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DESMATAMENTO

Forças Armadas reforma quartéis com verba de combate à incêndio na Amazônia

Orçamento milionário ligado ao combate do desmatamento na Amazônia, superior às verbas do Inpe e outros órgãos ambientais, foi entregue às Forças Armadas mas foi parar na reforma de quartéis, segundo reportagem da revista Piauí.

terça-feira 6 de outubro| Edição do dia

Segundo investigação da revista Piauí a "Operação Verde Brasil 2", iniciada em meados de maio e prorrogada até 6 de novembro, obteve autorização para gastar nesses seis meses 418,6 milhões de reais com a presença das Forças Armadas na Amazônia, valor que corresponde a mais que o dobro do orçamento anual para combate ao desmatamento de órgãos ambientais e da verba para o monitoramento por satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), responsável pelos alertas e pela taxa oficial de desmatamento. 

Contudo, ao invés do valor ser utilizado no combate aos incêndios, o dinheiro da operação já bancou a reforma dos telhados, a pintura das paredes e troca de revestimentos, pisos, portas e esquadrias do 47º Batalhão de Infantaria, distante de Juara, município no Mato Grosso, e fora dos limites da Amazônia Legal. A troca de portas e esquadrias de madeira, vidro e alumínio consumiu mais 545 mil reais. Até 24 de setembro, o 47º Batalhão havia registrado despesas de 2,1 milhões de reais na conta da Verde Brasil 2. Outra unidade do Exército que usou dinheiro da operação Verde Brasil 2 para reformar as instalações foi o 44o Batalhão de Infantaria Motorizado, em Cuiabá, dentro da área da Amazônia Legal, contratando a troca do telhado, além da reforma das instalações elétricas e pintura nova. As despesas lançadas em setembro ultrapassaram 1,2 milhão de reais.

Só em agosto, o Centro de Inteligência do Exército contratou empresas por mais de 1,5 milhão de reais em gastos sigilosos e os documentos lançados no sistema do Tesouro Nacional não registram os nomes das empresas nem os motivos dos gastos, informações “protegidas por sigilo”, e em nenhures é explicado em que essas reformas contribuem no combate ao desmatamento. Mas foi em setembro que os gastos da operação dispararam, sobretudo por conta da compra de combustível por 22,5 milhões de reais pelo Centro de Obtenção da Marinha no Rio de Janeiro, isoladamente a maior despesa da Verde Brasil 2. Foram mais de 6,4 milhões de litros de diesel marinho e diesel especial, 100 mil litros de querosene de aviação e mais 55 mil litros de gasolina e óleo diesel rodoviário. 

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O vice-presidente Hamilton Mourão, no comando do Conselho Nacional da Amazônia Legal, reclamava da falta de verbas, mesmo quando no início de julho, com menos de dois meses de existência, a Verde Brasil 2 já havia comprometido para gasto (de novo, os empenhos) mais do que o Inpe em nove meses, tendo a desfaçatez de declarar que as Forças Armadas não haviam recebido “um centavo” para combater o desmatamento. Todavia, ainda que seja apontado o absurdo, em nada espanta a declaração de Mourão, quando o mesmo, ferrenho defensor do agronegócio, também declarou que as queimadas no Pantanal e na Amazônia estavam sendo superdimensionadas, diminuindo os horrores que a população assiste da destruição ambiental em prol dos lucros do agronegócio e a ambição capitalista. 

Os incêndios criminosos de grileiros, mineradores e latifundiários, queimadas incitadas pela sede de lucro dos capitalistas, carregam em suas chamas a declaração nefasta de Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente escolhido a dedo, de que era preciso "passar a boiada" nos territórios preservados ou demarcados para as populações originárias e quilombolas, e expressa o significado da ganância capitalista na corja Bolsonaro, Mourão e militares, Paulo Guedes e Congresso, onde estão todos juntos para descarregar ataques nos trabalhadores, na população pobre, originária e quilombola, na destruição do planeta, para manter seus lucros em dia.




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