou que Decotelli nunca foi professor efetivo da instituição. Segundo nota divulgada pela FGV, o ministro atuou apenas em cursos de educação continuada. Contudo, segundo a CNN, a professora Brigitte Wolf, da Universidade de Wuppertal, na Alemanha, que teria sido a orientadora do pós-doutorado de Decotelli, afirmou que na universidade ele era tido como professor da FGV. A Universidade de Wuppertal informou à reportagem que ele teve estadia de pesquisa de três meses, mas não tem um título. O ministro dizia ser pós-doutor pela universidade. Ser pós-doutor não é considerado título, mas exige conclusão de doutorado.

Decotelli, por sua vez, afirmava em seu Lattes ter o título de doutorado pela Universidade Nacional de Rosário (UNR), na Argentina, afirmação esta que também foi desmentida pela instituição. O reitor da UNR afirmou por meio da sua conta no twitter que o ministro não obteve sua titulação, porque sua tese foi negada pela banca. Não bastasse todos essas fraudes, Decotelli também está sendo investigado por plágios em sua tese de mestrado, na qual há trechos inteiros copiados.

Sobre as acusações, o ministro afirma que finalizou a pesquisa de pós-doutorado: "Na hora em que foi concluído o trabalho, tinha de ser registrado num cartório acadêmico. E no cartório tem lá a pesquisa completa registrada." Sobre a acusação no mestrado, admitiu uma "distração". "Você lê muito, tem de obrigatoriamente ter disciplina mental para escrever, revisar e o que citar tem de mencionar." Mas disse que plágio só ocorre quando há "CtrlC+CtrlV". "Não foi isso." Quanto ao doutorado na Argentina, desmentido pela universidade, reiterou ter concluído os créditos, mas não teve condição de voltar ao país para apresentar a tese após adequação sugerida pela banca.

A posse de Decotelli como ministro da educação foi adiada após as fraudes reveladas. A nomeação desse novo ministro seria uma aceno de Bolsonaro ao centrão, que apoiava a indicação após a saída de Weintraub.




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