COLUNA

Fotojornalismo no Brasil: Uma breve entrevista com Evandro Teixeira e um resgate histórico do movimento estudantil

Evandro Teixeira, deixa para a história do Brasil uma das principais fotografias do período da ditadura militar. Considerado um dos principais fotojornalista do nosso país, Evandro Teixeira também se inclui na Enciclopédia Suíça de Fotografia, que reúne os maiores fotógrafos do mundo. O movimento estudantil no período da ditadura foi vanguarda na luta contra o regime militar, em tempos de governo Bolsonaro e Mourão herdeiros dos porões da ditadura os acontecimentos do passado reafirmam a necessidade e potência do movimento estudantil para os problemas e desafios de nossa época.

sábado 27 de março| Edição do dia

Foto: Evandro Teixeira.

No dia 21 junho de 1968 as ruas do centro do Rio de Janeiro protagonizaram um dos momentos mais sangrentos para o movimento estudantil no regime da ditadura no Brasil, esse período ficou conhecido como a sexta feira sangrenta, onde 23 jovens morreram pela repressão policial e autoritarismo do Estado. Exatamente nessa manifestação você capturou um das imagens mais marcantes do período da ditadura militar, um jovem sendo perseguido por policiais e caindo ao chão. Como foi vivenciar esse momento tão marcante da história do movimento estudantil?
Na época, eu tinha a noção da importância da cobertura, mas estava tomado pela atenção que o fato exigia de mim profissionalmente e pelo frisson que o conflito despertava. Com o passar dos anos, as minhas fotos sobre o Movimento Estudantil e a Ditadura se tornaram históricas, fazem parte de documentos e estudos da época. Então, aquela cobertura se tornou marcante na minha história pessoal, pois vivi intensamente um momento tão importante na nossa história, e profissional, pois se trata de um registro único feito por mim.

Suas fotografias tem um jogo de imagem em movimento, que refletem uma época, bastante característica da história do nosso país. A fotografia desse jovem na sexta-feira sangrenta em 1968, é um exemplo bastante claro disso, no entanto ela contém uma contradição emblemática, pois ao mesmo tempo que impressiona, é marcada por um momento histórico terrível e triste da história do nosso país. O que você acha disso?
Acredito que eu tenha desenvolvido uma identidade no meu trabalho. A maioria das minhas fotos trazem este movimento, a gente observa a imagem e percebe aquele momento por vários ângulos, várias mensagens subliminares estão contidas naquele registro de uma realidade.

Você viveu, viu e registrou mais momentos históricos importantes, como a própria ditadura no Chile e a representação nacional em Santiago e registro da morte do poeta Pablo Neruda. Depois de alguns anos, olhando para realidade do nosso país hoje, marcado pelo governo Bolsonaro e por uma pandemia, o que tira de lição do passado para os problemas atuais de hoje?
Que evoluímos mas muito vagarosamente. Que somos reféns de um governo e que somos uma sociedade pouco ativa. Ir pra ruas é um movimento que acontece muito raramente. Somos muito obedientes. Infelizmente, sinto hoje que estamos retrocedendo em vários campos. Educação por exemplo. Um país que não investe na educação, na cultura, na ciência e na saúde fica muito comprometido.

As marcas da história provam que os estudantes são chamas ardentes que podem incendiar toda a classe trabalhadora, maio de 1968 na França é um grande exemplo disso, estudantes ao lado dos operários franceses colocaram em xeque o controle e a dominação da burguesia imperialista francesa. A unidade entre os estudantes e os trabalhadores em maio de 68 na França, provou para o mundo que aliança da juventude com a classe operária pode ser o estopim de lutas preparatórias para a revolução.

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Maio francês de 68 teve forte influência mundial, enquanto o Brasil estava sendo marcado historicamente pelo período da ditadura militar, com repressões, assassinatos, torturas e perseguições, os exemplos de lutas na França alcançou o Brasil e acendeu na juventude o desejo e a vontade de lutar contra regime militar e repressão do Estado. Junho de 1968 deixou marcas profundas no movimento estudantil no Brasil, o próprio presidente, Costa e Silva, declarou nessa época que não deixaria o Rio de Janeiro, se tornar a nova Paris. No dia 20 de junho 1968, quinta-feira, 400 estudantes foram presos após uma assembleia e expostos as violências e humilhações policiais, consequência disso, no dia 21, uma sexta-feira, as chamas de maio de 68 na França acenderam nas ruas do centro do Rio de Janeiro e pela primeira vez o movimento estudantil reagiu contra a violência policial e foram para cima dos policiais. Esse acontecimento durou 12 horas de batalha da juventude contra os policiais, ficou conhecido como sexta-feira sangrenta, onde 23 jovens foram assassinados, além dos jovens feridos e presos pelo autoritarismo e violência do Estado.

Cinquenta e três anos se passaram e a juventude de nossa época é marcada pelo governo de extrema direita de Bolsonaro e Mourão, por uma crise econômica e sanitária que nos lançam aos trabalhos precários, desempregos e exposição ao vírus. Somos a juventude pobre e negra que a burguesia sistematicamente impede de sonhar e viver, somos milhares de jovens impedidos do acesso ao ensino superior devido ao vestibular, somos milhares de jovens com problemas psicológicos desenvolvidos pelas misérias do sistema capitalista. Porém ao mesmo tempo somos milhões e milhões de jovens herdeiros da chama da revolução. Não deixemos a miséria do possível ofuscar o nosso papel histórico ao lado dos trabalhadores e de todos os operários desse mundo.

Se a juventude tem vontade de viver e sonhar, vamos viver e sonhar alto com os pés no chão e colocar abaixo todas as amarras que nos prendem! Um apelo a toda a juventude do nosso país.




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