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UFRGS | Faltando 1 mês para o fechamento de semestre na UFRGS, nenhuma solução para o calendário de 2021

quarta-feira 21 de abril | Edição do dia

Foto: Guilherme Santos/Sul21

Entre os choques de interesses do reitor interventor e da burocracia acadêmica, onde Carlos Bulhões vem centrando seus esforços em ser corrente de transmissão do autoritarismo de Bolsonaro em nossa universidade, impondo uma profunda mudança na estrutura de organização da universidade por fora até mesmo do antidemocrático CONSUN, estamos a quase 30 dias do fechamento do semestre ainda sem soluções quanto ao ingresso de estudantes de graduação e ao calendário acadêmico.

Em meio a uma situação já bastante absurda onde o conjunto da comunidade acadêmica vem se enfrentando com o precário e remendado Ensino Remoto, baseada na precarização de nossos estudos e do trabalho docente e dos funcionários, esse atraso representa uma total desorganização para o fechamento do semestre atual e de previsão para o começo do próximo semestre, o que implica diretamente na falta de orçamento para finalizar o ano de 2021 em nossa universidade. Tendo em vista a proposta de corte de gastos bilionários nas universidades com a votação do orçamento para 2021, que na UFRGS pode chegar a mais de 30 milhões de reais, essa demora representa uma instabilidade nas finanças da universidade, colocando em perigo a assistência estudantil de conjunto, com possíveis cortes de Bolsas e fim de auxílios nesse período da pandemia.

Essa situação também representa duros ataques à permanência estudantil e a chegada de novos alunos na universidade. Não existe previsão para a realização do vestibular e as vagas disponibilizadas foram reduzidas com apenas as vagas do SISU sendo ofertadas. É previsto pelo estatuto que apenas 30% das vagas para entrada são reservadas pelo SISU, e essas são as vagas preenchidas até este momento, sendo prevista uma reunião do CONSUN na sexta-feira para discutir as políticas de ingresso para o próximo ano.

A discussão se torna ainda pior no momento em que diversos setores da burocracia acadêmica abrem o debate sobre o Ensino Remoto Emergencial e das diretrizes de sua aplicação no próximo semestre, novamente impondo que seja decidido por fora de discussão ampla e democrática com estudantes e professores, inclusive baseado em um parecer manipulado pela reitoria e burocracia acadêmica que avalia o ERE como positivo. Nessas discussões também está sendo levantada como proposta o descongelamento do ordenamento, com a posição absurda de que isso não afetaria os estudantes que por dificuldades adversas não estão acompanhando as atividades da universidade.

O que esse debate deixa claro, é a total indiferença por parte da burocracia acadêmica da universidade com os estudantes, principalmente cotistas. É totalmente inadmissível posições como estas em meio a uma pandemia, onde o Brasil vem se tornando uma laboratório a céu aberto de cepas do coronavírus, com milhares de mortes diárias e frente a uma crise econômica que leva ao desemprego e à fome, onde os estudantes são brutalmente afetados. Muitos alunos não conseguem acompanhar as aulas pois tem que auxiliar na renda de suas casas, ou cuidar de parentes adoecidos, sem falar do aumento nos casos de depressão e demais implicações à saúde mental dos alunos, que se somam a falta de uma assistência estudantil suficiente.

Também está sendo cogitado a retirada da exclusão de matrícula em qualquer momento do semestre, sem perda qualitativa no percurso na universidade. Posições como essas devem ser rechaçadas de conjunto, e na prática são medidas que excluem estudantes de nossa universidade, principalmente os cotistas. A aplicação do Ensino Remoto Emergencial no ano passado, como denunciamos em outras matérias, representa um acirramento das desigualdades da permanência estudantil, e dá passos largos na perspectiva dos capitalistas de desmonte das universidades públicas, rumo à privatização.

Nesse sentido, não podemos colocar a luta em defesa da universidade, contra os interventores Bulhões e Pranke, nas mãos do CONSUN. Essa saída é apenas possível através da força dos estudantes em aliança com os demais setores da universidade. A partir desta organização, desde cada curso que é possível questionarmos de conjunto este regime antidemocrático, oriundo da ditadura, que possibilita intervenções diretas do governo. Essa luta só é possível através de uma estatuinte livre e soberana, onde todos os setores da UFRGS, incluindo terceirizados, tenham representação, com voto universal, para decidirmos o destino da universidade.

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