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Polícia Federal | Família Bolsonaro premia amigos com cargos na Polícia Federal em Miami e Portugal

Os agentes da PF nem sequer estavam dando expediente na corporação, mas isso não importa, o que vale é a amizade com o clã bolsonarista.

quarta-feira 25 de agosto | Edição do dia

Foto: Reprodução

Os postos que a Polícia Federal brasileira ocupa nas embaixadas do Brasil no exterior, historicamente, são oferecidos a funcionários carreiristas, experientes ou que deixam postos de destaque após um longo período de subordinação na corporação. Até concursos públicos já foram realizados para preencher esses cargos, mas atualmente, basta ser amigo do clã bolsonarista.

Os dois policiais nomeados, um escrivão e um papiloscopista, nem davam expediente na PF quando foram nomeados para cargos nas embaixadas de Miami e de Portugal.

O agente Fabrício Scarpelli, que é amigo pessoal de Eduardo foi nomeado em março oficial de ligação em Miami até 2023, terá salário de R$ 38 mil reais, segundo o Portal da Transparência, e ainda embolsou mais R$ 91 mil reais de ajuda de custo para a mudança.

Até ser nomeado, ele trabalhava como assessor especial da Casa Civil, que fica no Palácio do Planalto, sob o comando do ex-ministro Luiz Eduardo Ramos. Não se sabe exatamente o que ele fazia, uma vez que as agendas oficiais do período em que atuou na Casa Civil só se referem a misteriosos “despachos internos”. Mas, apesar de trabalhar para o general Ramos, seu fortalecido vínculo é com Eduardo Bolsonaro. O agente Scarpelli e o deputado exibem farto material dessa amizade em publicações nas suas redes sociais.

Já o segundo amigo dos Bolsonaro, o papiloscopista João Paulo Dondelli, teve direito a uma ajuda de custos de R$ 97 mil reais nessa transferência para Portugal, onde será adido-adjunto, e ainda pode levar seus dependentes, todos poderão circular com passaporte diplomático. A função para a qual ele foi nomeado em junho tem salário padrão de US$ 12 mil dólares mais US$ 4 mil dólares de auxilio moradia.

O agente Dondelli foi o segurança de Jair Bolsonaro na operação que deteve Adélio Bispo no momento da fatídica facada sofrida pelo então candidato em Juiz de Fora/MG, em setembro de 2018. Mais recentemente, em fevereiro de 2020, ele mesmo rememorou a experiência, numa cerimônia de condecoração recebida na Assembleia Legislativa de São Paulo com outros ex-seguranças de Jair Bolsonaro.

Sua agenda oficial mostra que, além de reuniões com empresas, ele despachava com quadros olavistas do governo, como o assessor especial de relações exteriores, Filipe Martins, e o secretário de Comunicação Institucional Felipe Pedri, ambos próximos de Eduardo Bolsonaro.

Segundo o ex-secretário de Comunicações Fábio Wajngarten, foi Dondelli quem o assessorou na primeira reunião que teve com executivos da Pfizer no Planalto. Lembremos que o que se passou nessa reunião nunca foi devidamente esclarecido.

Seu nome também apareceu em reportagens sobre a chamada Abin paralela (Agência Brasileira de Inteligência), um grupo de policiais que trabalhava no Palácio do Planalto exclusivamente para o presidente Jair Bolsonaro.

Com a nova função, Dondelli vai ocupar o segundo cargo mais importante da PF em Portugal pelos próximos três anos. Apesar de não ser comum um perito ocupar um cargo tão estratégico para a Polícia Federal no exterior, o que vale aqui é a fidelidade à família Bolsonaro.

Quando procurada, a Polícia Federal respondeu que a indicação de Dondelli e Scarpelli para seus respectivos cargos "atendem perfeitamente os critérios previstos na norma que rege a matéria (Instrução Normativa 86/2014, artigo 20)".
Indagada se o agente e o papiloscopista foram indicados por Eduardo Bolsonaro ou pelo Palácio do Planalto, a corporação se manteve em absoluto silêncio.

Fabrício Scarpelli foi contatado através de uma rede social a respeito da reportagem, mas assim que recebeu a mensagem, bloqueou o repórter. O oficial de ligação da PF em Miami não atendeu aos telefonemas, muito menos a embaixada do Brasil em Portugal, onde trabalha Dondelli. O silêncio também ecoou no gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro, que ignorou as tentativas de contato da imprensa.




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