Sociedade

Violência Policial

Fotógrafo que perdeu visão por tiro da polícia em manifestação espera há 20 anos por indenização

Alex Silveira teve seu pedido de indenização negado pela justiça de SP em 2014, considerando-o “culpado” por ter sido atingido por uma bala de borracha da PM. O fotógrafo recorreu ao STF, mas até agora não houve julgamento

sexta-feira 4 de junho| Edição do dia

Fotógrafo Alex Silveira, atingido por uma balada de borracha durante protesto em SP em 2000 — Foto: Caio Guatelli

Em uma cobertura de uma manifestação de professores no ano 2000, quando trabalhava para o jornal ‘Agora SP’, Alex Silveira foi uma das vítimas da brutal repressão da polícia militar de São Paulo, levando um tiro de bala de borracha no olho, o que fez com que o fotógrafo perdesse a visão. Em 2014, a justiça paulista chegou a cometer a aberração de alterar a sentença que condenava o estado a pagar 100 salários mínimos de indenização para que o fotógrafo fosse considerado culpado pelo tiro que levou.

Com a visão do olho esquerdo comprometida em mais de 85%, Alex recorreu da absurda sentença no STF em maio de 2019.

O caso, que começou a ser julgado apenas em agosto de 2020, não teve uma resolução até agora, voltando à pauta somente na próxima quarta-feira (9), 2 anos depois de recorrer e 20 anos esperando por justiça.

O acontecimento voltou à tona após novos casos de violência policial como a repressão bárbara que ocorreu no protesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no centro de Recife (PE), no último sábado (22), com dois homens sendo atingidos nos olhos pelos tiros da polícia militar e ambos perdendo parte da visão. Daniel Campelo da Silva, de 51 anos, perdeu o olho, além de ainda ter sido atingido outra vez, pelas costas. Jonas Correia de França foi outra vítima atingida no olho e que tem 99% de chance de perda total da visão. Segundo familiares, as duas vítimas não estavam nem mesmo no ato, tendo ido ao centro em função do trabalho. O filho do taxista Daniel declarou que não houve violência no ato até então, e que a polícia começou a “atirar do nada”. A polícia também teria negado assistência e ainda impediram com que familiares chegassem para prestar ajuda.


Daniel da Silva perdeu parte da visão após ser atingido no olho por bala de borracha atirada pela PM em protesto contra Bolsonaro — Foto: Hugo Muniz

A brutalidade vem se tornando cada vez mais o modus operandi da polícia militar, que possui cada vez mais certeza da impunidade para seus crimes perversos contra a população, especialmente sob governo Bolsonaro, pelo qual imprimem cada vez mais censura ao povo por meio do uso da força. Enquanto isso, o judiciário conivente, deixa as vítimas esperando por indenização por décadas




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