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"Fermento pra massa" de Criolo e a greve dos trabalhadores rodoviários da Carris

Luno P.

"Fermento pra massa" de Criolo e a greve dos trabalhadores rodoviários da Carris

Luno P.

Quando paralisam aqueles que fazem a cidade girar (os rodoviários), se paralisa tudo, inclusive a produção de pão. Mas, ao contrário do que quer a grande mídia, isso não é o suficiente para voltar a população contra os trabalhadores. É isso que se expressa hoje em Porto Alegre, com a forte greve da Carris contra a extinção dos cobradores e a privatização da empresa.

Fermento para Massa é uma música do cantor e compositor brasileiro Criolo, do álbum Convoque seu Buda de 2014. Nela, em formato de samba, Criolo narra a o cotidiano de um trabalhador que, frente as fortes greves de ônibus do ano de 2014, sendo aqui em Porto Alegre uma greve histórica dos trabalhadores rodoviários que durou 14 dias, terá que comer pão murcho pois se aqueles que movem toda a cidade (os rodoviários) param, a cidade de conjunto para, inclusive o padeiro e a produção de pão.

"Hoje eu vou comer pão murcho
Padeiro não foi trabalhar
A cidade tá toda travada
É greve de busão tô de papo pro ar"

Mas, o que tem de mais interessante nesta música - além do samba leve que te convida a dançar - é que a narrativa que ela introduz ainda serve aos dias de hoje e continuará a servir enquanto ainda existir a luta de classes. Hoje, também em Porto Alegre, os rodoviários da Carris estão em uma forte batalha contra Melo e os empresários do transporte que querem privatizar uma das únicas empresas de ônibus pública do Brasil e aprovar a extinção do cargo de cobrador, um profundo ataque não só aos trabalhadores rodoviários, acarretando demissões e mais precarização do trabalho e funções acumuladas, mas ao conjunto dos trabalhadores de Porto Alegre e a juventude.

Nós da Juventude Faísca e do Esquerda Diário estivemos lado a lado com os trabalhadores desde às 4h da manhã em todos os dias de piquete, lutando contra a privatização e extinção dos cobradores, defendendo um transporte 100% Carris controlado pelos trabalhadores, mostrando nosso apoio ativo e batalhando pela aliança operário-estudantil.

Em muitos dias de piquete, e em cada conversa com os trabalhadores rodoviários e em cada apoio expresso pela população, a música de Criolo vinha a mente, porque nela também se encontra um elemento muito forte que é a contraposição ao discurso da grande mídia que, ao lado dos capitalistas, em toda greve de trabalhadores, busca dividir a população e o movimento grevista, sempre enfatizando os "maus efeitos" das paralisações.

"Eu que odeio tumulto
Não acho um insulto manifestação
Pra chegar um pão quentinho
Com todo respeito a cada cidadão"

Aqui em Porto Alegre, a RBS (ligada ao grupo Globo), junto de Melo e os empresários, faz muito bem esse papel. Passa nas paradas focando no trânsito congestionado e nos ônibus lotados, mas não fala nada sobre as razões da paralisação. Esse é o mesmo discurso mentiroso de Melo que, dentro de seus carros com motoristas privados pagos com dinheiro público, chama a greve dos trabalhadores rodoviários de ilegítima e inoportuna, dizendo que se hoje os ônibus estão lotados é culpa da paralisação e ameaçando corte de ponto e salários. Porém, o que melo e a RBS não falam, é o fato de que antes mesmo das paralisações, em meio a pandemia, os ônibus já estavam lotados pelo corte de algumas linhas das empresas privadas, que a Carris teve que assumir enquanto as empresas privadas só aumentavam seus lucros. Acontece que há vezes em que as coisas saem do script, como foi o caso desse sensacional vídeo em que um trabalhador é perguntado sobre o ônibus que iria pegar e ele dá uma invertida na narrativa da grande mídia e do Melo: “Tá certo eles, tem que lutar pelo trabalho deles mesmo, tão sendo muito explorados os motoristas. Eles tem que fazer o protesto deles, eu apoio”

Portanto, não só na música de Criolo se expressa o forte apoio da população com a greve dos trabalhadores, nas ruas de Porto Alegre esse apoio se faz presente, e é ele também que pode fazer com que essa luta vença! Por isso, um dos principais desafios agora é como transformar esse apoio popular, que está passivo, em uma solidariedade ativa, com medidas de ação para fortalecer e ampliar a greve, mostrar que esses trabalhadores não estão sozinhos e a população está do seu lado. Para vencer, é preciso do estudante, dos trabalhadores da saúde, dos metroviários, dos professores, de todos os que quiserem apoiar, inclusive o padeiro que não foi trabalhar.

Leia mais: A greve dos rodoviários precisa virar uma grande causa popular de toda Porto Alegre

A greve da Carris mostra a força da nossa classe e o caminho para lutar não só contra Melo e os empresários, mas também contra Bolsonaro, Mourão, o conjunto do regime político e os ataques.

Leia também: O 7 de setembro em Porto Alegre precisa ser um grito em apoio à greve dos rodoviários e contra Bolsonaro

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Luno P.

Coordenador Geral do Centro Acadêmico do Teatro da UFRGS (CADi)
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