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Entrevista | Flavia Valle diz “arrancar justiça para Bárbara Vitória com nossa luta contra os ataques”

O corpo da menina de 10 anos desaparecida no último domingo após sair para comprar pão na região metropolitana de Belo Horizonte foi encontrado ontem. Há indícios de que ela foi estuprada e enforcada. Conversamos com Flavia Valle, pré-candidata a Deputada Federal do MRT pelo Polo Socialista Revolucionário, sobre esse caso revoltante.

quarta-feira 3 de agosto | Edição do dia

Esquerda Diário: Flavia, o assassinato de Bárbara Vitória, de apenas 10 anos de idade, tem causado bastante comoção. Esse caso acontece em MG, que é o estado com mais feminicídios no país. O que você tem a dizer desses fatos?

Flavia Valle
: Lembrar disso embrulha o estomâgo, diante da dor, estupro e assassinato de uma menina de 10 anos, não é uma infeliz coincidência, é um retrato revoltante do que esses governos e esse regime malditos têm a oferecer pras mulheres e meninas. Bolsonaro e os setores mais reacionários da política nacional certamente vibram com “a moral e os bons costumes” da “tradicional família mineira”. Aliás, quem não se lembra que o governador Romeu Zema disse que a violência contra as mulheres é um instinto natural dos homens?. Embrulha o estômago lembrar disso diante da dor pelo estupro e assassinato de uma criança, uma menina de 10 anos que só saiu para comprar um pão! Zema é responsável por MG estar no ranking de feminicídios no país. Por isso é preciso arrancar justiça para Bárbara Vitória com nossa luta contra os ataques às mulheres, a todos, todas e todes oprimides e aos trabalhadores. Afinal, a classe trabalhadora é majoritariamente feminina e sofre dia a dia com essas expressões mais reacionárias do que significa o capitalismo e o patriarcado para as mulheres e também para LGBTQIAP+.

ED: Os parentes e vizinhos de Bárbara acabam de protagonizar uma manifestação de última hora clamando por justiça. Isso é o que você chama de “arrancar justiça com a luta”, Flávia?

FV: É um ponto de apoio fundamental para isso, é um importante exemplo. Como estava dizendo, certamente a ampla maioria das 154 famílias que no ano passado choraram a perda de uma mulher pelo simples fato de ser mulher são famílias trabalhadoras. A violência contra as mulheres tem que ser assunto não só das famílias das vítimas ou do movimento de mulheres, deve ser assunto dos sindicatos! Isso é fundamental porque sabemos que não podemos contar com políticos, patrões, empresas, nem mesmo com a justiça burguesa, menos ainda com a polícia racista, que há 2 semanas matou a sangue frio um morador da Vila Barraginha, gerando revolta e protesto da população. Nunca nos deram nada, sempre tivemos que arrancar, e para fazer justiça por Bárbara e cada uma das nossas mulheres e meninas precisamos reunir todas as nossas forças. Imaginem se, por exemplo, o sindicato da minha categoria, que mobiliza milhares e milhares de professores e trabalhadores da educação em toda MG, levantasse a bandeira de justiça por Bárbara junto com as bandeiras para responder à crise política e social que vivemos? Seria uma força incomensuravelmente maior, e valiosa, pois precisamos enfrentar o golpismo de Bolsonaro e dos militares, assim como levantar respostas para a crise como a divisão das horas de trabalho sem rebaixar os salários e a revogação da reforma trabalhista. Faremos isso com banqueiros e a FIESP, como apontam não só Lula e o PT, mas inclusive setores da esquerda? Jamais, a dita “frente ampla” é uma armadilha, pois onde cabem nossos inimigos de classe, não cabem as demandas dos trabalhadores, do conjunto das mulheres, negros, indígenas, LGBTQIAP+.

ED: Em MG, frente a uma situação extrema, com o estado sendo aquele com maior índice de feminicídio, Alexandre Kalil seria uma alternativa às políticas de Romeu Zema para as mulheres?

FV: De forma alguma. Como pode ser uma alternativa um político de direita, que é de um partido do centrão que ajudou a aprovar os ataques do Bolsonaro até aqui? Como pode ser que o prefeito que atacou as mulheres não só com declarações machistas mas inclusive com a destruição de uma das principais maternidades de Belo Horizonte seja aliado das mulheres? Não vai ser trocando o governador que vamos resolver o problema da violência contra as mulheres em MG, mas sim conquistando com a nossa luta um plano de emergência contra a violência às mulheres. A candidatura que mais representa a luta por um programa feminista e socialista é a de Vanessa Portugal do PSTU, que compartilha comigo o Polo Socialista Revolucionário.




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