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O que sabemos até agora | Fogo destruiu acervo de Glauber Rocha e 4 toneladas de documentos sobre a história do cinema

O incêndio criminoso, e anunciado de antemão, destruiu 4 toneladas de documentos sobre a história do cinema no Brasil. "É como se, de repente, você queimasse todo o arquivo do Ministério da Economia de 1950 pra frente. Não tinha só ’coisa para pesquisador’. Eram todos os dados, o arquivo, que a gente usa, filmes, informações sobre eles", afirmou o cineasta Francisco Martins, diretor da Associação Paulista de Cineastas (Apaci).

sexta-feira 30 de julho | Edição do dia

Cineasta Glauber Rocha fazendo uma de suas muitas poses para a câmera

Até agora o prejuízo do incêndio que tomou o galpão da Cinemateca Brasileira, localizado na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo, se mostrou imenso. Não sabemos exatamente tudo o que se perdeu, mas as informações que temos agora mostra o quão criminoso foi o Governo Federal em negligenciar as denúncias feitas pelos próprios trabalhadores da Cinemateca.

Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça foi a frase que sintetizou a arte de Glauber Rocha, autor de filmes consagrados como Terra em Transe e Deus e o Diabo na Terra do Sol. O fogo parece simular uma vingança tardia à profecia de Glauber Rocha, acerca do governo Bolsonaro, expresso em Terra em Transe. Quem nunca viu, veja antes que as hordas queimem o que restar da cultura nacional.

De acordo com os funcionários da Cinemateca, o galpão armazenava:

- grande parte dos arquivos de órgãos extintos do audiovisual, relacionados aos trabalhos da Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) e do Instituto Nacional do Cinema (INC), ambos criados nos anos 1960, e do Conselho Nacional de Cinema (Concine), criado nos anos 1970;

- parte do acervo de documentos do cineasta Glauber Rocha, como duplicatas da biblioteca dele;

- parte do acervo da distribuidora Pandora Filmes, com cópias de filmes brasileiros e estrangeiros em 35mm;

- parte do acervo produzido por alunos da ECA-USP em 16mm e 35mm;
parte do acervo de vídeo do jornalista Goulart de Andrade;

- equipamentos e mobiliário de cinema, fotografia e processamento laboratorial, muitos deles fundamentais para consertos de equipamentos em uso e relíquias que iriam compor um futuro museu;

- matrizes e cópias de cinejornais, trailers, publicidade, filmes documentais, filmes de ficção, filmes domésticos, além de elementos complementares de matrizes de longas-metragens, todos estes potencialmente únicos.

O cineasta Francisco Martins afirmou: "É como se, de repente, você queimasse todo o arquivo do Ministério da Economia de 1950 pra frente. Não tinha só ’coisa para pesquisador’. Eram todos os dados, o arquivo, que a gente usa, filmes, informações sobre eles"

A Cinemateca sobreviveu ao nazista Roberto Alvim, à amante da ditadura Regina Duarte e estava sobrevivendo ao atual secretário especial de Cultura, o malhação Mário Frias. Mas não sobreviveu a 2 anos e meio de governo Bolsonaro. Glauber Rocha, produções da ECA, acervo da Pandora Filmes, esses e tantos outros documentos são de absoluta inutilidade ao bolsonarismo. A nós, trabalhadores e amantes da sétima arte, são patrimônio inestimável.




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