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GREVE DE GARIS

Flavia Valle: "Greve de garis de BH é exemplo para lutar por vacina para todos"

Em meio a um momento crítico de crise sanitária, econômica e social, o Esquerda Diário recebeu o depoimento de Flávia Valle, professora do estado de Minas Gerais e militante do Movimento Nossa Classe e do grupo de mulheres Pão e Rosas, sobre a importante mobilização dos garis em Belo Horizonte. Confira.

quarta-feira 31 de março| Edição do dia

"3780 mortos por dia. Em Belo Horizonte apenas essa semana já foram duas mortes por falta de leitos, e duas por falta de respiradores. A fome e o desemprego estão se generalizando. O novo auxílio emergencial, que deveria ser de pelo menos um salário mínimo, é totalmente insuficiente para responder às necessidades do povo.

Nesse contexto, muitos trabalhadores incluídos nos serviços essenciais não podem fazer quarentena e são obrigados a ir trabalhar, como o caso dos garis. O absurdo é o fato de que eles não foram vacinados, mesmo se expondo todos os dias. Mas eles mostraram a força que a organização dos trabalhadores possui. Por isso, os garis de BH paralisaram suas atividades a partir das 17h da última terça-feira, 30, até a vacinação imediata da categoria contra a covid-19.

Enquanto a direita sai às ruas com passeatas ridículas que foram um fiasco para comemorar o golpe asqueroso de 64, os garis nos mostram a enorme potência da classe trabalhadora para impor uma saída da nossa classe.

Nesta semana, a prefeitura de BH sob gestão de Kalil (PSD) anunciou a criação de um cadastro para a vacinação de trabalhadores das forças de segurança, fiscais de controle urbanístico e da limpeza urbana, que devem ser incluídos em grupos prioritários.

A contradição é que o presidente do Sindicato de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana de BH (Sindeac), Paulo Roberto Silva, afirmou que a medida não teve um resultado positivo sobre a questão, pois não há ao menos uma data para o início da vacinação desses trabalhadores.

Estamos em meio ao governo Bolsonaro, que passa por um momento de muitas mudanças nos ministérios, com o Centrão se fortalecendo e se impondo sob Bolsonaro em detrimento dos militares, cuja crise de apoio que se revelou na Alta Cúpula ainda precisa ser inteiramente dimensionada. Apesar das mudanças no governo, todos os setores do regime têm um acordo: descarregar a crise nas costas dos trabalhadores e do povo pobre. Bolsonaro, Mourão, Congresso Nacional, o STF e todos os governadores querem aplicar mais ataques como a reforma da previdência que já apoiaram para continuar descarregando a crise nas costas dos trabalhadores mais precários.

A situação dos garis e de tantos trabalhadores hoje é reflexo direto dos governos, inclusive do governo de Zema (Partido Novo), que não surpreende ninguém por ter saído algumas vezes em defesa do negacionista Bolsonaro. Zema mostra que a situação real dos trabalhadores no estado que governa é de total descaso, não a toa esse ano ele também descontou na remuneração de trabalhadores da saúde em meio à pior fase da pandemia.

Por isso os garis mostram o caminho: apenas a nossa mobilização é capaz de garantir vacina para todo o mundo e impor a quebra de patentes, junto com a defesa de um plano emergencial dos trabalhadores contra a pandemia para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Se as centrais sindicais já vinham em paralisia há tempos, agora com a reabilitação de Lula como presidenciável para 2022 coloca esses sindicatos ainda mais como construtores da passividade da nossa classe. Por isso, as demais categorias devem se inspirar com o exemplo dos garis e exigir das suas direções que parem de trégua e organizem os trabalhadores mesmo com as dificuldades da pandemia, com assembleias e reuniões de base presenciais ou virtuais."




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